Quarta-feira, Março 31, 2010

a magia do facebook

Descobri que todos os presentes na sessão de hoje da comunidade de jovens leitores, na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço, têm conta no facebook. Para quê? Essencialmente para poderem jogar o célebre FarmVille. Já me vi mais longe de ceder à tentação...

regresso da colecção Arrepios

A Porto Editora vai editar a nova séria da famosa colecção «Arrepios», de R. L. Stine. Os primeiros seis títulos, bastante sugestivos, estarão nas livrarias a partir de 8 de Abril.

Desta vez, o terror espalha-se na 'TerrorLândia', «um enorme parque temático que o autor descreve como o local mais assustador do mundo. Em cada livro, uma criança é atraída ao parque e aí reencontra vilões e heróis dos livros da colecção anterior, que lhes proporcionam aventuras de arrepiar.»
(da nota de imprensa da Porto Editora)

Terça-feira, Março 30, 2010

Caminhos de leitura em pombal

Já há programa para a edição de 2010 dos Caminhos de Leitura, o encontro anual de literatura infanto-juvenil que a Biblioteca Municipal de Pombal realiza desde 2003. Será a 7 e 8 de Maio e conta com sessões para o público em geral, acções de promoção da leitura para as escolas, e formações. O programa pode ser consultado no blogue Caminhos de Leitura ou no site da Biblioteca Municipal.

Segunda-feira, Março 29, 2010

Leitura Obrigatória

A leitura de obras obrigatórias no ensino é uma questão complexa e polémica. No passado sábado, na Malveira, discutimos a relevância e (i)legibilidade de Os Lusíadas, que representa um paradigma na argumentação em torno desta questão. Por um lado, é seguro que as obras obrigatórias são muitas vezes mal acolhidas pelos alunos, que se desinteressam antes sequer de as lerem, pelo seu carácter de imposição. É também certo que sem elas, muitos adolescentes nunca teriam contacto com o património e qualidade literária do seu país (e não só), que lhes permitiria um maior sentido crítico relativamente às suas opções de leitura e análise.
No âmbito desta reflexão, um artigo do brasileiro Lauro Neto, que se encontra disponível no Blog do Galeno, confronta opiniões de alunos e professores, assim como algumas listas de obras obrigatórias em colégios no Rio de Janeiro.

Em atraso: Dia Mundial do Teatro

História do Sábio Fechado na sua Biblioteca, Manuel António Pina, Assírio e Alvim
Teatro às Três Pancadas, António Torrado, Caminho

Duas propostas de dois dos mais reconhecidos autores portugueses. Para continuar a comemorar o Dia Mundial do Teatro ao longo do ano.

Sábado, Março 27, 2010

O Anibaleitor

Rita Pimenta confessa que foi bom ter confiado que O Anibaleitor, de Rui Zink (Teorema), valia a pena. Nós confiamos em Rita Pimenta e esperamos conseguir lê-lo em breve.

Sexta-feira, Março 26, 2010

Alice em 1903



O filme é mudo e está em muito mau estado de conservação. Os oito minutos apresentados são a totalidade do filme, que é completamente fiel às Aventuras de Alice no País das Maravilhas, apesar de muito sintético.

Alice in Wonderland de Tim Burton

A adaptação realizada por Tim Burton, de Alice no País das Maravilhas e Alice do outro lado do Espelho, fica aquém das expectativas. Apesar da paleta de cores e do cenário distópico que lhe é facilmente associado, apesar das interpretações de Johnny Depp e de Helena Bonham Carter, apesar disso Alice transforma-se numa rapariga previsível, cujo inconformismo acaba por estar contido numa moral muito pouco transgressora. O argumento fica a meio caminho entre a contextualização histórica e o papel da mulher na época vitoriana e uma mulher intemporal que oscila entre a liberdade onírica da infância e a responsabilidade da vida adulta. Contudo, os episódios não estão agora encadeados por um passeio aleatório, e sim por uma lógica causal de missão. Pior que tudo é o regresso de Alice do País das Maravilhas e o desfecho happy ending bastante apressado e por isso forçado. Ao contrário da obra de Lewis Carroll, esta Alice não deixa nada em aberto, não surpreende o espectador, nem tão pouco promove a dúvida sobre a realidade, o crescimento, a lucidez. O jogo de opostos sobrepõe-se às constantes suspensões narrativas e a acção apaga as referências poéticas dos livros. Salva-se o histrionismo de Burton, que faz do País das Maravilhas um universo visual ambíguo de perigos e figuras, recuperando na cenografia a ligação que o argumento perdeu.

