Domingo, Janeiro 30, 2011

Ab(r)ecedários

Dora Batalim estará na BIJ, em Cascais, no próximo sábado de manhã a orientar uma acção sobre promoção da leitura com bebés, quer no ambiente familiar, quer no universo das creches e bibliotecas municipais. Pais e educadores, assim como outros mediadores de leitura, estão convidados a assistir. Para isso basta inscreverem-se na Biblioteca Municipal de Cascais. A sinopse da acção Ab(r)ecedários está disponível no site da DGLB.

Sábado, Janeiro 29, 2011

"Huckleberry Finn" politicamente correcto no The Daily Show

Mark Twain Controversy
The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
www.thedailyshow.com
Daily Show Full EpisodesPolitical Humor & Satire Blog</a>The Daily Show on Facebook

DGLB com nova configuração legal

A notícia é dada pelos Booktailors: a DGLB será transformada numa sub-direcção, a par com a Biblioteca Nacional, ambas geridas por um organismo comum.
De que beneficiará a DGLB e a BN com esta nova configuração, não o sabemos. A Biblioteca Nacional tem funções muito específicas que, na grande maioria das suas competências, não se aproximam das da DGLB e vice versa, pelo que a aproximação, que será menos drástica do que a extinção deste organismo, também não deixa antever um futuro de grande esperança. É, ao menos, um sinal político de que a relevância da DGLB é maior do que aquela que teria sido inicialmente prevista. Mas, tal como quando foi anunciada a fusão, o que efectivamente interessa é que a DGLB continue a ter verbas para levar a cabo as suas múltiplas funções com dignidade institucional, quer a nível interno, quer na representação externa do país.

Sexta-feira, Janeiro 28, 2011

«Leituras à Solta em Cerromaior»

A rádio Miróbriga abre as portas aos leitores que se inscrevam para gravarem a leitura do seu texto preferido. São as Leituras à Solta em Cerromaior e continuam um trabalho iniciado em anos anteriores, quando, no programa semanal da Câmara Municipal de Santiago de Cacém, às segundas-feiras, «De Porta Aberta», alguns alunos e professores apresentavam as suas leituras.
Todos se podem inscrever para participar, basta para isso que preencham a ficha de inscrição nas Bibliotecas Municipais.
No ano em que se comemora o centenário do escritor Manuel da Fonseca, o nome do projecto não poderia ser mais apropriado.
Mais informações no site da Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

Quarta-feira, Janeiro 26, 2011

Efeitos colaterais

A comunidade de leitores em Montemor finou-se por falta de público. Depois de duas tentativas com alunos diferentes, percebemos que seria impossível motivá-los a participarem num clube no seu parco tempo livre, ainda sujeito a aulas de apoio, horários de autocarros e salas de estudo. Mas fiquei hoje a saber que uma das participantes na segunda sessão já requisitou três livros depois do nosso encontro.
Muitas vezes o efeito de pequenas conversas não se conseguem percepcionar, nem tão pouco materializar níveis de sucesso ou insucesso. Que conversas surgem, que partilhas, que curiosidades se alimentam nos jovens, que as guardam para si? A leitura tem tanto de social como de individual, de público quanto de privado. Mediar é por isso desejar efeitos colaterais e viver na expectativa de que existam, sem contudo ter qualquer certeza disso. Por isso, estas pequenas revelações adoçam a alma...

Segunda-feira, Janeiro 24, 2011

Homenagem a Matilde Rosa Araújo no Porto


A iniciativa é conjunta, reunindo as áreas curriculares de Música e Literatura para a Infância e Promoção da Leitura, assim como o Nela (Núcleo de Estudos Literários e Artísticos) da Escola Superior de Educação - Instituto Politécnico do Porto.
Amanhã, pelas 16h realiza-se um colóquio sobre a escritora Matilde Rosa Araújo, seguido da audição integral de As Cançõezinhas da Tila, que Fernando Lopes Graça musicou.

(Basta clicar na imagem para aceder à informação detalhada do programa.)

