O Bicho fez seis anos. Este aniversário comemora-se sob o anátema da palavra C, como tudo o que se passa no país nos tempos que correm. É uma falta de originalidade. Os anos que ficam para trás estão registados, pelo que o balanço desta vez não se faz.
Ao apagarmos as seis velas pedimos três desejos (para não sermos nem excessivos, nem miserabilistas).
Desejo nº 1:Que o Estado não fique reduzido a edifícios vazios de projectos, pessoas e equipamentos, e se torne mais exigente com as suas próprias estruturas.
Até agora o nosso trabalho tem dependido quase exclusivamente da DGLB, das autarquias e das escolas. Sabemos que no presente e no futuro próximo estas estruturas estão e continuarão a estar privadas de verbas, ficando cada vez mais condicionadas a escolhas impossíveis, quando já não conseguem suprir as necessidades imediatas dos seus públicos. Como decidir entre ateliers para turmas, espectáculos de teatro, comunidades de leitores, formação para mediadores? Ou entre a formação para professores, a aquisição de livros para a biblioteca escolar ou a visita de um autor à escola? Manietar as instituições implica em grande medida acabar com a promoção da leitura, ou reduzi-la a momentos avulsos que em nada contribuem para a alteração consistente de hábitos que efectivamente levem a uma progressiva consciência leitora, com todos os seus benefícios sociais, culturais, cívicos e económicos. O Estado, mesmo que financeiramente fragilizado, tem obrigação de dar o exemplo do que é serviço público.
Porém, para que o exemplo funcione, as equipas das bibliotecas, escolas e outras instituições ligadas à leitura têm de estar motivadas e conscientes do papel que desempenham, e que vai muito para além da execução de tarefas. A formação adequada e continuada é uma das componentes essenciais para essa tomada de consciência e espera-se que acarrete, como consequência, a responsabilização dessas equipas pelo sucesso ou fracasso dos projectos que desenvolvem. Esse é um dos problemas crónicos do sector do Estado: muitas vezes não se opera qualquer distinção entre quem trabalha bem, interessando-se, esforçando-se, persistindo e quem é inoperante, indolente, ignorante. A diferença entre as boas e más equipas é evidente, mesmo para quem chega de fora, como é o nosso caso, e intui-se pela forma como organizam as acções, pelo interesse pelas temáticas e métodos utilizados, e pela presença durante as acções que recebem.
O trabalho de uma boa equipa beneficia o seu público pela atenção que lhe dispensa, criando e desenvolvendo uma relação de proximidade, cujo retorno de se verifica na participação do público nos projectos para que é convidado. Quer nas Bibliotecas Públicas quer nas Bibliotecas Escolares, muito do sucesso dos programas de promoção da leitura, bem como do número de utilizadores activos depende da receptividade por parte de quem está atrás do balcão. Quando os técnicos conhecem os perfis de leitor dos utilizadores, lhes recomendam livros ou os informam acerca das novidades, cumprem uma das funções principais da promoção da leitura, e esta relação só se estabelece porque há confiança entre quem aconselha e quem é aconselhado. Uma relação assim não implica acréscimo de verbas, campanhas de marketing ou utilização de mais recursos físicos ou humanos. Implica apenas motivação e conhecimento: quem está em contacto com o público deve ter tempo e formação para o poder ajudar, e acima de tudo deve gostar de livros sem acumular preconceitos e tiques de poder.
Mesmo com menos verbas, há muito trabalho que pode e deve continuar a ser feito, sem megalomanias. Basta que todos os que integram as instituições públicas tenham bem presente qual a sua missão: o serviço público.
Até agora o nosso trabalho tem dependido quase exclusivamente da DGLB, das autarquias e das escolas. Sabemos que no presente e no futuro próximo estas estruturas estão e continuarão a estar privadas de verbas, ficando cada vez mais condicionadas a escolhas impossíveis, quando já não conseguem suprir as necessidades imediatas dos seus públicos. Como decidir entre ateliers para turmas, espectáculos de teatro, comunidades de leitores, formação para mediadores? Ou entre a formação para professores, a aquisição de livros para a biblioteca escolar ou a visita de um autor à escola? Manietar as instituições implica em grande medida acabar com a promoção da leitura, ou reduzi-la a momentos avulsos que em nada contribuem para a alteração consistente de hábitos que efectivamente levem a uma progressiva consciência leitora, com todos os seus benefícios sociais, culturais, cívicos e económicos. O Estado, mesmo que financeiramente fragilizado, tem obrigação de dar o exemplo do que é serviço público.
Porém, para que o exemplo funcione, as equipas das bibliotecas, escolas e outras instituições ligadas à leitura têm de estar motivadas e conscientes do papel que desempenham, e que vai muito para além da execução de tarefas. A formação adequada e continuada é uma das componentes essenciais para essa tomada de consciência e espera-se que acarrete, como consequência, a responsabilização dessas equipas pelo sucesso ou fracasso dos projectos que desenvolvem. Esse é um dos problemas crónicos do sector do Estado: muitas vezes não se opera qualquer distinção entre quem trabalha bem, interessando-se, esforçando-se, persistindo e quem é inoperante, indolente, ignorante. A diferença entre as boas e más equipas é evidente, mesmo para quem chega de fora, como é o nosso caso, e intui-se pela forma como organizam as acções, pelo interesse pelas temáticas e métodos utilizados, e pela presença durante as acções que recebem.
O trabalho de uma boa equipa beneficia o seu público pela atenção que lhe dispensa, criando e desenvolvendo uma relação de proximidade, cujo retorno de se verifica na participação do público nos projectos para que é convidado. Quer nas Bibliotecas Públicas quer nas Bibliotecas Escolares, muito do sucesso dos programas de promoção da leitura, bem como do número de utilizadores activos depende da receptividade por parte de quem está atrás do balcão. Quando os técnicos conhecem os perfis de leitor dos utilizadores, lhes recomendam livros ou os informam acerca das novidades, cumprem uma das funções principais da promoção da leitura, e esta relação só se estabelece porque há confiança entre quem aconselha e quem é aconselhado. Uma relação assim não implica acréscimo de verbas, campanhas de marketing ou utilização de mais recursos físicos ou humanos. Implica apenas motivação e conhecimento: quem está em contacto com o público deve ter tempo e formação para o poder ajudar, e acima de tudo deve gostar de livros sem acumular preconceitos e tiques de poder.
Mesmo com menos verbas, há muito trabalho que pode e deve continuar a ser feito, sem megalomanias. Basta que todos os que integram as instituições públicas tenham bem presente qual a sua missão: o serviço público.

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