Depois da V Conferência Internacional do PNL ter trazido uma lufada de ar fresco ao panorama sombrio da crise, eis que se sabe que a DGLB, o PNL e a RBE estão na lista dos organismos a extinguir ou a serem fundidos pelo governo.
Normalmente, estas decisões não auguram nada de bom, especialmente quando o refrão que ecoa é o do emagrecimento do Estado.
Soube-se entretanto que nenhuma das três entidades será extinta. O PNL e a RBE fundir-se-ão. Perdem a visibilidade que a autonomia lhes confere. O que se ganha? Eliminação de quadros intermédios, pelo menos na RBE, não me parece possível, porque não existem. A RBE funciona com uma equipa exclusiva mínima, sendo alimentada em grande parte por professores bibliotecários que acumulam funções. Talvez se optimizem recursos. Certo é que Teresa Calçada integra a Comissão do PNL e trabalha em parceria com o seu comissário Fernando Pinto do Amaral. Independentemente do que se possa cortar em termos de verba, se ambos se mantiverem em funções, o espírito e as orientações não sofrerão grandes alterações, o que são boas notícias (dentro do quadro negativo).
Em termos ideológicos, esta fusão poderá remeter o PNL para uma função meramente escolarizante, o que o seu comissário se tem esforçado por contrariar, dando repetidamente ênfase ao papel da Biblioteca Pública ao serviço dos diversos públicos que cada comunidade alberga. Ao declarar a intenção de se apostar na qualidade da leitura e na sua promoção junto de jovens e adultos, como grande objectivo no PNL neste segundo ciclo, Fernando Pinto do Amaral afasta-se cuidadosamente da escola, explicando que tudo o que o PNL tem vindo a fazer nesta área deve continuar (fundos para as Bibliotecas Escolares ou o projecto A Ler+, por exemplo). Com a fusão, o enfoque do Plano noutros públicos poderá ser posto em causa.
A interpretação inversa é também possível: fundindo-se o PNL e a RBE, o primeiro pode dedicar-se mais aos adultos e jovens e às Bibliotecas Públicas, já que a Rede de Bibliotecas Escolares assegurará a continuidade dos projectos de promoção junto do público escolar.
Vamos esperar para ver, desejando contudo que todos os envolvidos se empenhem na defesa da leitura e a defendam em voz muito alta.
Já a fusão da DGLB noutro organismo é bem mais preocupante porque a desprestigia, lhe retira poder e meios (a fusão é para poupar, certo?). O Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, desvaloriza e até anuncia o reforço de verbas para o sector do livro, como se lê no Jornal de Negócios. À partida, seria uma boa notícia. No entanto, ela chega-nos de alguém que não vê nada de mal em retirar um Ministério à Cultura e passá-la a Secretaria de Estado, e não se importa de não se sentar à mesa nos Conselhos de Ministros, não podendo assim reclamar verbas para a sua Secretaria. Por isso, até vermos o reforço e a nova política de fundo que vai finalmente projectar o livro em Portugal e no mundo, aguardamos com apreensão. Por falar em mundo, o Secretário de Estado que vai deixar fundir a DGLB podia começar a pensar em reforçar o orçamento desta futura pseudo-entidade (que agora não sabemos o que será) para que esteja presente na próxima edição da Feira do Livro Infantil de Bolonha, a mais importante do sector, onde não esteve no ano passado por falta de verba. Assim como assim, se calhar não calhava mal projectar autores e ilustradores, bem como o património infantil e juvenil que Portugal tem. Só para começar...

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