Quinta-feira, Março 25, 2010

à roda com Alice

Na reunião de 3ª feira da Comunidade de Leitores Os Lugares da Infância, discutimos o lugar de Alice no País das Maravilhas. Constatámos os efeitos que a animação teve em todos os que conheceram Alice através dos filmes e séries animadas: o destaque dado a pormenores das personagens e a alguns episódios (como o das rosas brancas a serem pintadas de vermelho) tornaram 'Alice' numa narrativa mais superficial.
Por isso a construção original das personagens, inclusivamente da própria Alice, os níveis de leitura e as referências subtis ou evidentes (como as lengalengas ou nursery rhimes) provocaram estranhamento nos leitores.
No entanto, ao longo da conversa, as associações foram surgindo: os relógios de Dali, o Homem Invisível, Freud, Matrix e até a série Os Perdidos. O estranhamento converteu-se então em sinónimo de vanguardismo e qualidade literária. A experiência de leitura não se alterou, mas estabeleceu-se uma diferença entre a nossa opinião individual de leitores e a qualidade de uma obra, logo, a importância de a lermos.

Quarta-feira, Março 24, 2010

The Astrid Lindgren Memorial Award 2010

E a vencedora é a ilustradora Kitty Crowther. O anúncio foi feito na Suécia e transmitido em directo na Feira de Bolonha, que decorre até à próxima sexta-feira.
Na página do Astrid Lindgren Memorial Award podem encontrar a biografia e a bibliografia da autora.

Por cá, podem encontrar-se alguns livros da autora:
Uma Nuvem na Barriga, ed. Figueirinhas

David Almond e Jutta Bauer vencem Prémio Hans Christian Andersen

Foram anunciados ontem, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, os vencedores da edição de 2010 do Prémio Hans Christian Andersen: o inglês David Almond (na categoria de texto) e a alemã Jutta Bauer (na categoria de ilustração).

As justificações do jurí estão disponíveis na página do IBBY.
Em Portugal, David Almond está editado pela Presença, na colecção Estrela do Mar. O meu pai é um homem-pássaro e O Segredo do Senhor Ninguém são dois dos títulos disponíveis.
Jutta Bauer tem dois álbuns na Gatafunho e um na Cobra Laranja (A Rainha das Cores).

O Prémio IBBY-Asahi de Promoção da Leitura foi atribuído à Osu Children´s Library Fund, no Gana e ao Convenio de Cooperacíon al Plan de Lectura, em Medellín, na Colombia. As razões e os restantes dez projectos nomeados também constam do press realese na página do IBBY.

Terça-feira, Março 23, 2010

Logorama

Logorama, curta-metragem de animação vencedora do Oscar 2010 nesta categoria

Feira de Bolonha começa hoje

A Feira do Livro Infantil de Bolonha abre as suas portas logo pela manhã.

Pelas 14.30 anunciam-se os vencedores do Prémio Hans Christian Andersen 2010 e do Prémio IBBY-Asahi de Promoção da Leitura 2010.
O programa completo pode ser consultado aqui.

Segunda-feira, Março 22, 2010

We're going on a bear hunt

Deixem-se ir com o Michael Rosen e verão que vale a pena:


Por cá, a edição é da Caminho:



Vamos à Caça do Urso,
de Helen Oxenbury e Michael Rosen


Domingo, Março 21, 2010

Dia Mundial da Poesia


Teresa Martinho Marques, Das Palavras, Edições Eterogémeas.

A apresentação da obra, no site da editora, faz juz ao dia de hoje.

Sexta-feira, Março 19, 2010

Dia do Pai

video


Gonçalo Pratas, Inês Pupo e ilustrações de Cristina Sampaio
Canta o Galo Gordo, Ed. Caminho

Quinta-feira, Março 18, 2010

Contos do Caminho arranca em Beja

O projecto Contos do Caminho visa envolver as crianças com a literatura e cultura tradicional, tendo como pretexto e contexto o Caminho de Santiago. Lançado em Óbidos, no final de Janeiro, o projecto é internacional, contando com a participação de Portugal, Espanha e França. A súmula do projecto está disponível no site do Plano Nacional de Leitura.
Hoje foi a vez da Biblioteca Municipal de Beja lançar, no âmbito dos Contos do Caminho, um conjunto de ateliers de ilustração que estimularão as crianças das escolas para a componente visual e oral dos álbuns de contos tradicionais. Cristina Taquelim explica aqui a essência de todo o projecto.

Para maiores de dezasseis em Bolonha

O livro juvenil de Ana Saldanha, Para maiores de dezasseis (Caminho), foi seleccionado para a Exposição The White Ravens 2010, organizada pela Biblioteca Internacional da Juventude. A exposição contará, como acontece todos os anos, com um stand próprio na Feira de Bolonha e um catálogo em inglês com informações sobre os livros escolhidos e respectivos autores. Serão 50 títulos em 30 línguas diferentes os expostos nesta edição.


A escolha de Para maiores de dezasseis reitera a sua relevância literária no panorama da literatura juvenil como literatura 'crossover' num sentido mais amplo, não apenas de recepção, mas igualmente de intertextualidade.

Quarta-feira, Março 17, 2010

Bibliomóvel na SIC

Simples, eficaz e muito necessário... O bom trabalho de Nuno Marçal continua, cada vez menos invisível. Ainda bem!

Terça-feira, Março 16, 2010

árvores em livro

A árvore generosa, Shel Silverstein, Bruaá

A árvore, Sophia de Mello Breyner Andersen, Figueirinhas


Beatriz e o Plátano, Ilse Losa, Asa


A Árvore que dava olhos, João Paulo Cotrim, Maria Keil, Calendário
As estações, Iela Mari, Kalandraka
(com o título A Árvore na edição da Sá da Costa)

A árvore das folhas A-4, Carles Cano, Carlos Ortin, Kalandraka

Um mural de leitura



Uma ideia tão simples...

Segunda-feira, Março 15, 2010

contopúblico

O Jornal Público lançou um desafio aos seus leitores: Gonçalo M. Tavares escreveu o início de uma narrativa que deverá ser continuada. No site do Jornal já se podem ler alguns contributos.
A Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas António Correia Oliveira aceitou o repto e devolveu-os aos alunos.

livros politicamente incorrectos?

No sábado discutimos o tema na Biblioteca Municipal da Malveira. Chegámos à conclusão de que os livros são correctos ou incorrectos segundo a nossa perspectiva de adultos e não necessariamente segundo os seus leitores. Quando temos critérios como a qualidade literária, a escolha lexical, a abordagem pedagógica, temas tabu, ou a especulação sobre os efeitos que personagens e situações moralmente divergentes ou condenáveis podem ter sobre os adolescentes, é certo que somos nós quem considera determinados livros polémicos. Certamente, os adolescentes terão a sua própria censura, que eventualmente se revelaria surpreendente aos nossos olhos, caso nos detivéssemos sobre ela.

Sugerimos livros que podem, aos olhos de alguns adultos, ser considerados politicamente incorrectos. Isso não significa que o sejam aos olhos de todos, como aliás ficou comprovado durante a sessão. Do mesmo modo, a sua condição menos consensual não determina a sua eliminação da estante dos mais novos.
São apenas exemplos, haverá muitos outros.

Sexta-feira, Março 12, 2010

serão de contos com cristina taquelim e luís carmelo

Amanhã, pelas 21h30, a Biblioteca Municipal de Oeiras recebe Cristina Taquelim e Luís Carmelo para mais um serão de contos, no âmbito do projecto Histórias de Ida e Volta.

