Terça-feira, Dezembro 27, 2011

fechar 2011 com (um) pouco (de) swing

Abrir as hostilidades

Se o final de 2010 prometia um 2011 terrífico, ninguém se pode queixar de que a promessa não se cumpriu. Todos nos lembramos, ou pelo menos devíamos lembrar-nos, porquê. Blá, blá, blá… blá, blá, blá… whiskas, lá diz o anúncio. Adiante. Pela primeira vez, desde que existe a Carteira de Itinerâncias da DGLB, não foram atribuídas acções às Bibliotecas Públicas, a Carteira não foi sequer divulgada. Muitas Bibliotecas ficaram sem as poucas actividades que podiam oferecer à população, fora do âmbito daquelas que as suas equipas realizaram.
A famigerada palavra Crise serviu os interesses de sempre, com autarquias a justificarem assim os cortes na cultura, especialmente na programação das Bibliotecas e na aquisição de fundos. O PNL ficou ainda mais pobre, e assumidamente mais selectivo (o que, dependendo dos critérios de selecção, pode ser muito bom) e a RBE em risco. Da Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura percebemos (todos os que lá estivemos a assistir) que há um bom entendimento entre o seu comissário, Fernando Pinto do Amaral, e a responsável pela RBE, Teresa Calçada, o que nos dá algum alento, visto que é de um pensamento e de uma linha programática de que a promoção da leitura precisa e não de medidas avulsas. Os resultados dos primeiros cinco anos de PNL foram positivos: mais práticas de leitura na escola e em casa, acesso mais democrático ao livro.
Depois de um abaixo-assinado muito participado, a DGLB manteve a sua condição de Direcção Geral, mas será integrada na Torre do Tombo, o que é no mínimo inusitado do ponto de vista funcional, mas logo se verá. Houve promessas de apoio ao sector do livro e das bibliotecas, nomeadamente com o regresso da Carteira de Itinerâncias. Aguardamos com expectativa.
Pelas bandas das instituições não há grandes mudanças: o bom trabalho é contínuo e mal se vê aos olhos de quem procura grandes iniciativas e ideias geniais. Faz-se por quem anda no terreno, por quem recebe o seu público, por quem ouve e tenta dar voz às pessoas. Na batalha, talvez tenha tombado um ou outro, talvez se tenham juntado mais alguns e os restantes persistem, resistem. A leitura é uma missão de resistência, e quem resiste sobrevive às crises e às trocas de cadeiras que estão necessariamente condenadas a um esquecimento célere pela comunidade. Aqueles em quem confiamos, normalmente não nos esquecemos quem são.

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