A antiga casa de infância de J.M.Barrie, que inspirou Peter Pan, está em vias de se tornar o primeiro centro internacional de literatura infantil da Escócia. A Peter Pan Moat Brae Trust pretende angariar fundos para recuperar a antiga casa e o respectivo jardim, de modo a ali alojar não apenas o centro de literatura infantil mas de o dinamizar com oficinas, ateliers, encontros com autores e outras iniciativas. A notícia completa pode ser lida no Guardian. A Fundação Peter Pan Moat Brae também tem uma página com informações diversas sobre o seu projecto, a casa e o jardim, o autor e a sua personagem mais marcante.
Quinta-feira, Agosto 18, 2011
A casa de Peter Pan
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Etiquetas: Autores, Literatura
Segunda-feira, Agosto 15, 2011
a ciência da literatura
A Evolução de Calpurnia Tate
Jacquelline Kelly
Contraponto
Infelizmente não é frequente um livro juvenil ser uma obra literária (a verdade é que se passa o mesmo com muitas narrativas para adultos). Não invalida que a história seja bem contada, sequer que a fórmula não seja louvável, divertida, contagiante… Mas literatura é mais do que isso. E ler este livro, que tem a teoria da evolução das espécies de Darwin como leit motiv, é aceder a uma verdadeira narrativa literária. É uma história de época, na viragem do séc. XIX para o séc. XX no sul dos EUA, narrada na primeira pessoa com desenvoltura, em que uma rapariga de doze anos vai descobrindo um mundo de liberdade através da ciência, à qual acede de forma semi-secreta através do seu excêntrico avô. Esta experiência, que percorre todo o livro, contribui para alterar a percepção que Calpurnia, a protagonista, tem do universo social que a rodeia e que a tenta preparar para uma função que não lhe interessa. Tudo começa nas férias grandes quando a única filha de uma família numerosa se deleita a observar insectos, questionando-se sobre as alterações que sofrem. A curiosidade da menina, que procura respostas junto do irmão mais velho, irá render-lhe a atenção do avô e o acesso a um exemplar de A Origem das Espécies, de Darwin. Assim se inicia uma relação de cumplicidade e confiança, depois da rapariga ver vedado o seu acesso à obra na Biblioteca Municipal. Mas não só de ciência se delineia a narrativa. A ciência é também pretexto para um rigoroso retrato de uma tradicional família sulista, na viragem do séc. XX, com protocolos de comportamento, festas e eventos sociais e lugares bem definidos. Há ainda a passagem de ano (1899-1900) como grande momento de viragem e esperança. Abandonar Calpurnia custa, como sempre acontece com heróis que nos confidenciam algo especial. O leitor deseja ardentemente que a menina não seja obrigada a abdicar dos seus sonhos de trabalhar e ser independente, e nunca deixe morrer o seu espírito crítico. Também sentirá a falta do avô, da mãe, dos irmãos... No fundo, de acompanhar aquela família ao longo do tempo e assistir (espera-se) a pequenas revoluções. Afinal, o lado grandioso da mudança é muitas vezes silencioso e fica por registar.
A Evolução de Calpurnia Tate é um exemplo de uma novela bem construída, em que os temas escolhidos se entrelaçam sem se sobreporem ou soarem forçados, e em que a informação se revela sempre necessária. Como tantas outras obras juvenis, este livro (o primeiro de Jacquelline Kelly) é transversal, que agradará tanto a adolescentes como a adultos.
(versão alargada da crítica publicada na edição de Agosto da revista Os Meus Livros)
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Etiquetas: Editoras; Livros
Quarta-feira, Agosto 10, 2011
Chegaram as férias
Férias na cidade...
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Etiquetas: Livros
Terça-feira, Agosto 09, 2011
Todos fazemos tudo na rentrée do Planeta Tangerina
O anúncio já foi feito no mês passado. O Planeta Tangerina lançará, em Setembro, o álbum Todos Fazemos Tudo, de Madalena Matoso. O projecto original é das Éditions Notari, a editora suíça que edita os livros do Planeta, e o tema é a igualdade de género. O vídeo do livro deixa entrever que, quando os autores são bons, os valores não se tornam panfletários e o resultado nunca se fecha num maniqueísmo simplista. Madalena Matoso rasga as fronteiras dos costumes e propõe, com a naturalidade que está associada ao Planeta, uma leitura diversificada do papel de cada indivíduo na sociedade.
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Etiquetas: Editoras; Livros
Visitar The Zone
The Zone é a secção de livros da Scholastic Children's Books. Lá ficámos a saber que Julia Donaldson, a autora de O Grufalão (editado em Portugal pela Verbo), lançará um novo livro em Setembro. Pudemos também ver o trailer do filme A Invenção de Hugo Cabret, a partir do romance juvenil homónimo de Brian Selznick (Gailivro). Mas há muito mais, entre notícias de prémios e clubes de leitura. Vale a pena a visita.
