Sexta-feira, Abril 30, 2010

Os hábitos de leitura em Portugal em debate na Feira do Livro

A Feira do Livro já abriu. Estivemos lá ontem a sentir o frio que teimava em não nos deixar. Havia poucas pessoas, mas as primeiras impressões são boas.

Hoje, pelas 18.30 Horas, debatem-se "Os hábitos de leitura em Portugal". Estarão presentes Fernando Pinto do Amaral (Comissário do Plano Nacional de Leitura), Maria Cabral (DGLB) e a Andreia (aqui do Bicho), numa conversa que será moderada pela jornalista Maria João Costa.

Orfeu Negro - livros do Dia na Feira

A Orfeu Negro disponibiliza a lista dos Livros do Dia até dia 3 de Maio. Os descontos são muito apelativos:


29 Abril, QUI: O Livro Inclinado 8,40€
30 Abril, SEX: Espelho do Mundo – Uma Nova História da Arte 29,40€
1 Maio, SÁB: O Coração e a Garrafa 8,00€
2 Maio, DOM: Burros 8,90€
3 Maio, SEG: Animalário Universal do Professor Revillod 8,40€
No site da editora, constam todos os livros em destaque até ao final da Feira.

Quinta-feira, Abril 29, 2010

O estranho mundo de jack, pela Orfeu Mini

É hoje colocado no mercado o mais recente livro da Orfeu Mini. Depois de a Antígona ter editado A Melancólica Morte do Rapaz Ostra, chega agora outro título de Tim Burton, neste caso O Estranho Mundo de Jack, em tradução de Margarida Vale de Gato. O livro esteve na origem do filme com o mesmo título, um dos que constitui a filmografia do realizador que ainda há pouco tempo nos mostrou Alice no grande ecrã.

Está quase... (2)


Na caixa de comentários foi-nos deixada a informação de que a programação da Feira do Livro para os mais novos, da responsabilidade das Bibliotecas de Lisboa, está disponível no Facebook. Aqui fica o endereço, com o convite para uma visita: www.facebook.com/bibliotecasmunicipaisdelisboa

Hoje no Sobral de Monte Agraço


A Comunidade já vai na 5ª sessão. As leituras têm sido orientadas pelos pares. Os livros que fizeram sucesso junto de um ou mais elementos têm sido requisitados por outros. Hoje convidei-os a visitar o blogue Um Livro à Medida, para comentarem um livro à escolha. À medida que lhes ia mostrando as capas o grupo ia conversando. A Ana Maria resumiu aos colegas O Rapaz do Pijama às Riscas, por ter visto o filme. No final da sessão, um estreante veio perguntar-me se podia levar esse livro em detrimento dos que se encontravam na caixa. Obviamente, anuí. Comprova-se que as sugestões dos pares são catalizadores de leitura.

Quarta-feira, Abril 28, 2010

Está quase...


De amanhã, dia 29 de Abril, até 16 de Maio, o Parque Eduardo VII volta a acolher a Feira do Livro de Lisboa. Na sua 80.ª edição, a primeira pós-fusão entre a APEL e a UEP, a Feira terá horários alargados, uma happy hour das 22.30 às 23.30, durante a qual os livros terão descontos superiores a 50 %, auditorias ao funcionamento de cada editora no espaço da Feira e, à semelhança de anos anteriores, um programa de animação com apresentações de livros, debates, concertos, etc...
Para o público mais novo, o programa foi concebido em colaboração com as Bibliotecas de Lisboa.
Mas, no essencial e no que importa, a Feira continuará a ser o grande espaço onde os livros ocupam o lugar central. E, falando de livros, espera-se que a Feira continue a dar lugar aos mais antigos e que não procure repetir modelos que hoje apenas permitem que se comprem os mais recentes ou os mais vendáveis.
Para saber mais sobre a Feira, podem aceder ao site ou à página do Facebook.
E agora, vamos à Feira!

Terça-feira, Abril 27, 2010

A 1ª República lança-se daqui a pouco

A 1ª República é o período abordado no mais recente volume da colecção História de Portugal, de Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada e António Reis (Caminho). O lançamento será mais logo, às 18h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa.

