Terça-feira, Novembro 30, 2010

Salão do Livro de Montreuil, em Paris

Nesta edição, que começa amanhã, Portugal estará oficialmente representado pela primeira vez pela equipa do Planeta Tangerina. O Salão do Livro e da Imprensa para a Juventude de Montreuil alberga exposições, conferências e ateliers com crianças e jovens. São muitas as editoras representadas, e não só as generalistas.

Os 'Tangerinas' continuam a representar a edição nacional, para além de se representarem a título individual, como autores.

A DGLB tem, claro, boas responsabilidades nesta divulgação. Basta ler a notícia no site e o agradecimento no blogue da editora. Mais um pequeno exemplo da sua inquestionável utilidade.

uma novidade por dia


Este é o primeiro de três livros que a Porto Editora lançou no início de Novembro. Do mesmo autor da colecção Gerónimo Stilton, desta feita o detective é um coelho e a fórmula de continuidade promete sucesso.

Segunda-feira, Novembro 29, 2010

conhecimento dos textos para além dos manuais escolares

Na mais recente edição da Malasartes, Maria Elisa Sousa assina um artigo sobre a fidedignidade dos textos literários nos manuais escolares (pp. 57-59).
Fica um excerto: «(...) decorre que as obras e os textos a que o professor acede não se ficam pelas que apresenta aos alunos. Para o trabalho sobre as obras, numa perspectiva de educação literária, para a formação de leitores, afigura-se imprescindível que o professor conheça as obras originais, as obras completas de onde foi retirado o excerto, que conheça diferentes traduções, diferentes versões da mesma obra (por exemplo, a versão Perrault de um conto tradicional, a versão popular desse mesmo conto recolhida por um etnógrafo e a adaptação/ recriação feita a partir dele por um autor contemporâneo), para poder comparar, para preparar actividades que estimulem a atenção, o gosto pelo rigor e a preocupação com os textos enquanto objectos com voz e identidade.»

Uma novidade por dia


ABC das Letras, Luisa Ducla Soares (texto), Sara Sousa (ilustrações), Civilização

Na linha retórica da autora, a observação, desta feita das letras do abecedário, pode ser surpreendente. Como sempre, a relação menos óbvia entre a realidade e o símbolo espanta e desafia o leitor ao longo da leitura.
As ilustrações, como acontece muitas vezes nos livros da escritora, não acompanham a sua acutilância e identidade.

Domingo, Novembro 28, 2010

De boas intenções...

A Porto Editora lançou recentemente o livro Contos Pouco Políticos, colectânea de narrativas escritas por políticos a pedido da organizadora. Pela compra de cada exemplar, que ultrapassa os €15, €1 reverte para a Unicef.

Estão reunidas as condições ideais para levar os pais à compra: a curiosidade em ler os textos dos políticos e a caridade natalícia. Pois bem...

E se alguém se lembrasse de pedir aos políticos pequenos tratados de botânica, contos fantásticos ou novelas históricas?

Esta ideia de que toda a gente escreve para crianças é ridícula, não contribui para a relação de qualidade das crianças com a literatura, nem para a afirmação da literatura infantil no cânone literário e num lugar de respeito no mercado.

Nesta colectânea há textos mais competentes, outros menos. Na sua maioria têm uma mensagem moral, e são excessivamente palavrosos, o que demonstra a ausência de técnica de escrita. Explicar tudo, descrever todos os cenários, revela medo de não ser percebido e afasta, obviamente, o texto de uma dimensão literária que implica uma retórica da inferência, da adjectivação, do humor, do sentido figurado. Há nesta colectânea uma regularidade temática e técnica que evidencia precisamente o contrário.

Um livro infantil não deve resultar de uma intenção exterior ao próprio livro. A solidariedade pode ser praticada de várias formas e quer os políticos em questão, quer a editora, teriam certamente outras formas de a praticar, sem comprometer os níveis de qualidade e o rigor estético que caracterizam a literatura de recepção infantil. Muitas vezes, é certo, textos de potencial recepção infantil não atingem esta condição, mas não deveria acontecer que figuras com responsabilidades públicas se envolvessem nesta perversão do mercado.

Sexta-feira, Novembro 26, 2010

Pequenos Inventores na Livraria Pó dos Livros

Antes de decidirem as prendas de Natal, os pais poderão experimentar amanhã, com os seus infantes, o potencial do álbum O Pequeno Inventor (Orfeu Negro). A oficina decorre entre as 11h30 e as 12h30, na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa, e nesta todos ouvirão a leitura da história e poderão construir um avião em cartão, com a ajuda de Susana Alves.