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Sábado, Agosto 06, 2011
A DGLB a trabalhar
A notícia foi dada em meados de Julho: a DGLB apoiará 22 traduções de autores portugueses para a língua sérvia, no âmbito da Feira do Livro de Belgrado, em que a língua portuguesa será tema. Os Livros que devoraram o meu pai, de Afonso Cruz, e Para Maiores de Dezasseis de Ana Saldanha sairão pela editora infanto-juvenil Kreativni Centar, onde foi recentemente lançado A Vida nas Palavras de Inês Tavares de Alice Vieira e em 2009 Bom Dia Camaradas, de Ondjaki.
Claro que a panóplia de autores para adultos é de respeito, com nomes como Sophia de Mello Breyner, Herberto Helder, Gonçalo M. Tavares, Mário de Carvalho ou Dulce Maria Cardoso. Assim se percebe melhor a relevância da DGLB: apoiar a tradução significa dar a conhecer, vender direitos de autor, estabelecer relações culturais que são também económicas. Correndo o risco de soar panfletário, quem acredita na cultura deve mostrar a sua validade. Aumentar as exportações é também 'exportar' cultura e língua. Ponhamos os olhos em Espanha e na América Latina!
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Quinta-feira, Agosto 04, 2011
Imaginaria
É uma revista online, nascida na Argentina em 1990. A Imaginaria tem recensões, artigos sobre promoção da leitura e muita informação sobre livros para a infância e juventude. Os números anteriores podem ser consultados o que faz da revista um mundo de referências e história.
Mais uma ideia a reter.
Publicada por Andreia em 16:04 0 comentários
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Chegaram as férias
A brisa do mar...
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Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Relevância dos símbolos
Taubaté, cidade onde nasceu Monteiro Lobato, é a Capital Nacional da Literatura Infantil brasileira. Pus-me a pensar se faria sentido reproduzir a ideia em Portugal. Que cidade seria a mais adequada? E, seguindo o mesmo critério, qual é ou foi o grande autor de literatura infantil que possa ser tomado como símbolo?
A questão não é linear e prende-se com dois ou três aspectos que não serão totalmente concordantes: o marketing em torno da figura e do local seriam benéficos para o turismo cultural e para a visibilidade e reconhecimento da literatura infantil a título nacional e por todos os estrangeiros que visitem a cidade e até o país (se a informação constar nos guias); a escolha do símbolo poderia criar uma base para uma história da literatura infantil portuguesa, ao destacar um nome, porventura fundador; por outro lado, para quem pensa e estuda a literatura infantil, escolher um nome poderia ser bastante redutor e injusto, levantando inevitáveis polémicas, fosse qual fosse a opção.
Haverá em Portugal demasiados pruridos no convívio entre o pensamento e o símbolo? Possivelmente. Poderão ambos conviver? Muito provavelmente. A verdade é que uma Capital da Literatura Infantil poderia ser uma espécie de Popville temática, com um espaço dedicado ao(s) autor(es) nados ou criados aí, uma boa livraria especializada, uma biblioteca que oferecesse um fundo infantil de excelência (não apenas actual mas do passado), um espaço de exposições que acolhesse mostras nacionais e internacionais. A cidade ganharia certamente com isso. Mas seria necessário o reconhecimento dos organismos centrais, para que o projecto funcionasse em pleno. Contar com a opinião de especialistas em literatura infantil e ilustração seria igualmente essencial.
Agora que a secção portuguesa do IBBY começa a dar os primeiros passos, um espaço assim poderia contribuir para a credibilização das organizações nacionais e ganharia outra dimensão a nível internacional.
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Segunda-feira, Agosto 01, 2011
há um ano atrás
Na edição de Agosto de 2010 da revista Os Meus Livros, escrevi sobre Quem quer um rinoceronte barato?
Um Rinoceronte ao seu disporFoi pela mão da Bruaá que conhecemos A Árvore Generosa, e o seu consagrado autor. Reencontramo-lo e reconhecemos o seu traço simples mas inconfundível: figuras desenhadas a caneta de feltro preta, sem preenchimento ou presença de cor. A página permanece branca, destacando assim a retórica da ilustração.
Se, no caso de A Árvore Generosa, a economia textual e gráfica resultam numa tensão dramática, as múltiplas e surpreendentes utilidades de um rinoceronte provocam um inevitável sorriso ao leitor.
Recorrendo a uma técnica enumerativa, Shel Silverstein responde, ao longo de 60 páginas, à questão que inaugura o álbum.
Este assume sempre os interesses e a perspectiva da criança, mesmo em confronto com o adulto, como acontece quando se alvitra que o rinoceronte “(…)dá muito jeito para pedir dinheiro ao teu pai.” porque lhe vai aparecer mal encarado (como só a ilustração nos diz). O jogo entre texto e imagem completa-se intuitivamente provocando inferências. Também a expressividade corporal do animal é imprescindível ao diálogo, reforçando a inteligência deste humor.
Quem quer um rinoceronte barato?
Shel Silverstein
Bruaá
Publicada por Andreia em 01:58 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros







