Sexta-feira, Setembro 24, 2010

Regresso silencioso das Palavras Andarilhas

Começo por dizer que este post é assumidamente pessoal, sem qualquer preocupação informativa ou reflexiva.

Regressámos das Palavras Andarilhas há quase uma semana e mantivemo-nos em silêncio. Muito trabalho, é certo, mas não só.
Há certas experiências difíceis de relatar, e esta foi uma delas. Estar em Beja quando esta se transforma na Cidade dos Contos é estar no centro de um mundo muito melhor do que este, onde a comunicação não é vã nem calculada, e as pessoas estão felizes por aprender. Não se pára de aprender e ser surpreendido.
As Palavras Andarilhas são a possibilidade de participar na realização de uma utopia.
Por isso, a experiência ultrapassa, para nós, o âmbito do contável, o que é um paradoxo... Mas um paradoxo muito feliz.

Quinta-feira, Setembro 16, 2010

Um dia na Leya

O Grupo Leya convidou autores, jornalistas e promotores de leitura para um dia de portas abertas no edifício de Alfragide. Para além da possibilidade de conversar com os que todos os dias participam no processo de construção desses objectos que nos maravilham, não em todos os casos é certo, foi também possível ver em primeira mão alguns dos livros que chegarão às livrarias nos próximos meses. Outra novidade foi o anúncio de que a Leya vai começa a disponibilizar livors em formato electrónico através da sua livraria virtual no site www.mediabooks.com. Nesta primeira fase, estarão disponíveis obras de autores portugueses, alargando-se a oferta a autores estrangeiros numa segunda fase. Mais um elemento para a discussão sobre o futuro do livro, numa altura em que o número de vendas de e-books assume uma percentagem significativa.
Mas voltando aos livros, e aos que por aqui mais interessam, aqui ficam algumas imagens e referências ao que podemos esperar:

Caminho:
Lulu, ou a Hora do Lobo, de João Pedro Mésseder e Daniel Silvestre da Silva
Sílvio, Domador de Caracóis, de Francisco Duarte Mangas e Madalena Moniz
A Caminho de Santiago, de Ana Saldanha

Caminho:
A Contradição Humana, de Afonso Cruz
Que Delícia, de Lucy Cousin

Caminho:
Posters com ilustrações de alguns dos livros que aí vêm

Novagaia:
O Dragão de Dedo Verde
O Elefante que Tinha Peso a Mais

Gailivro:
Era Uma Vez a República, de José Fanha e Alex Gozblau
Pinguim, de António Mota e Alberto Faria
A Melhor Condutora do Mundo

A Magia do Círculo Azul, José Jorge Letria e Alex Gozblau
Infante D. Henrique, o Navegador dos Sonhos, de José Jorge Letria e Afonso Cruz

Asa:
NewBorn, 10 Dias no Kosovo, de Ricardo Cabral

Quarta-feira, Setembro 15, 2010

Novas do Planeta Tangerina nas Andarilhas

Duas boas notícias:

A equipa do Planeta Tangerina estará por lá, com duas novidades fresquinhas e perspectivadas:
O Livro dos Quintais e Trocoscópio, ambos da colecção Histórias Paralelas, inaugurada com Duas Estradas.


Espreitem o blogue para saber tudo!

Festival Internacional de Literatura do Algarve

É a primeira edição do Festival, a cargo da Associação dos Amigos da Literatura e do Filme do Algarve (ALFA) e arranca amanhã. Conta com o apoio de diversas autarquias algarvias, do barlavento e sotavento e pretende juntar autores portugueses e estrangeiros em sessões de autógrafos, debates, palestras ou leituras de obras. Haverá igualmente cinema, concertos e recitais. Para ler aqui.

Terça-feira, Setembro 14, 2010

zombies à solta

A Zombie Walk Lisboa realizar-se-á, este ano, a 30 de Setembro, de modo a coincidir e homenagear o cineasta George Romero, que participará na 4ª edição do MOTELx, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.
A 1001 Noites, chancela da Gailivro, associa-se à iniciativa, oferecendo aos melhores trinta 'zombies' os títulos Guerra Mundial Z, Orgulho e Preconceito e Zombies e Floresta de Mãos e Dentes.

Segunda-feira, Setembro 13, 2010

Queria um igual por cá

A Cosac Naify traduziu, com uma revisão actualizada, o livro Crítica, teoria e literatura infantil, de Peter Hunt.
O autor, professor na Universidade de Cardiff e crítico literário, esteve presente em Portugal no 1º (e até agora único) Congresso Internacional de Promoção da Leitura da Casa da Leitura, em Janeiro de 2009.
Pena os seus livros não chegarem cá...
O blogue brasileiro Dobras de Leitura está a promover o sorteio de um exemplar. Basta deixar um comentário para concorrer.