A delicadeza do álbum, associado ao tema da criação é intemporal e recupera, quer ao nível do desenho figurativo e de tons suaves, quer ao nível da linearidade e simplicidade narrativa, uma herança de que facilmente nos esquecemos quando observamos a maioria da edição infantil actual.

Homenagem a Matilde Rosa Araújo: responsabilidade social, outra vez

Foi ontem a sessão de homenagem a Matilde Rosa Araújo, organizada conjuntamente pelas Bibliotecas Municipais de Lisboa, pela Editorial Caminho e pela Calendário. O painel era de peso e prestígio: Ana Margarida Ramos e Leonor Riscado, ambas professoras universitárias na área da literatura infanto-juvenil (em Aveiro e Coimbra, respectivamente); Jorge Silva, designer e director de arte, com larga experiência na área editorial, e Maria de Jesus Barroso, que deu voz a alguns poemas do Livro da Tila.
A hora era pós-laboral e o local a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. O auditório tem uma capacidade para aproximadamente 130 pessoas. Talvez estivessem quarenta.
Onde estão os professores das Escolas Superiores de Educação da zona metropolitana de Lisboa?
(Há que referir que o lugar da literatura infantil nas Escolas Superiores de Educação é ínfimo, relegado para um semestre, o que diz muito acerca da sua desvalorização.)
Onde estão os alunos dessas Escolas que serão os educadores de infância e os professores do futuro? Mesmo que muitos não saibam porquê, todos conhecerão o nome de Matilde Rosa Araújo e todos se habituarão a reconhecê-la como uma das autoras incontornáveis da literatura infantil portuguesa.
Ontem teriam uma excelente oportunidade para perceberem porquê, o que é isso da intemporalidade e da história literária, o valor simbólico do texto e a sua relação com a ilustração: a melancolia dinâmica que perpassa por Maria Keil e Madalena Matoso e reflecte a dos próprios textos, líricos e combativos.
Mas como não foram, ficaram sem saber, ou sem poder recordar, ou reciclar, ou até homenagear. Este serviço público, que oferece uma aula sem propina, um encontro sem bilhete, um final de tarde para aprender e pensar, foi apenas parcialmente aproveitado.
A crise, que todos temem e a todos serve de paralisia, deveria levar-nos a zelar pelo serviço público, gratuito, dignificante, cívico e cultural.
Quando os agentes educativos são os primeiros a ignorar a sua dimensão, boicotam, pela ausência de exemplo, o sentido de responsabilidade daqueles que formam.
Que pena a crise atingir as pessoas que estiveram ontem nesta homenagem, que não merecem ter de arcar com as mesmas consequências que a grande massa indiferente e indiferenciada que despreza a sua responsabilidade social!

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

Para colorir os dias...


Se há livros que podem ser bandeiras, este é um deles: uma bandeira contra o simplismo, o didactismo por trás do qual se esconde a falta de qualidade de muitos livros de actividades. Os conceitos são imprescindíveis para que nos entendamos, para que identifiquemos referentes, mas existem em dinâmica e devir. Quer isto dizer que quando os conceitos passam a rótulos morrem. Infelizmente, por falta de espaço crítico, é o que se passa com a edição de livros de recepção infantil.
O que é um livro para colorir? De onde surge e para que serve? Pergunta errada e parcialmente tautológica: para colorir. No título, na capa ou na contracapa consta a suposta instrução que visa a interacção da criança com o desenho, normalmente apenas delineado com um risco seguro e suficientemente forte para não haver enganos. É então um livro de treino da motricidade fina em primeiro lugar: garantir que a cor não ultrapassa os limites da forma. Depois, claro, apura-se a violência ou suavidade do preenchimento e a escolha da paleta de cores.
Acompanhando a tarefa, assiste-se muitas vezes à dedicação e concentração do ‘pintor’, que pergunta ao adulto de que cor é determinado animal ou objecto, ou até dando a conhecer as suas preferências tonais. Pelas justificações depreendem-se associações aos mundos imaginários e vivenciais da criança que assim expande o universo das folhas que a estimulam.
Sumariamente, será esta a principal função dos livros para colorir. Há os maus, que ignoram o potencial imaginativo do livro, e os bons…

