Votos, refugiados, a luz de Lisboa, Museu Bordalo Pinheiro são os temas centrais da revista deste mês. A secção que edito custou a sair, este mês. Várias foram as ideias começadas e abandonadas. Até que de repente tudo encaixou na minha mente, quer do ponto de vista da organização do artigo como da sua premência na relação com o mundo e a actualidade.
Como podemos implicar-nos numa causa urgente e fundadora da democracia que é a dos refugiados que chegam diariamente à Europa, sem paternalismos nem discursos superficiais e redundantes?
Há quem defenda que a literatura é inútil e quem defenda o contrário. Há duas décadas participei num debate acreditando na sua inutilidade. Hoje, apesar de aceitar os argumentos teóricos dos dois lados, é muito mais relevante posicionar-me, tendo em conta a relação da literatura e da sua estética com a leitura.
Se a leitura oferece mundo, contexto prévio para novas leituras, estranhamento e reconhecimento, a leitura tem um lugar na formação democrática de cada criança. Ou deveria ter. Neste número de Setembro, elenco alguns títulos que ajudarão, pela sua qualidade literária, pela sua subtileza ou acutilância narrativa, pela sua condição poética, a visualizar e promover questionamento sobre situações de perseguição, fuga, emigração, guerra, e sobre alguns lugares de recomeço.

A Blimunda pode ser descarregada no site da Fundação José Saramago ou lida directamente no scribd.

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