Shel Silverstein no Diário de um Banana


No 3º volume de O Diário de um Banana (Jeff Kinney, Vogais & Cª.) que é um enormíssimo sucesso junto dos adolescentes, encontrei esta preciosidade...

Para além deste momento, uma referência indirecta à celebérrima imagem de Marilyn Monroe sobre um respiradouro revelam um humor inteligente que não se esconde em associações sempre primárias ou evidentes. O livro enaltece o sentido crítico dos adolescentes e põe em causa os preconceitos associados a este público. Especialmente porque se lê com agrado, em qualquer idade.

Segunda-feira, Abril 26, 2010

"Não Quero Usar Óculos" viaja até ao Brasil

Não Quero Usar Óculos, de Carla Maia de Almeida (texto) e André Letria (ilustração), vai ser publicado no Brasil. A edição será da Peirópolis, de São Paulo.
Da mesma autora, a Editorial Caminho tinha já publicado O Gato e a Rainha Só, ilustrado por Júlio Vanzeler, e o mais recente Ainda Falta Muito? com ilustrações de André Gozblau.

Domingo, Abril 25, 2010

25 de Abril. Sempre

Sexta-feira, Abril 23, 2010

5 anos de Bicho dos Livros

O Bicho dos Livros faz hoje cinco anos.

Não faremos um balanço, mas não podemos deixar de agradecer a todos os que nos lêem e têm acompanhado ao longo do tempo.
Para assinalar a data apresentamos duas novas propostas.

No cabeçalho constam agora três páginas autónomas com recensões a álbuns, livros ilustrados e livros de potencial recepção juvenil. Os textos estão disponíveis em pdf e as páginas serão actualizadas sempre que surja um novo texto.

A segunda proposta é um novo projecto destinado a adolescentes, aqueles com quem mais trabalhamos. Chama-se Um Livro à Medida e consiste num atelier e num blogue. A ideia é simples: pretende-se que qualquer adolescente visite o blogue e deixe o seu comentário acerca de um dos livros apresentados.
No blogue apenas constam os títulos e as capas dos livros, para não sujeitar os leitores a quaisquer informações. Pelo contrário, o blogue pretende ser uma plataforma de cruzamento de opiniões entre pares. Se os adolescentes o visitarem, de tempos a tempos, verificarão quais os livros mais populares e poderão até recolher opiniões que lhes despertem o interesse.

O atelier permitir-nos-á dinamizar o blogue junto de turmas e grupos de adolescentes, que tecerão os seus juízos durante as sessões. Fizemos já uma sessão experimental que resultou nos comentários apresentados.

Visitem-nos!