Aqui chegados, ainda não falámos de Dias Felizes, da Orfeu Negro. A primeira grande diferença entre este livro e os outros, de que falei acima, é a própria instrução que, tendo em conta a sua relevância, ocupa um lugar central na capa, logo abaixo do título: «um imaginário para colorir». Não é palpável o que precisa de cor, é simbólico e poético. Por isso, neste livro de capa mole e tamanho superior, há na contra-capa uma enunciação que desvia o livro dessa função instrutiva («No meu caderno,/ desenho todas as coisas/ de que gosto…») para um diálogo entre o menino, personagem do livro, e o leitor. A cada página, apenas as cores preta e azul preenchem as figuras, sem linhas de contorno. Por oposição, as formas por pintar estão apenas contornadas a carvão. “Todas as coisas de que gosto” são imensas, estão ligadas pela passagem do tempo e nascem associadas aos sons, ao que se vislumbra pela janela, aos cheiros, aos sabores e aos pequenos prazeres tácteis. É impossível não ler a afirmação do menino como um convite, um desafio de registo, e uma apropriação.
O acto de dar cor a estas coisas fazem-nas mais próximas de quem as pinta, trazem-nas para as nossas experiências vividas e imaginadas. Todos temos uma cozinha, mesmo que não tenhamos um gato e que ela não seja fresca. Todos recordamos o cheiro da roupa lavada. Todos identificamos o som do rádio, ao fundo, em casa alheia ou na nossa.
E a profusão de insectos que habitam jardins e quintais e em que não reparamos? Os peixes, o emaranhado dos ramos de uma planta ou de uma árvore, os bandos de pássaros migrantes, todos nos são acessíveis para lembrar ou procurar.
A cada um de nós, leitores, cabem as cores do nosso imaginário, e um caderno para registar “todas as coisas de que gosto”, que ficarão na memória e serão repetidamente activadas pelos sentidos.
Apesar de ser ‘apenas’ um livro para colorir, a escolha das frases que acompanham os objectos e animais desenhados é muito pertinente na sua sensibilidade. Desenha-se uma biografia, um diário, uma memória, e por isso a dimensão do estímulo sensorial (das guloseimas e da limonada ao relevo da folha) é a principal presença orientadora do registo.
A qualidade estética do álbum é assim inequívoca, desmontando os argumentos que confundem o valor dos livros com produtos utilitários. Arriscando ultrapassar a fronteira, será um álbum literário, na medida em que o pouco texto que acompanha a ilustração lhe dá razão de ser: um sentido poético que, ao texto, só a literatura confere.
Dias Felizes, Laurent Moreau, Orfeu Negro

Quarta-feira, Novembro 24, 2010

24 de Novembro de 2010: responsabilidade e solidariedade


(in Um Livro para Todos os Dias, Planeta Tangerina)

Terça-feira, Novembro 23, 2010

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2010


Instituído em 2006 com o objectivo de promover a literatura infantil e juvenil e de homenagear Maria Rosa Colaço, o Prémio foi este ano atribuído a O Relógio Real, da autoria de Palmira Martins da Silva Baptista, na categoria de literatura infantil, enquanto “O galo que nunca mais cantou e outras fábulas, de Ana Saldanha, foi o original premiado na categoria de literatura juvenil.

Em 2009 um dos premiados foi Afonso Cruz, com Os Livros que Devoraram o Meu Pai, entretanto publicado pela Caminho.

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

homenagem a Matilde Rosa araújo na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro

A propósito, a Caminho reeditou no início de Novembro O Livro da Tila que, para além de ser o primeiro livro de poesia para crianças da autora a receber a atenção do público e da crítica, é obrigatório no cânone da literatura infantil portuguesa.

Nesta reedição, as ilustrações ficaram à responsabilidade de Madalena Matoso.

Um livro à medida

O blogue Um Livro à Medida foi novamente actualizado por quatro turmas do 3º ciclo, desta vez em Montemor-o-Novo.
As suas sucintas opiniões sobre os livros disponíveis no blogue dão uma pequena ideia dos seus gostos e da força do paratexto.

Domingo, Novembro 21, 2010

Vencedores do Cinanima 2010 na culturgest



Logo mais à noite, pelas 21h30, poderão ver-se os filmes vencedores do Festival Cinanima 2010, que decorre anualmente em Espinho. Serão 10 filmes, que concorreram nas categorias de Curta Metragem, Média Metragem, Publicidade, Prémio do Público, Primeiro Filme e Filme de Escola/ Fim de Estudos.

A entrada é livre mediante a aquisição, na bilheteira, de uma senha 30 minutos antes da sessão.

Sexta-feira, Novembro 19, 2010

Malasartes 20

Está aí o nº 20 da revista Malasartes. Deixo um excerto do editorial de José António Gomes, que se encontra totalmente disponível para leitura no blogue A Inocência Recompensada.


«Contrariando a tendência de boa parte das revistas literárias e científicas – nomeadamente em Portugal –, a circunstância de Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude ter logrado, contra ventos e marés, atingir o seu vigésimo número, em onze anos, reveste-se de enorme significado. E resulta também de um esforço de paciência e persistência que deve incutir orgulho em todos os colaboradores da revista, portugueses e galegos. Mas muito há ainda a fazer: para sobreviver às intempéries da crise, Malasartes precisa urgentemente de maior divulgação e de crescer, em número de assinantes e leitores. Uma tarefa que deveria ser assumida por todos os interessados nesta área (bibliotecários e professores incluídos) e não apenas pelo núcleo de colaboradores mais próximos. Seria lamentável não conseguir manter vivo e actuante este projecto que corresponde ao desejo de muitos: o da única revista luso-galega, de perfil científico aberto, dedicada ao estudo, à crítica e à divulgação do livro para crianças e jovens


(O sublinhado é meu.)

Quarta-feira, Novembro 17, 2010

Setas e cabelos...


Já estão aí as novidades do Planeta Tangerina...

Pequenas Leituras regressam à Bulhosa de Campo de Ourique

"Tentaram ler no sofá, numa daquelas posições só possíveis de alcançar pelos osso de gelatina das crianças e adolescentes. Mandaram-vos sentar direitos. Tentaram ler debaixo da mesa, foram expulsos com a desculpa que era hora de jantar. Tentaram a sanita. Alguém precisou de lá ir. Tentaram atrás do sofá, mandaram-vos conviver com o resto da família. E quando tentaram ler debaixo dos lençois, foi o inferno: olha os olhos, tens de te levantar cedo amanhã, depois não há quem te ature, gastas pilhas!"

Mas não desistiram... Porquê? Que livros vos tornou dependentes da leitura?
Tragam-no na próxima sessão. Partilhem o "vicío".

(sim, pode ser para adolescentes e sim pode ser lamechas e pouco literário. É o que for).

As palavras são da livreira e moderadora Ana Rita Fernandes, e soam a repto quase irrecusável. É já amanhã.

Terça-feira, Novembro 16, 2010

Respondendo ao repto do editor José Oliveira

Uma das questões levantadas pelo editor infantil e juvenil da Caminho, na mesa redonda em que participou nos últimos Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, foi sobre o lugar dos romances e novelas realistas para jovens. Ao traçar o percurso editorial da Caminho desde 1976 na área juvenil, José Oliveira referiu momentos e autores determinantes na construção de um catálogo literário de qualidade, no qual destacou (como seria inevitável) Alice Vieira e Ana Saldanha. A primeira, responsável por romances juvenis "realistas e desempoeirados", de tal forma únicos que lhe valeram renome e prémios internacionais logo a partir de 1979. O editor conta que já aconteceu vender os direitos de tradução de livros da autora para editoras estrangeiras que lhe pedem depois outros romances de outros autores. E aí começa um grande vazio. Não há muitos autores de literatura juvenil em Portugal, e ainda menos aqueles que apostam na sobriedade do quotidiano social.
Ao contar como correu a aposta na colecção Caminho Jovem, José Oliveira descreveu uma situação paradoxal. A colecção apostava maioritariamente na tradução de novelas e romances juvenis de autores estrangeiros de qualidade reconhecida internacionalmente. Mas, inversamente ao que se passava em Espanha, por exemplo, em Portugal não havia, nos anos 80, uma formação literária juvenil e até de leitura para os mediadores, especialmente os professores. Em contrapartida, começava a ganhar muita força a relação entre autor e leitor, e os professores queriam levar autores portugueses às escolas e turmas que os liam ou iam ler. Finalmente, os canais de divulgação estavam mais fechados do que actualmente, já que apesar de não haver legitimação da crítica juvenil nos meios de comunicação, há blogues, sites e acesso directo à informação. Nos anos 80 não havia mercado para a literatura juvenil estrangeira em Portugal. A título de exemplo, a edição de Roald Dahl, autor canónico, foi um fiasco, ao contrário do que acontecia em Espanha, onde já era venerado.
Inversamente, o mercado de hoje traduz literatura juvenil massivamente, mais do que investe em autores portugueses. Ao nível das fórmulas, assistimos há vários anos a uma reprodução no juvenil daquilo a que temos vindo a assistir no mercado para adultos: fantasia, romance histórico, e ícones que se repetem, como os piratas, os vampiros, e ao que tudo indica, os anjos. Todas estas fórmulas são devoradas pelos adolescentes e jovens, alimentando ainda mais este ciclo pernicioso.
Ora, terá então deixado de haver lugar para a narrativa realista e desempoeirada que Alice Vieira 'inaugurou' no Portugal democrático?
Há, claro que há.
Ontem estive em Montemor-o-Novo, com o atelier Um Livro à Medida. Um dos livros presentes foi Para Maiores de Dezasseis, de Ana Saldanha. Ao lerem a contracapa as raparigas ficaram imediatamente interessadas: seria de sexualidade que falava o livro? Contei um pouco da narrativa, tecendo até alguns juízos de valor sobre a personagem feminina. Houve alunas que não queriam largar mais o livro, e que o começaram a ler em grupo, imediatamente.
Se ficariam frustrada com o estilo nada condescendente da autora? Se iriam perceber os encaixes narrativos essenciais para a construção das inconsistências das personagens? Não sei. Sei, todavia, que se a leitura pudesse ser contextualizada, discutida e acompanhada, elas iriam certamente perceber e gostar.
Os adolescentes adoram relatos verídicos, experiências de vida. Nem todos, como acontece com os adultos, têm suporte para compreender livros demasiado afastados do seu universo de leitura, cultural, de vida. Mas isso não é razão para deixarmos de apostar na literatura realista.
António Mota, numa partilha de experiências autorais com Álvaro Magalhães e o galego Francisco Castro (editor da Editorial Galaxia e autor), reiterava essa necessidade de falar de realidades, no caso a do interior rural, da velhice, do isolamento e da desertificação. Francisco Castro também sentira necessidade de escrever sobre a droga como assassina social do seu grupo de amigos. E a autobiografia ou a heterobiografia das realidades são, se literárias, imprescindíveis e quase irrecusáveis pelos adolescentes. Cabe aos canais de divulgação e aos mediadores ajudarem a contextualizá-las.

Domingo, Novembro 14, 2010

Estação do Livro no Seixal

Começa amanhã e dura até dia 26 de Novembro a 9ª edição da Estação do Livro, organizada desde 2002 pela Biblioteca Municipal do Seixal. O tema deste ano são as Representações e os ateliers, as exposições e as leituras encenadas ocorrem não apenas nos espaços da Biblioteca Municipal mas igualmente nas escolas do Concelho. O site da Biblioteca ainda não disponibiliza o programa deste ano, mas se procurarmos as edições anteriores podemos ficar com uma ideia da dinâmica da iniciativa.

Infocedi destaca Bibliotecas Escolares

O Boletim de Outubro do InfoCEDI (Boletim do Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança) dedica a sua atenção às Bibliotecas Escolares. Teses de Mestrado, artigos nacionais e internacionais reflectem sobre a Promoção da Leitura para o público do 1º, 2º e 3º ciclos, a interacção entre mediadores docentes e pais, a recepção da leitura por parte dos adolescentes, a criação de projectos e a gestão das próprias bibliotecas, nomeadamente ao nível da aquisição e organização do fundo documental.
Todos os artigos estão disponíveis online a partir do pdf do Boletim, aqui.

Quinta-feira, Novembro 11, 2010

Ensaio aberto às crianças no Teatro do Campo Alegre

Estreia no sábado, no Teatro do Campo Alegre, no Porto, uma adaptação do livro de valter hugo mãe A Verdadeira História dos Pássaros (QuidNovi, 2009).

Amanhã haverá um ensaio aberto à imprensa, mas com a presença das crianças a partir dos 6 anos, se estas quiserem assistir. O ensaio é às 15h, bastando ligar a confirmar (915399261). É uma oportunidade de dar a conhecer aos mais novos o ambiente de um ensaio e os meios de divulgação junto da comunicação social.

“VENTO & PÁSSAROS” (Estreia)
Leitura coreografada
Maiores de 6 anos
13 e 14 Novembro 2010 às 16H00 ( famílias)
15 e 16 Novembro 2010 às 10H30 e 15H00 (escolas).
Bilhetes: 4 euros (escolas), 5 euros (crianças), 7.50 euros (adultos).


Mais informações sobre outras iniciativas aqui.

