A nossa história com Perdido e Achado não é de agora. Conhecemo-nos através da animação, que vimos na Culturgest, nos idos de Janeiro de 2010 e de que demos conta aqui. Depois, em Junho, estivemos muito perto de comprar a edição inglesa, em Barcelona.
Por isso, a chegada da edição portuguesa é para nós semelhante ao desfecho desta narrativa. Ao jeito de Jeffers, o texto é parco em descrições ou parênteses diegéticos. Tudo se sucede numa lógica temporal e causal, de acordo com o juízo de um menino, de traços marcadamente expressivos, contudo minimalistas. Acompanhamos sempre a sua perspectiva, e nunca a do pinguim, que inexplicavelmente bate à porta da criança no início do álbum. E, de uma indução, o rapazinho parte escrupulosamente para a acção, tentando assim solucionar o que lhe parece um problema: porque está triste o pinguim?. Empreende uma dedicada jornada para resolver a situação, como um herói que é involuntariamente colocado no centro de uma aventura épica, sem para isso ter contribuido.
Também como acontece nos outros livros de Oliver Jeffers, é na elipse e na contenção narrativa (visual e textual), que reside o efeito emotivo. Tudo o que não é dito obriga a um envolvimento do leitor, a uma especulação, à criação de um contexto maior. Não que falte qualquer informação, mas há uma necessidade de adensar as personagens a partir do pouco que se vê. Para isso contribui decisivamente a ilustração, pela escolha das cores fortes e suaves, as formas curvas, o jogo de dimensões (no momento em que se aproximam do cargueiro ou quando navegam entre as ondas).
A catarse final, como em O Coração e a Garrafa, consegue ser simultaneamente expectável e ansiada. A confirmação final faz do livro um objecto de carinho. Agradecemos por isso à Orfeu Negro que o tenha editado.

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