Feira de autores lusófonos em Odivelas

Sexta-feira, Janeiro 21, 2011

Animação de Foxy & Meg nomeada

As animações que André Letria realizou a partir dos seus livros com as personagens Foxy e Meg, para a primeira infância, estão nomeadas na categoria de "Melhor Animação Profissional" do festival britânico Stoke Your Fires.

Foxy & Meg - the opposites from animanostra on Vimeo.

Concurso Lusófono da Trofa

As inscrições para a edição de 2011 do Concurso Lusófono da Trofa - Conto Infantil Prémio 'Matilde Rosa Araújo' estão abertas até dia 25 de Março. Podem participar todos os cidadãos de qualquer um dos oito países de língua oficial portuguesa que não tenham editado qualquer obra na área da Literatura Infantil.

O concurso distinguirá com o Prémio Matilde Rosa Araújo o melhor conto de entre todos a concurso, e com o Prémio Lusofonia para o melhor conto de cada país de lusófono (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor).
Este concurso resulta de uma parceria entre o Munícipio da Trofa e o Instituto Camões.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Viagens Literárias no Metro do Porto

«Iniciadas em Março, as Viagens Literárias no Metro do Porto são uma campanha de incentivo à leitura em viagem. Até final de Abril, todos os interessados podem requisitar livros previamente seleccionados e postos à disposição em várias estações d rede e a bordo do metro da Linha Vermelha (B), entre a Estação da Póvoa de Varzim e a Estação Estádio do Dragão.
Ao longo de meia hora, o autor de "Biologia do Homem", "Livro de Estimação" e "Vou para Casa" deu autógrafos e conversou com vários utentes do Metro. Todos os interessados puderam ainda obter, gratuitamente, livros do escritor a bordo do metro através dos "ardinas" que circulavam pela estação.» (Toda a informação aqui.)

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

Mediar é também dar a ver

Numa acção com pais, na Biblioteca Municipal de Arruda dos Vinhos, mostrei, por razões diversas, os álbuns Popville (Anouck Boisrobert e Louis Rigaud, Bruaá) e Dias Felizes (Laurent Moureau, Orfeu Negro). A boa nova é que rapidamente as mães se interessaram e partilharam as potencialidades que viam nos álbuns.

A ideia de o leitor poder criar a sua cidade à medida que descobre aquela, nos seus detalhes visuais; de lá poder voltar imaginando mais elementos naquele espaço; de poder criticar a forma como cresce o cimento em detrimento do verde... foram aspectos referidos pelas participantes. A acrescer a possibilidade de exploração autónoma, sem a mediação do adulto, o que dá ao livro uma dimensão mais ampla e verdadeira do que um simples repositório de histórias.


Já quando apresentei Dias Felizes, a primeira reacção foi a de uma mãe que disse: «Deste livro o meu filho ia gostar. Este ele já pintava...» a propósito do seu filho não gostar de desenhar ou pintar. A relação mais ou menos óbvia entre os elementos dispostos em cada página, a visão subjectiva das cores, dos objectos e a repercussão dos sentidos no acto de pintar são alguns aspectos a ter em atenção. Mas, tendo em conta que se trata de um livro de colorir, coloca-se a questão da efemeridade: depois de ser colorido, perderá este álbum a sua validade? Não, porque o desafio que encerra prolonga-se durante o tempo que o leitor desejar, e as próprias listas ganham outros sentidos à medida que o leitor tem outras experiências. Poder comparar as suas opções de colorir com as que tomaria mais tarde é um exercício possível. Quando falei no preço, as mães não acharam caro, porque afinal não é um simples livro de colorir, como os outros a que estamos habituados.

Não é preciso, muitas vezes, um estudo aprofundado para que os adultos intuam a qualidade de um álbum ou livro infantil. Basta que o leiamos em conjunto ou até que simplesmente o demos a conhecer.

Por coincidência, ou talvez não, ambos os álbuns estão originalmente editados na Hélium Éditions, uma pequena editora independente de Paris, em cujo blogue podemos continuar a deslumbrar-nos.

Imagens para Pensar Histórias no Montijo


A exposição é colectiva e conta com a presença de diversos ilustradores, entre os quais Evelina Oliveira. O nome escolhido para a mostra é aliciante e poderá ser o mote de uma visita.