Para onde olhamos quando andamos de metro

Subway Life, António Jorge Gonçalves, Assírio e Alvim

Não conheço o livro, mas estou certa de que alimentará a minha íntima curiosidade de imaginar a vida dos desconhecidos com quem me cruzo por instantes. A ideia da observação entre passageiros do metro, em várias cidades do mundo, é um desafio à nossa capacidade de atenção e análise do outro, à nossa relação com o efémero e com o próprio tempo.
Se se adapta a adolescentes e jovens não sei, mas essa não pode ser a obsessão de quem promove livros junto deste público. Mediar também é dar a ver. E observar, com atenção. Este livro faz, por isso, todo o sentido.

O filme foi 'roubado' ao blogue da Assírio e Alvim, editora do álbum.

Sexta-feira, Setembro 10, 2010

Planeta Tangerina no Maria Matos e em terras de sua majestade

O Teatro Maria Matos, por ocasião do seu aniversário, receberá no dia 24 de Outubro, pelas 16 Horas, dois dos membros da Planeta Tangerina. Isabel Minhós Martins escreveu um texto sobre a história do teatro e Bernardo Carvalho desenhará em tempo real a história. O espectáculo destina-se a um público acima dos 4 anos e a entrada é livre.


Entretanto, o "Quando eu Nasci", da dupla Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso conheceu uma edição em língua inglesa pela Tate Publishing. Motivos para sorrir para os lados do Planeta Tangerina e para todos os que gostamos do trabalho que ali se desenvolve.

Quarta-feira, Setembro 08, 2010

Corpo, identidade e desejo na Casa da Leitura

Nas Orientações Teóricas da Casa da Leitura está disponível uma comunicação de Teresa Mergulhão subordinada ao tema do corpo e a consequente formação da identidade, na literatura juvenil portuguesa. Livros de Maria Teresa Maia Gonzalez e Ana Saldanha são aqui analisados à luz do tema.
Para ler aqui.

32º Congresso Internacional de IBBY


Segunda-feira, Setembro 06, 2010

Nova Plataforma da Fundación Germán Sánchez Ruipérez

A mais prestigiada organização de Promoção da Leitura Espanhola criou uma nova Plataforma virtual que pretende aproximar todos os mediadores do livro, através de conselhos, relatos de experiências e conversas com autores e mediadores.
Este laboratório está disponível em castelhano - Lectura Lab - e inglês - Children's Literacy Lab -, destacando o papel das novas tecnologias nas bibliotecas e na promoção da leitura.

Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Rentrée da Orfeu Mini


«LEONARDO, O MONSTRO TERRÍVEL conta-nos a história de um monstro que, apesar dos seus maiores esforços, não consegue assustar ninguém. Decidido a pregar um susto de morte a alguém, Leonardo procura a vítima ideal: um menino tímido e assustadiço. E é então que encontra o candidato perfeito. Será que Leonardo vai conseguir arrepiá-lo até à ponta dos cabelos? Ou irá lembrar-se de algo ainda melhor?»

(Press Release)

Quinta-feira, Setembro 02, 2010

Um filão já antigo...

N'O Jardim Assombrado, a Carla Maia de Almeida já tinha mostrado o seu desagrado pelos filões que a literatura juvenil anda a explorar. Aos dois livros que refere, O Diário de um Banana (Jeff Kinney, Vogais e &) e Diário de uma Totó (Rachel Rennée Russell, a sair em Setembro pela Gailivro), juntam-se agora as novas apostas da Planeta: Diário de um Totó e Diário de uma Tansa.





Ora bem, o filão não é de hoje: o registo diarístico agrada muito a adolescentes, que procuram personagens que reflictam os seus comportamentos, ideias e dilemas existênciais, lhes apontem caminhos ou simplesmente caricaturizem outros adolescentes.


O que estes diários têm em comum, para além de serem supostamente divertidos, é o facto de elegerem para personagens principais os chamados anti-heróis ou heróis pícaros. De alguma forma, os tótos, tansos e bananas são todos os adolescentes comuns, dependendo dos olhos de quem os julga, dentro do grupo.

Convém aliás não esquecer que o grande herói pícaro da literatura diarística para adolescentes é Adrian Mole. Claro que a sua leitura é exigente, cheia de sentidos figurados e referências datadas. O estilo acutilante é tão auto-crítico que a colecção consegue manter os leitores que acompanharam a personagem ao longo do crescimento e agora, adultos, continuam a rir com a sua incontornável decadência social.

Não podemos comparar a qualidade literária de Adrian Mole com estes parentes afastados. Mas não considero que o Diário de um Banana seja um mero produto, já que encerra mais do que um nível de leitura na teia de humor, exagero e ironia que envolve as relações familiares e sociais do protagonista. Sobre os outros não opino porque não os li, ainda.

Mas, e não sei se a Carla Maia de Almeida concordará comigo, em todos os filões há espaço para boa literatura e livros de consumo. E se for boa literatura, a realidade estará, de alguma forma, lá representada. Afinal de contas, o mercado do livro para jovens funciona da mesma forma que o mercado do livro para adultos.