Quinta-feira, Abril 22, 2010

O Bom Exemplo da Biblioteca de Vila Real

«A Biblioteca de Vila Real, uma das mais antigas do país, aposta na inovação com o prolongamento do horário de funcionamento até às 23:00 para atrair mais utentes a este espaço onde o livro é visto como um "monumento". Com 170 anos de existência, a biblioteca Júlio Teixeira está instalada num edifício construído de raiz há apenas três anos e onde estão reunidos cerca de 62 mil livros, 10 mil dos quais estão guardados no Fundo Antigo. O director Vítor Nogueira disse hoje à Agência Lusa que o objectivo é atingir os 70 mil exemplares até ao final deste ano."Temos livros importantíssimos que nos chegaram dos antigos conventos de Vila Real, extintos em 1834, e que constituíram a primeira parte do acervo que deu origem, a partir de 1839, a esta que é uma das bibliotecas mais antigas do país", salientou. Uma parte importante do acervo foi legado pelos conventos de São Domingos e São Francisco, que fecharam as portas no século XIX mas, segundo o responsável, todos os livros com mais de 50 anos são remetidos para o Fundo Antigo. Aqui, uma equipa de técnicos procede à sua catalogação, higienização, preservação e manutenção.
Neste trabalho, os técnicos contam com a ajuda dos alunos de Vila Real através do atelier "A minha turma salva um livro", que se realiza regularmente há mais de um ano e que visa a sensibilização das crianças para a conservação do fundo bibliográfico em geral."Ao mesmo tempo queremos sensibilizar para a ideia de que o livro, mais do que um simples acumular de informação, pode ser também um monumento. Um livro é uma parte considerável do nosso património que urge preservar", sublinhou.
A biblioteca de Vila Real quer atrair cada vez mais e variados públicos, pelo que, segundo Vítor Nogueira, se apostou também na inovação. O horário de funcionamento foi prolongado para o período noturno, estando aberta ininterruptamente desde as 09.30 e as 23.00, de segunda a sexta feira, e ainda aos sábados durante a manhã e tarde. Os resultados são já visíveis. A média diária de visitantes subiu para os 300."Temos já tanta gente à noite como à tarde, que era o nosso período de maior afluência", salientou. O responsável considerou que é neste sentido que as bibliotecas vão ter que avançar cada vez mais. "Estar crescentemente à disposição dos utentes e dos utentes potenciais que as querem procurar", frisou.
Para além de ir às escolas e jardins de infância, a biblioteca itinerante possui ainda um circuito sénior que passar pelos lares de terceira idade e pelo estabelecimento prisional de Vila Real. As iniciativas para as crianças são muitas, desenvolvidas pelo serviço educativo, e esta semana a instituição deu as mãos ao teatro para uma encenação cénica sobre William Shakespeare que teve como objetivo assinalar o Dia Mundial do Livro. Com interpretação da Urze Teatro e texto de José Viale Moutinho, "A história de William. A possível infância de Shakespeare" quis despertar nas crianças do primeiro ciclo do ensino básico a curiosidade para os "clássicos" da literatura mundial.»
Fonte: Lusa

«Livros na Linha - Prenda do Dia Mundial do Livro»

Amanhã, para comemorar o Dia Mundial do Livro, a editora Saída de Emergência, com o apoio da CP e em parceria com as Bibliotecas de Cascais, vai distribuir livros gratuitamente em algumas estações de comboios e nas Bibliotecas de Cascais. Mais informações aqui e aqui.

Quarta-feira, Abril 21, 2010

«Um Livro Faz-me mais rico»



A iniciativa celebra o Dia Mundial do Livro no ano em que se comemora o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. A DGLB propõe que cada Biblioteca Municipal desafie os seus utilizadores a oferecerem um ou mais livros, que serão posteriormente distribuídos por instituições, associações ou grupos carenciados. Mais informações no site da DGLB.

Segunda-feira, Abril 19, 2010

Lugar roubado

Os lugares roubados na infância/ adolescência serão o tema da sessão de amanhã da Comunidade sobre Literatura Infantil e Juvenil, na Ericeira.

Os livros em discussão serão Escrito na Parede, de Ana Saldanha (Caminho) e O coração e a garrafa, de Oliver Jeffers (Orfeu Negro). A avaliar pelas sessões anteriores, as opiniões vão ser fortes...

Sexta-feira, Abril 16, 2010

Alice no novo país das maravilhas?


Via Ciberescritas

Quinta-feira, Abril 15, 2010

promover a escrita

A Young Writer é uma revista trimestral inglesa dirigida a adolescentes e também a crianças que gostem de escrever e de ler. Promove concursos de textos de diversos géneros e convida os leitores a partilharem leituras através de pequenas críticas aos livros de que gostem. Para isso, os editores da revista apelam aos professores bibliotecários das escolas, disponibilizando-se para oferecer às bibliotecas escolares os livros a recensear pelos alunos.

Quarta-feira, Abril 14, 2010

A Bruaá apresenta uma nova encomenda...

Está a chegar às livrarias um novo álbum da Bruaá. Mais uma vez, a editora traz para Portugal um álbum que rompeu com códigos estabelecidos, alcançando um discurso tão inovador que se tornou universal e amplamente reconhecido.

Last but not least: eis Lágrimas de crocodilo, de André François.

Segunda-feira, Abril 12, 2010

Alguns livros para todas as idades

Com este tema fechámos as sessões O Melhor Livro para o Meu Filho, destinadas a pais de crianças a partir dos 10 anos, na Malveira. São apenas algumas das sugestões apresentadas, e muitas mais haveria.



De destacar como principais eixos destas leituras são o conceito de crossover (leitura cruzada), em que livros dirigidos ao público juvenil foram muito bem acolhidos junto do público adulto e vice-versa; a transversalidade de alguns álbuns cujos níveis de leitura lhes conferem uma relação de proximidade com o leitor ao longo da sua vida; e a não-ficção que, para além de poder ser muitas vezes uma porta de (re) entrada para a leitura, ganha uma qualidade gráfica e discursiva a ter em conta.

Domingo, Abril 11, 2010

Meia hora para mudar a minha vida na Academia de Santo Amaro


Amanhã, pelas 18h30, Alice Vieira lança o seu mais recente livro, Meia Hora para Mudar a minha Vida, na Academia de Santo Amaro. O local terá inspirado a autora na escolha e abordagem ao tema: uma rapariga frágil com o sonho de ser actriz engravida e encontra apoio num teatro de bairro que será a sua família antes e depois de ter a sua filha. A par do drama familiar, caro a muitos livros de Alice Vieira, é a composição do quotidiano naquela casa-teatro o grande tema da narrativa.

Sábado, Abril 10, 2010

Conhecem o Book?

Sexta-feira, Abril 09, 2010

Avaliação do Programa Rede das Bibliotecas Escolares

Está disponível, desde 30 de Março, o Estudo de Avaliação do Programa Rede de Bibliotecas Escolares, na página da RBE.
O estudo exaustivo foi levado a cabo pela equipa do prof. António Firmino da Costa, no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - ISCTE, que vem colaborando igualmente com o PNL.
A publicação avalia quantitativa e qualitativamente a implementação do programa, que arrancou em 1996 e conta com 100% de cobertura ao nível do 2º e 3º ciclo e 90% ao nível do secundário. Os equipamentos, as equipas e a relação com o PNL são outros dos elementos avaliados.
No final, o estudo deixa uma questão para o futuro: a relação das Bibliotecas Escolares com as novas plataformas de aprendizagem e comunicação (as TIC), que implicará formação e adaptação de todos os envolvidos, não apenas dos professores bibliotecários e dos professores como também dos próprios alunos.

Crescem flores nos livros

Na Biblioteca Municipal de Vila do Bispo, «crescem flores nos livros»: entre 5 e 30 de Abril, a Biblioteca oferece uma flor a quem requisitar um livro. A tradição catalã, que está associada ao Dia de S. Jorge, 23 de Abril, (posteriormente convencionado pela UNESCO como Dia Mundial do Livro), foi recuperada por esta Biblioteca algarvia no âmbito das comemorações da data.

Migrando, pela Orfeu Mini

Migrando, de Mariana Chiesa Mateos, é a mais recente novidade da Orfeu Mini. O álbum estará nas livrarias a partir de 12 de Abril.


«Migrando tem duas capas, dois pontos de partida, mas é indiferente por onde se começa a viagem. Neste livro, aves e pessoas cruzam os céus. Fazem as malas, abrem as asas e lançam-se à aventura…

Dedicada aos que deixaram a sua terra para re-existirem noutro lugar, esta história sem palavras e de imagens poéticas, mostra como a palavra migrante pode ser sinónimo de sofrimento e fragilidade, mas também de coragem e futuro. Um livro habitado pelo oceano, que separa e une terras e destinos. Um livro de desenhos, no qual cada leitor re-inventa a própria história.

Mariana Chiesa Mateos nasceu na Argentina e vive actualmente em Itália. Dedica-se à pintura, gravura e ilustração. A infância, o desejo, a perda são temas recorrentes no trabalho desta artista, que tem participado em diversas mostras internacionais e colaborado com editoras como a Media Vaca, na qual publicou os títulos No hay Tiempo para Jugar (ilustrações seleccionadas pelo júri da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2003) e Mis Primeras 80.000 Palabras (obra colectiva).»

nota editorial da Orfeu Negro

Quarta-feira, Abril 07, 2010

Quem é Tom Sawyer?

O verdadeiro Tom Sawyer não é o menino de Andar por aí, mas sim o seu avô. E é nessa condição que conhece a felicidade da liberdade, controlando de modo invisível o neto que, apesar de tudo, está mais perto do 'rapaz mau' que os vizinhos cinzentos que têm quase medo de correr.
Foi o prelúdio da sessão de ontem da Comunidade.

iii prémio internacional compostela de álbum ilustrado

La Família C, de Pep Bruno (texto) e Mariona Cabassa (ilustração), foi a vencedora do III Prémio Internacional de Compostela de Álbum Ilustrado. A obra será editada pela Kalandraka, como aconteceu em anos anteriores. Os dois álbuns finalistas constam no blogue da editora, assim como a acta da reunião do juri.
Da dupla vencedora a OQO editou em Portugal o álbum Livro de Contar.

Terça-feira, Abril 06, 2010

Andar por aí com Tom Sawyer



Logo mais à tardinha, na Ericeira, vamos discutir que tipo de rapaz mau é Tom Sawyer e porque é ele um paradigma para a história social americana. Que lugar da infância e na infância pode ocupar um livro como este?

Para o diálogo, convidámos Andar por aí, um álbum da Planeta Tangerina(Isabel Martins e Madalena Matoso). Porque a reinvenção do imaginário a partir do real e a reinvenção do real a partir do imaginário parecem rarear, e fazem muita falta. Como este tipo de rapazes maus...

Segunda-feira, Abril 05, 2010

um bom livro nas palavras da gailivro

«Afinal o que é um bom livro infantil? Excelente pergunta. Será o livro com as melhores ilustrações, dirão os entendidos em matéria de desenho, afinal são as ilustrações que prendem a atenção dos leitores. Não é o livro com o melhor texto, dirão imediatamente os escritores, afinal é no texto que tudo começa e é por causa dele que a ilustração existe. Não é o livro que vende mais, dirão os vendedores de livros, como é o mais vendido é de certeza o melhor. Não digo eu o melhor é aquele que a criança gostar, e esse varia de criança para criança e de momento para momento, o melhor são todos desde que sejam lidos e adorados como merecem ser.»

Pedro Reisinho, Gailivro

Domingo, Abril 04, 2010

um bom livro nas palavras da assírio e alvim

«Os bons livros infantis e juvenis são aqueles que proporcionam prazer a quem os lê e que contribuem, ao mesmo tempo, para transmitir conhecimento e para enriquecer o imaginário. São os livros que deixam uma marca, e aos quais se retorna, muitas vezes, até já na idade adulta. Em resumo, são os livros que constroem o prazer da leitura.»

Assírio e Alvim

Sábado, Abril 03, 2010

um bom livro nas palavras das Eterogémeas

«FAZER LIVROS COMO QUEM OS LÊ

depoimento de Gémeo Luís e Eugénio Roda

Ilustrar ou escrever também é ler. Antes, durante, no fim. E no trabalho em parceria esta ideia acentua-se, porque desde logo vamos pensando alto, vamos ouvindo o que dizemos e lendo o que escrevemos ou vendo o que desenhamos de uma forma dinamizada pelo diálogo. Para nós, fazer um livro é como… fazer um livro para nós! Gostamos de livros capazes de nos convidar, entusiasmar, desafiar, agradar em termos estéticos. Seja pelo conteúdo, seja pelos jogos entre o texto e a imagem, seja pela forma, seja pela qualidade dos materiais e da impressão. Nenhuma destas dimensões resolve as demais, nenhuma destas qualidades é dispensável ou adiável.
Os nossos livros são produzidos a partir de ideias que vamos discutindo no dia-a-dia, como o fio da meada para um tecido que transcende em muito os próprios livros. Pensar nas coisas, mas como coisas do quotidiano, utopias que se tornam possíveis. Pensamos incondicionalmente um livro como um objecto de qualidade. Seja quando mexemos nele com os nossos filhos, seja quando o analisamos com os nossos alunos, seja quando falamos dele com professores ou com bibliotecários: pensar assim um livro, na sua sobrevivência (e super vivência) desde a nossa casa a qualquer país do mundo.