Terça-feira, Janeiro 18, 2011

Didáctica da Literatura no 9º Encontro Nacional da APP

O 9º Encontro Nacional da Associação de Professores de Português (APP), que terá lugar na Figueira da Foz, dedica esta edição à Didáctica da Literatura. Nos dias 18 e 19 de Março apresentar-se-ão comunicações sobre o corpus literário no ensino, experiências de promoção e contratos de leitura, o PNL, e ainda autores, obras e géneros literários. O programa, assim como a ficha de inscrição, estão disponíveis no site da APP.

Conspiração juvenil para um ano inteiro

Conspiração 365 é a aposta para jovens da Contraponto para o ano 2011. É uma saga em que Cal, o protagonista de 15 anos vai tentar sobreviver a uma conspiração que o persegue durante um ano. A saga conta com 12 livros, saindo um por mês. Por isso, quem quiser manter-se actualizado, é melhor começar a ler o primeiro volume.

Conspiração 365, Gabrielle Lord, Contraponto

Segunda-feira, Janeiro 17, 2011

Prémios ALA

A American Library Association (ALA) anunciou na semana passada a lista de vencedores dos prémios e menções honrosas atribuídas a livros ou autores de livros para crianças e jovens. De entre a longa lista, os mais conhecidos são o Newberry e o Caldecott Medal que distinguem respectivamente o melhor livro infantil e o melhor álbum do ano transacto, editado nos EUA.
Moon over Manifest, de Clare Vanderpool (DelaCorte Press) venceu o John Newberry Medal. No site da autora, ela explica como surgiu a ideia para o livro.

A Sick Day for Amons MCGee, Erin Stead (ilustração), Philip Stead (texto), (Roaring Brook Press) foi distinguido com a Randolph Caldecott Medal.

Mas há também distinções para a literatura juvenil, uma lista de livros para adultos que foram recebidas por adolescentes, reforçando o fenómeno do crossover ficion e ainda a distinção de livros de não ficção.

Festa do Livro no Porto

É a XVI Festa do Livro e decorre na Fundação Cupertino de Miranda até dia 30 de Janeiro. Segundo o JN, serão cerca de 400 mil livros em saldos apetecíveis. A notícia está aqui. Quem estiver por perto... faça favor de aproveitar.

Sábado, Janeiro 15, 2011

um outro tempo de fruição

A editora da Companhia das Letrinhas, Júlia Moritz Schwarcz, partilha no blogue da editora a sua reflexão sobre as artes plásticas e o texto na recepção das crianças e dos adultos. A sua experiência pessoal diz-nos algo acerca dessa necessidade de preservarmos um olhar infantil sobre o mundo. O texto chama-se, sintomaticamente, Permitido para menores.

Sexta-feira, Janeiro 14, 2011

Colóquio internacional Sophia de Mello Breyner Andresen

Será nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro o grande Colóquio Internacional Sophia de Mello Breyner Andresen. Na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a obra poética da autora, nas suas mais diversas componentes, irá ser profundamente interpretada, por académicos portugueses e estrangeiros.

Para além do interesse geral do colóquio, ressalve-se que as comunicações de Fátima Freitas Morna e de Perfecto Quadrado não deixarão de fora a sua escrita narrativa para a infância. Todas as informações estão disponíveis no site do colóquio.

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

Os Livros que devoraram o meu pai em Torres Vedras

As 5ªs com Livros, na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, têm todos os meses três propostas de leitura à escolha dos participantes na Comunidade. Todos podem votar no blogue dois meses antes da sessão.