Leitura e jovens

A propósito do início, amanhã, dos 16ºs Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, e porque o tema deste ano se dedica a reflectir sobre a Literatura Juvenil e a Promoção da Leitura com Jovens, vale a pena navegar pelo site El Placer de Leer. É um projecto de fomento da leitura junto dos jovens da zona de Sevilha e contou, no ano lectivo passado, com setenta clubes de leitores.
Como funcionam os clubes, como se escolhem os livros, como se formam os mediadores e como se acompanha o projecto... está tudo no site.
A responsabilidade é dos Piratas de Alejandria, que estiveram nas Palavras Andarilhas, em Beja, e deram um workshop sobre o assunto. Nós estivemos lá a beber a sua experiência.

Estereótipos

Ontem deparei-me com uma turma contrariada, com alunos muito mal educados, que se espojavam nas cadeiras e atiravam entre si almofadas da BE, enquanto respondiam entredentes em tons monocórdicos. Uma das suas razões era não contarem ficar na Biblioteca Escolar mais do que 45 minutos, duração do apoio, depois do qual iriam para casa.
Depois de uma dura chamada de atenção aos alunos por parte da Bibliotecária da Biblioteca Municipal, lá dei início às hostilidades, com a pergunta da praxe: Alguém gosta de ler? E não é que quase todos os alunos gostavam, mesmo os mal educados? Apesar de não levarem livros da BE nem de frequentarem a Biblioteca Municipal, liam e identificavam títulos, como o Diário de Ann Frank ou o Harry Potter. Não tiveram qualquer inibição nem desonestidade nas afirmações. Fiquei absolutamente espantada e fiz mea culpa. No fim da actividade, um dos alunos perguntou-me se a folha onde tinha registado os títulos apresentados era para ele. Quando lhe disse que sim respondeu-me prontamente: "Ainda bem! Assim posso ir comprar os livros!"
Há estereótipos que só desaparecem quando os vemos mortos à nossa frente.
E há esperança para a leitura...

Domingo, Novembro 07, 2010

biblioteca 2.0 nas VI Conferências do Cenáculo

Será no próximo dia 18 de Novembro que se realizarão, na Biblioteca Pública de Évora, as VI Conferências do Cenáculo, desta vez dedicadas ao conceito de Biblioteca 2.0 e suas valências. O programa e a ficha de inscrição pode ser descarregado no site da RBE e o site da BPE disponibiliza uma introdução ao tema. Há a destacar que a entrada é livre, de acordo com a inscrição, que é gratuita.

O valor da leitura por José Fanha

José Fanha, autor e promotor da leitura esteve na Ilha Terceira e voltou a enfatizar a importância incontornável da leitura.
Para ler aqui.

Sexta-feira, Novembro 05, 2010

Intertextualidades



Catatuas, Quentin Blake, Caminho
Cá em casa somos..., Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina

Contando o que se esconde e aparece...

Novembro na Biblioteca Municipal de Torres Vedras

A programação de Novembro promete: continua o móvel das histórias, desta vez com animais dentro das gavetas, a hora do conto e os sábados em família com Ao Sabor dos Sábados. Também se mantêm as visitas guiadas, segundo marcação; o autor do mês; as comemorações do bicentenário das Linhas de Torres; as 5ªs de Leitura.
A programação infantil oferece A Biblioteca Sensível e o workshop Como se constrói um livro? para turmas do 1º ciclo. Professores, atentai na oportunidade!
As datas, os contactos e as sinopses das actvidades estão disponíveis no site da Biblioteca.

Quinta-feira, Novembro 04, 2010

Percursos da Literatura Infantil e Juvenil

A colecção é da responsabilidade da Tropelias&Companhia, uma associação cultural do Porto que se dedica à promoção da leitura e à literatura de recepção infantil e juvenil.

José António Gomes, Ana Margarida Ramos e Sara Reis da Silva são os autores dos três primeiros títulos que abordam a obra de Eugénio de Andrade, o diálogo entre texto e ilustração e a análise literária.

«Para maiores de 12: tendências da literatura juvenil»

Será já nos próximos dias 12 e 13 de Novembro que regressam os Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil.
Este ano, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, discutir-se-ão as tendências da Literatura Juvenil em Portugal, na Galiza e em França. Para além de mesas-redondas haverá exposições, ateliers com escolas e workshops.
Este ano, não só irei assistir aos Encontros, como orientarei um dos workshops sobre Comunidades de Jovens Leitores.
O programa pode ser consultado aqui.