Fazemos livros para a infância de quem os lê. Adultos ou crianças. Interessam-nos livros que não estanquem numa determinada faixa etária. Agrada-nos até pensar que o primeiro e último destinatário dos livros possa ser um adulto: e que pelo meio se encontrem as crianças. Talvez o prazer de ler seja ainda mais urgente nos adultos, talvez estes precisem até mais de ler com prazer em vez de procurar satisfazer os mais novos como quem presta um serviço de mediação a frio. De uma forma ou de outra, pensar em literatura ou ilustração para a infância está muito para além de pensar em crianças.
Procuramos, por isso, que os nossos livros tenham a capacidade de surpreender um adulto, que sejam objecto de curiosidade, que ofereçam pontos de partida para outras histórias ou conversas, para aventuras entre grandes e pequenos em torno das palavras, das imagens. Interessa-nos manter o livro (em) aberto. Parece-nos importante oferecer livros nos quais os leitores que não procurem apenas o final da história. Na verdade até interessa que o leitor não saiba o final da história, que não resolva o problema, ou seja, que não mate o livro.
Um livro é um jogo. E um jogo não se faz só a pensar no resultado, nem se esgota na primeira vez que se joga. Tal como um jogo não é só um conjunto de regras ou um filme não é só o guião ou uma peça de teatro não é só a representação ou um espectáculo de dança não é só a coreografia, um livro também não é só um texto ou só um conjunto de imagens: é feito de traços, palavras, dimensões, composição, qualidade do papel, texturas, cores, qualidade de impressão… é esta matéria que faz do livro o que ele, de facto, é. É aqui que começa o alimento daquilo que ele irá sendo: através de diferentes lugares e momentos, através de mãos, olhos, vozes e ouvidos distintos cada vez que mexem, olham, ouvem, contam. Revemos filmes, voltamos a ouvir uma música, regressamos aos livros. É por alguma razão. E não será, com certeza, por uma só razão.
Numa metáfora, cada um dos nossos livros surge como uma espécie de álbum de viagem, realizada por duas pessoas (escritor e ilustrador, que escolheram o destino, o modo de viajar, etc) e que, através de vias diferentes, descrevem, comentam, complementam, desafiam-se mutuamente, dialogando. Pensemos num desses momentos em que se reúne os amigos para lhe contar e mostrar as fotografias de uma viagem real, convidando-os a vislumbrar a viagem através das nossas palavras, através das nossas imagens. Se por vezes um fala mais e o outro fala menos, se a voz de um abafa os gestos do outro durante uns momentos, se uma palavra interrompe uma imagem... no conjunto, o que importa é conseguir envolver o ouvinte, levá-lo a viver a viagem como se a tivesse feito, alimentar o desejo de viajar, a expectativa de novos episódios da viagem.

Assim, nos livros, partimos ora do texto para a ilustração, ora da ilustração para o texto. Se uma mancha se quer estender, propõe a uma frase que se encolha ou vice-versa. Por vezes aglomera-se o texto ou suspende-se a imagem, por vezes a ilustração estende-se numa sequência exclusivamente visual. Reduz-se um, amplia-se o outro, fazendo das palavras e dos papéis recortados matérias equivalentes. Num diálogo sempre tenso (entre dor e prazer) mas sem qualquer subjugação do texto à imagem ou vice-versa, sem qualquer constrangimento do que cada uma das partes pode ou quer dizer de fundamental. Pelo contrário, é um jogo de rentabilização de ambas, na coesão do livro.
Se os nossos livros conseguem ser um espelho feito da superfície desta mesa de trabalho, então parece-nos ter sobrevivido o que de essencial queremos proporcionar com eles.
Como qualquer viajante que mostra com entusiasmo os lugares por onde passou, como viu o que viu… Esperamos conseguir manter naqueles com quem partilhamos um dos nossos álbuns a curiosidade de saber como foram as viagens anteriores, o entusiasmo de querer saber como vai ser a próxima. Que as viagens que fazemos continuem a ser acompanhadas pelos nossos leitores, que os nossos livros continuem a fazer parte da bagagem das suas viagens, como forma de ler o (seu) mundo em diálogo com o nosso.»