O primeiro encontro de 2011 realiza-se no próximo dia 20, às 19h15 e o livro que estará no centro da conversa será Os Livros que Devoraram o Meu Pai, de Afonso Cruz (Caminho). Sendo esta uma comunidade de leitores adultos, é interessante que se debata um livro a cujo original foi atribuido o Prémio Maria Rosa Colaço, na modalidade de literatura juvenil.
Como vê um leitor maduro esta intriga, tecida em torno de um desaparecimento fantástico que coloca o maravilhoso e o real a par, apagando as suas fronteiras nos diálogos entre o filho de Vivaldo Bonfim e as personagens dos livros que lê em busca do pai?
Afonso Cruz alimenta uma engrenagem de investigação policial, em que Elias, narrador e filho de Vivaldo, procura pistas sobre o paradeiro do pai através das personagens dos livros, que o remetem para outros livros e outras personagens. Há, no entanto, a descrição paralela, embora menos extensa, do quotidiano do rapaz de 12 anos, das suas dúvidas e da sua crueldade. Pode parecer que ambos os universos não se tocam, até que a exploração da realidade, especialmente no que respeita a amizade com Bombo, fica defraudada perante tamanhas viagens literárias, mas a relação com a vida é uma incógnita maior que os juízos literários, por muito que se leia. A experiência dos livros, entre monstros, figuras sinistras, cientistas, mulheres amarguradas, levam Elias a outros livros que respondem a questões e levantam outras, num ciclo infinito de motivações.

«_ Um cão?
«_ Sim, finalmente posso ter um. Chamavam-no Argos, mas na realidade é Mr. Prendick.
«_Quem?
«_ Mr. Prendick, personagem do livro A Ilha do Dr. Moreau. (...)
«Não voltei a visitar Mr. Hide e a sua bengala nervosa. Agora o desafio era outro: era preciso encontrar Raskolnikov. Procurei-o entre as obras de autores russos e, por mera sorte, acabei por encontrá-lo no segundo livro que tirei da estante, logo a seguir ao A Mãe, de Gorki.» (pp.76, 77)

Porque não é este um livro que pretenda mostrar o prazer da leitura ou a sua magna utilidade. É uma narrativa a partir da literatura, em que a literatura dialoga entre si, mas também onde o seu conhecimento prévio não é necessário para se perceber a diegese, pelo menos não num primeiro nível de leitura.

«O livro chamava-se Crime e Castigo. Tinha uma lombada grossa e eu abri-o com cuidado, por causa daquela obesidade toda que se manifestava em largas centenas de páginas. Era pesado como uma feijoada e a encadernação parecia uma bíblia. O título escarrapachava-se a letras douradas, muito brilhantes. Por baixo lia-se o nome do autor: Fiodor Dostoievski.» (p.77)

A Ilha do Dr. Moreau, Dr. Jeckil e Sr. Hide, Fahrenheit 451, são outros livros percorridos, e com eles os espaços dos romances e os seus protagonistas. É certo que o seu conhecimento permite ao leitor entretecer melhor as relações textuais, reconhecer momentos, congratular-se consigo próprio. Mas disso não depende a evolução da acção ou a compreensão do móbil de Elias: encontrar o pai.

«Nunca fui a São Petersburgo, a cidade russa onde toda esta trama se desenrola, mas mal comecei a ler senti-me a caminhar pela grande avenida Nevski, com toda a naturalidade. Mr. Prendick, claro, apareceu ao meu lado e caminhou comigo com a língua de fora.» (p.77)

Podemos depois concluir que a moral desta obra se situa na valorização do conhecimento, quer do mundo, quer da experiência, quer dos outros. Podemos ainda acrescentar que é um livro que suscita a curiosidade sobre a leitura, até demonstra a infinitude do universo literário, em que um livro leva sempre a outro livro.

Mas o final, depois de uma estrutura muito bem arquitectada, com saltos entre a dimensão do real e a dimensão literária cruzados com passagens evidenciadas, quase rituais, e comentários que dessacralizam o objecto livro ou os comportamentos leitores; o final, como dizia, é avassalador:

«Continuei a ler compulsivamente e julgo que acabei por encontrar o meu pai. Não por ter lido um sótão inteiro (e mais, muito mais), mas por ter-me tornado pai eu próprio. (...) Tenho 72 anos. Olho para os meus filhos e para os meus netos e penso em que diabo de histórias se meterão eles e o que é que eles poderão um dia contar. Porque um homem é feito dessas histórias, não é de adê-énes e músculos e ossos. Histórias.» (pp. 127, 128)

A valorização do acto de contar, da experiência, da memória supera a sua origem. O tom sempre reflexivo que acompanha o narrador confere à obra uma dimensão mais íntima, mais cúmplice, seja ela fantástica ou erudita, ou outra coisa qualquer. Por isso, o final recupera a ideia inicial, fechando a narrativa mas abrindo um mundo de possibilidades dentro dela: «Uma biblioteca é um labirinto. Não é a primeira vez que me perco numa. Eu e o meu pai temos isso em comum. Penso que foi isso que lhe aconteceu. Ficou perdido no meio das letras, dos títulos, perdido no meio de todas as histórias que lhe habitavam a cabeça. Porque nós somos feitos de histórias, não é de adê-énes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias.» (p.27)

É, claramente, literatura. E, inevitavelmente transversal. Por isso será interessante saber o que têm a dizer os adultos sobre uma narrativa que originalmente se destina a jovens. Mas não só.

Quarta-feira, Janeiro 12, 2011

Tinta nos Nervos: aprender BD


Por nunca ter manifestado interesse pela Banda Desenhada na infância, por não ter convivido com quem gostasse do género, por ser uma boa leitora e por ser, à época, desaconselhada a leitura de BD (não fossem as crianças assumirem tiques linguísticos do português do Brasil, apesar de proliferarem as telenovelas, ou ficarem preguiçosas perante os livros com muito texto), sou hoje uma adulta incompetente para a leitura de Banda Desenhada.

É certo que o domínio de outros géneros e o aprofundamento da prática da leitura visual, nos álbuns e livros ilustrados tem ajudado. Mas a minha relação com a BD está ferida de morte, porque não se fez no tempo. Tenho pena. Não passei pelo Asterix, nem pelo Tintim, ou pelos heróis da Marvel. Em compensação, tem algumas referências mínimas acerca de alguns autores actuais de BD portuguesa, alguns dos quais mais longe dos circuitos comerciais.

Serve este testemunho para afirmar uma das principais regras da mediação leitora: dar a ver, dar a ler. E para aqueles que, como eu, se sentem reféns da sua incapacidade, podem agora minorá-la visitando a exposição Tinta nos Nervos, no Museu Berardo, no CCB, Lisboa.

A mostra conta com os trabalhos de 41 autores portugueses contemporâneos (excepção feita a Raphael Bordalo Pinheiro), assim como livros e fanzines. Não é demasiado informativa, dando o texto lugar à efectiva leitura das pranchas. O comissário, Pedro Vieira Moura, alimenta o blogue Ler BD onde reflecte sobre Banda Desenhada. O texto de apresentação da exposição está lá.

Para apreciadores, conhecedores, desconhecedores, adultos, jovens, crianças. A solo ou em grupo, o que interessa é ir, ficar a conhecer, e desbravar terreno. Quando se tem a BD como alternativa a propor aos adolescentes que não gostam de ler, deve pensar-se que BD e que adolescentes. Aqui não há simplismos, há outros códigos. E os leitores não podem apreender uma BD escolarizada sem o mínimo de critério, sob pena de estarmos a condenar mais um género ao gueto da indiferença.

Terça-feira, Janeiro 11, 2011

do facebook ao ebook

Partilho um vídeo da Fundación Germán Sánchez Ruipérez sobre um estudo que vai levar a cabo sobre a leitura de ebooks. Descobri-o no wall da Maria Carlos Loureiro.

aprender a sublinhar

Ao visitar o blogue da Escola Secundária António Inácio da Cruz, em Grândola, deparei-me com uma ferramenta que indica como se deve sublinhar um texto: qual a sua função principal, os critérios de selecção, o que se pode acrescentar e o que não se deve fazer. Muito útil para os alunos aprenderem a estudar.

Segunda-feira, Janeiro 10, 2011

As Gémeas no top

As Gémeas voltam ao colégio, de Enid Blyton (Oficina do Livro), está no Top Infantil da Bulhosa desde 13 de Dezembro. Depois das festas, o sucesso continua. Ao que parece, o revivalismo tem cada vez mais adeptos, e foram muitas as raparigas que desejaram partilhar a camarata com aquele grupo de raparigas, incluindo eu. Digamos que a visão oferecida por Blyton está um pouco distante da rigidez e do suplício por que muitos passavam durante os anos de internato, muito comum no ensino britânico da época.