Este testemunho foi originalmente redigido para a Casa da Leitura, depoimentos Ibero-brasileiros no contexto do Congresso Internacional de Promoção da Leitura Formar Leitores para Ler o Mundo. Fundação Calouste Gulbenkian, 22 e 23 de Janeiro de 2009.

Gémeo Luís, Eugénio Roda, Edições Eterogémeas

Sexta-feira, Abril 02, 2010

Um bom livro nas palavras do Planeta Tangerina

«Um bom livro (infantil ou qualquer outro) deve ser redondo.E redondo em todos os sentidos (se é possível não se ser redondo em todos os sentidos).Os elementos que o fazem livro — texto, ilustrações, design gráfico, papel, capas, etc — devem ser bons por si só. Mas, o mais importante mesmo, é que existam e trabalhem em função do livro. Ou seja que trabalhem em sinergia (palavra muito em voga) pelo resultado final. Se todos os elementos estiverem em harmonia, estamos perante um livro redondo, um bom livro. Depois, deve ser redondo de uma outra forma, menos exterior e mais ligada ao conteúdo: num bom livro, sentimos que o autor nos fez caminhar numa direcção, descrever uma curva, continuar a andar (nesta fase já em pulgas pelo final... ou emocionados ou espantados ou à espera de uma qualquer revelação) e depois seguir, sempre em curva até à última página. Quando o fechamos, demos um volta completa e, podem pensar os mais rigorosos (ou os menos imaginativos) que voltámos ao ponto de partida, mas mudámos sempre. A volta ao círculo acrescentou-nos qualquer coisa. E isso, essa volta redonda que nos acrescenta, não é qualquer livro que é capaz de a fazer.»

Isabel Minhós Martins, Planeta Tangerina

O que é um bom livro infantil/ juvenil?

Demos a palavra a quem faz livros, a quem os escolhe, a quem os produz: os editores. Pedimos-lhes que nos respondessem com um testemunho ou uma opinião à questão 'O que é um bom livro infantil/ juvenil?'. Agradecemos aos que responderam e aguardamos as respostas dos que nos avisaram de que agora não tinham disponibilidade. Quanto aos outros... temos pena.

Dia Internacional do Livro Infantil ii


Um livro espera-te. Procura-o

Era uma vez
um barquinho pequenino,
que não sabia,
não podia
navegar.

Passaram uma, duas, três,
quatro, cinco, seis semanas,
e aquele barquinho,
aquele barquinho
navegou.

Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.
Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.
Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».
Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas…, tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.
Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.
É por isso que… não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.
ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes
Eliacer Cansino Macías (Sevilha, 1954) é professor de Filosofia numa escola de Sevilha, desde 1980, e autor de romances para jovens e adultos. Em 1997, recebeu o Prémio Lazarillo por O Mistério Velázquez, recriação da vida do anão Nicolasillo Pertusato e da sua relação com Velázquez. Em 1992, foi-lhe outorgado o Prémio Internacional Infanta Elena pelo livro Eu, Robinsón Sánchez, tendo naufragado, obra que foi também finalista do Prémio Nacional de Literatura Infantil, de Espanha. Em 2009, recebeu o Prémio Anaya de Literatura Infantil e Juvenil por Um Quarto em Babel. O lápis que encontrou o seu nome (2005). Tem muitos outros títulos editados.

A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil),
Secção Portuguesa do IBBY.

Dia Internacional do Livro Infantil


O Cartaz é da Madalena Matoso.

Quinta-feira, Abril 01, 2010

Há sempre um livro para um leitor

Foi uma das mensagens que reforcei na pequena acção com professores, que orientei na Biblioteca do Centro de Recursos José Fanha, na EB 2,3 da Venda do Pinheiro, hoje pela manhã.

Mal sabia que o comprovaria à tarde. A grande surpresa chegou quando o Miguel, que começou a frequentar a Comunidade do Sobral no ano passado, sem nunca ter terminado um livro, afirmou ter lido completamente os volumes 3 e 4 das Crónicas de Spiderwick. Sem nenhuma explicação extraordinária, justificou a leitura com a história, que o interessou.

É uma questão de combinar o livro certo com a pessoa certa no momento certo. Parece fácil, mas não é. Quando acontece, ficamos com um imenso sorriso nos lábios.