Para nós, todavia, o universo daquele colégio, tal como o do Colégio das Quatro Torres, significava mais liberdade do que clausura. A descoberta da amizade, o espírito de grupo, o risco, alguns dramas sociais e de crescimento alimentavam a nossa curiosidade e a empatia com as personagens. Talvez se justifique assim, ainda, o sucesso da colecção.

Domingo, Janeiro 09, 2011

Promoção da Leitura e da Escrita nos Estabelecimentos Prisionais

Será amanhã assinado um protocolo entre os Ministérios da Justiça e da Cultura para dar continuidade a projectos de promoção da leitura e da escrita que a DGLB tem vindo a desenvolver nestas instituições.

Mais informações no Portal da Justiça.

Sábado, Janeiro 08, 2011

Sempre Boas Novas da Orfeu Mini

Para este ano, a Orfeu Mini, chancela da Orfeu Negro, apresenta três livros inéditos e a reedição de Animalário Universal do Professor Revillod (Javier Sáez Castán & Miguel Murugarrén).

A primeira novidade será mais um álbum de Oliver Jeffers, que a editora tem vindo a dar a conhecer em Portugal. Perdido e Achado é uma história de conhecimento e amizade entre um menino e um pinguim, absolutamente enternecedora. Já aqui falámos da animação.


A segunda é a estreia da ilustradora Catarina Sobral (http://catarinasobral.com/). Greve será o primeiro livro de uma ilustradora portuguesa no catálogo da editora.
A terceira novidade confirmada confirma a aposta em livros de actividades. Caderno de Pintura para Aprender as Cores, de Pascal Estellon, vem, à imagem de Dias Felizes, dar a conhecer os bons livros de actividades, esteticamente estimulantes e cuidados.


Ficamos à espera, ansiosos.

Sexta-feira, Janeiro 07, 2011

up to date

Sobre a Comunidade de Leitores na Escola Secundária de Montemor-o-Novo: nenhuma das três meninas apareceu, mas a professora bibliotecária angariou três novos participantes, desta vez do 7º ano.

Deixámos por isso Para Maiores de Dezasseis em stand by e avançámos para Nem Tudo Começa Com Um Beijo (Jorge Araújo, Pedro Sousa Pereira, Oficina do Livro). Tell me, de Aidan Chambers, ajudou-me bastante na tarefa de improviso, ao moderar uma sessão que rapidamente se percebeu que seria a única, tentando criar um diálogo de interpretação em torno de um livro desconhecido.

Da previsão a partir do paratexto aos comentários sobre o 1º capítulo e parte do 2º, a conversa foi andando durante quase 90 minutos. Correu bem, mas infelizmente os alunos não poderão regressar porque têm sala de estudo às 4ªs feiras. Um dos grandes problemas em Montemor prende-se com o nível de ocupação dos adolescentes. Há no Município uma grande diversidade de oferta para crianças e adolescentes, desde o desporto a aulas de música, dois ranchos folclóricos, a Oficina da Criança, Oficina do Canto e o Espaço Jovem. Entre actividades gratuitas e pagas, a oferta é imensa e normalmente concentrada nas 4ªs feiras, quando a maioria dos adolescentes têm a tarde livre.

A acrescentar a este factor, há ainda um outro. Montemor é um concelho com grande componente rural. Os alunos que não vivem em Montemor têm de se cinjir aos horários dos transportes e muitos deles, no dia em que têm a tarde livre, ruma a casa para almoçar e já não volta.

Perante esta conjuntura, tiramos novo coelho da cartola: a professora bibliotecária propôs a uma professora que se transporte a comunidade para dentro da sala de aula. Já não temos muito tempo, mas poderemos ler alguns livros em sala e propôr outros. Será um segundo round, que é sempre melhor que deitar a toalha ao chão.

Quarta-feira, Janeiro 05, 2011

Dia de Reis na Assírio e Alvim

A mais valia das comunidades

Apostar em comunidades de leitores com adolescentes é um risco, toda a gente sabe. Porque o fazemos? Vale a pena o investimento num grupo muitas vezes ínfimo, em detrimento de ateliers com turmas inteiras?
A comunidade de leitores permite aprender a ler: discutindo sob orientações metódicas, o leitor descobre informações que lhe apareciam ocultas na primeira leitura individual e que entretanto contribuem para o esclarecimento de zonas cinzentas do texto. Esta aprendizagem, se realizada num período alargado, como acontece numa comunidade, treina a concentração para aspectos menos óbvios, construções narrativas menos lineares ou retóricas surpreendentes. Consequentemente, o adolescente ganha preparação para descodificar livros mais exigentes do ponto de vista literário (ou mesmo informativo, se for o caso), saltando de nível de leitura.
Se por um lado a promoção da leitura visa ganhar adeptos para a causa, não esquece o desenvolvimento da competência por parte de quem já lê. São tarefas complementares mas de idêntica importância.

Fazem-se apostas

Hoje regresso à Escola Secundária de Montemor-o-Novo para a segunda sessão da comunidade de leitores. Na 1ª estiveram presentes três meninas, das quais só uma requisitou o livro para ler nas férias. Algo me diz que hoje só ela vai aparecer, mas vamos aguardar...

Há tanto para discutir sobre Para Maiores de Dezasseis!

Quando do alfabeto se faz literatura

As Letras de Números Vestidas (Trampolim Edições) é um poema de estrutura paralelística que une as letras à sua posição númerica no alfabeto. A repetição formal dos primeiros versos de cada estrofe («O A é de Ana e Anabela/ meninas que vestem o 1,/ só porque rima com rum(...)// O B é de Bruno e Beatriz,/ meninos que vestem o 2,/ só porque rima com bois(...)») cria um ritmo constante e permite um jogo de antecipação à leitura através da rima.

João Pedro Mésseder é, provavelmente, a par de Manuel António Pina, uma das vozes poéticas com maior qualidade literária da actual literatura infantil. Neste caso, e apesar de serem a rima e o ritmo os elementos mais fortes do longo poema, o autor não se furta a outros jogos fónicos («O N é de Nídia e Noémia,/ meninas que vestem o 13,/ porque rima quase, quase/ com a palavra beleza.»). Em termos lexicais, o texto não evita igualmente integrar palavras menos conhecidas, como urze, ou metáforas, tão caras à poesia do autor.

A simplicidade não é inimiga do rigor nem da exigência. De tal forma que o poema se inícia com uma espécie de prólogo em que se anuncia o tema e se desafia o leitor a aceitar a associação entre as letras, os seus lugares no alfabeto e a ordem dos nomes de meninos, à imagem de uma pauta escolar organizada por ordem alfabética.

O final fecha o ciclo e recupera a voz do sujeito que regressa para se integrar no grupo de meninos descritos, assumindo assim a sua responsabilidade para com o leitor que desafiou no início.

Ainda uma palavra para as ilustrações de Marta Madureira, que não cedeu a facilitismos simplistas de representatividade das letras ou das crianças. Os padrões, a diversidade dos tipos e o recurso à colagem para introduzir outros elementos visuais que constam do texto não o infantilizam. O processo paralelístico prolonga-se na associação e repetição da composição das páginas, exigindo no entanto a concentração necessária à sua identificação. Não é fácil ilustrar um texto poético, mas é possível associar-lhe uma retórica visual. Foi o que aconteceu.

Uma última nota para a recepção: é claramente um livro para ser repetido, lido em voz alta, ouvido, intercalado com previsões, continuado. Mas não é uma ferramente didáctica para treinar, sedimentar ou introduzir o alfabeto. É uma obra literária, por favor!

Terça-feira, Janeiro 04, 2011

Os mais votados pelos leitores dos Libros del Zorro Rojo

A editora Catalã Libros del Zorro Rojo desafiou os leitores a votarem no livro preferido, do catálogo infantil e juvenil/ adulto, de entre os editados ao longo de 2010. O resultado já está no facebook.

Entre os cinco álbuns infantis mais votados está Malena Ballena com texto de Davide Cali e ilustração de Sonja Bougaeva, Tonino el Invisible de Gianni Rodari e Alessandro Sanna, , e o tangerina Coração de Mãe, nos primeiros três lugares.
No universo juvenil/adulto o destaque vai para Hansel y Gretel, ilustrado por Lorenzo Matotti, Rebelión en la Granja de George Orwell, ilustrado por Ralph Steadman, e La fábrica de vinagre, de Edward Gorey.
Aproveite-se a ocasião para visitar os dois catálogos na página da editora. Para ganharmos inspiração, para o novo ano... e deixarmos de lado a associação exclusiva entre ilustração e livros infantis.

Concurso de poesia, pela Andante

O concurso é virtual, está no blogue Conta-me um conto que nunca contasses a ninguém e as regras são simples: todas as semanas é postado um poema audio. Nos comentários ao post, os participantes devem indicar o autor do poema. O concurso dura todo o ano de 2011 e o vencedor será aquele que mais vezes acertar, em primeiro lugar, no nome do autor de cada poema. A iniciativa é da Associação Andante, e no blogue explicam-se as boas razões do concurso.

Segunda-feira, Janeiro 03, 2011

De regresso sem balanço

Já está. Passaram as Festas, entrámos no novo ano, o terribilis, soe dizer-se. O Bicho não fez balanços. Ainda tentámos, mas por qualquer razão chegámos à conclusão de que 2010 também não foi assim tão fértil, se exceptuarmos as boas edições na área infantil, responsabilidade dos suspeitos do costume. Os de algumas pequenas editoras estão de parabéns porque os seus livros ultrapassaram os escaparates das livrarias para integrarem lojas de design ou de museus. Alguns livros infantis são cada vez mais livros de arte de possível ou tendencial recepção infantil: saíram do gueto.
Foi ano de Ilustrarte, o que é sempre bom, e de Palavras Andarilhas, o que é melhor ainda. O Bibliomóvel de Proença-a-Nova está este ano nomeado para o Prémio ALMA e todos os elogios ao projecto, que pudemos finalmente acompanhar durante um dia, são poucos.
Inversamente, a literatura infantil portuguesa ficou mais pobre com a morte de Matilde Rosa Araújo. Ironicamente, o seu desaparecimento trouxe os livros de regresso ao contacto com o público e com a crítica, reavivando a memória dos que já não se lembravam da sua incontornável importância.
Foi também este ano que se anunciou a extinção da DGLB e a integração do organismo na Biblioteca Nacional Portuguesa, da qual se tinha desvinculado há cerca de uma década. Em causa está a política do livro e da leitura, no apoio à tradução, à ilustração, à representação de autores em Feiras Internacionais, à promoção da leitura em Bibliotecas, Hospitais e Estabelecimentos Prisionais.
Mas não esqueçamos que muito se pressentia já em 2009: os surpreendidos, ou são ingénuos ou incompetentes. A crise, como o sol, não chega de repente, mas ao contrário deste, não é para todos. Alguns são vítimas, outros são participantes, activos ou passivos.
Há uma diferença entre a crise e a narrativa da crise: uma diferença ética. Por isso, o Bicho não faz balanços. Revolta não significa retórica. É preciso encorajar as boas práticas.
Ao longo do ano, estivemos em Bibliotecas onde se continua a trabalhar, onde se aproveitam apoios e se optimizam recursos, onde o público continua a aderir. Também são os suspeitos do costume. As pequenas e boas editoras que editam bons livros infantis queixam-se do mercado, mas não estão à beira de fechar portas, bem pelo contrário, continuam a editar, a comprar e a vender direitos. Os ilustradores portugueses ganham prémios no estrangeiro e há autores que conseguem ver os seus direitos vendidos.
Pena é que a crise não funcione como uma espécie de selecção natural darwiniana, condenando à extinção os incompetentes e conformados. Trocávamo-los de bom grado pela permanência da DGLB.