Para começar bem o fim-de-semana...

Prémio nacional de ilustração 2010

As candidaturas para o Prémio Nacional de Ilustração 2010 estão quase a fechar. É já no dia 24 de Março que termina o prazo de entrega de propostas. As ilustrações a concurso devem, à imagem do que aconteceu nos anos anteriores, constar de um livro editado no ano anterior ao concurso, neste caso 2009, e podem ser enviadas quer pelas editoras, quer pelos próprios ilustradores. O regulamento está disponível no site da DGLB.

Quinta-feira, Março 11, 2010

Conta-me histórias de encantar em Almodôvar

O projecto arrancou no passado sábado, dia 6, na Biblioteca Municipal de Almodôvar e consiste em sessões quinzenais de 45 minutos dedicadas a bebés entre os 18 e os 36 meses, acompanhados pelos pais. O livro ocupa um lugar central nestes ateliers, como impulsionador de afectos e competências. No blogue da Biblioteca há mais informações.

Quarta-feira, Março 10, 2010

Em audição

Aqui n'O Bicho a música tem o seu espaço. E não podíamos ficar indiferentes ao lançamento de um novo disco do Bernardo Sassetti Trio. A apresentação deste Motion, edição Clean Feed, é hoje no CCB (passando no dia 12 por Águeda e dia 16 pela Casa da Música), e para além da boa música que se irá ouvir poderão ser vistos pequenos filmes realizados por Sassetti, tornando visível uma das outras paixões do multifacetado músico.

Para abrir o apetite, aqui fica o tema de abertura de Motion:

video

Ando a ler... nas entrelinhas


Até 31 de Março, todos os fotógrafos amadores podem responder ao desafio lançado pela Escola Secundária Henriques Nogueira, em colaboração com o PNL e a Biblioteca Municipal de Torres Vedras. Ler nas Entrelinhas é o tema da 2ª edição do concurso Ando a Ler... que terminará com uma Mostra dos melhores trabalhos, a partir de 5 de Maio.

O regulamento do concurso está disponível no site da Biblioteca Municipal.

De onde nos falam os livros?

O ponto de partida para Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, foi a leitura conjunta do álbum Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak (Kalandraka). A ausência da mãe e o acto de comer foram os aspectos mais discutidos pelo grupo de leitoras e leitores adultos que iniciou hoje a Comunidade subordinada ao tema De onde nos falam os livros?.

Exploraremos quatro livros de possível recepção infantil e/ou juvenil (mas não apenas): Alice no país das Maravilhas, As aventuras de Tom Sawyer, Escrito na Parede e A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Os encontros são quinzenais, na Biblioteca Municipal da Ericeira, sempre às 3ªs, e duram até Maio.
Para aguçar a leitura propus uma busca de semelhanças entre Alice e Max, lançando como ideia a evasão. Mas creio, pela memória que cada um tem da narrativa e dos seus símbolos, que a leitura de Alice no País das Maravilhas vai provocar surpresas. Talvez não seja tão assustadora como parecia a muitos de nós, na infância. Do mesmo modo, a relevância de algumas personagens pode ficar aquém do intuído em desenhos animados e símbolos esgotados. A ver vamos.

Terça-feira, Março 09, 2010

Ulysses Moore


Que marcas pode ter uma narrativa de aventuras juvenil que a tornem única? Que aspectos deve respeitar para não infringir as regras do ‘género’?
Ulysses Moore (Pierdomenico Baccalario; Presença) não se afasta do que podemos considerar como elementos estruturais, quase lugares comuns (topoi), destas intrigas emotivas. As personagens principais são três adolescentes, dois irmãos gémeos e um amigo recente, todos com onze anos. Logo no início ficam sozinhos, livres para se aventurarem na descoberta de um mistério que, tudo leva a crer, vai ter com eles. Como também é comum, a curiosidade, o empenho e uma intuição especial justificam à partida a condição protagonistas de Jason, Júlia e Rick.
O que acontece ao longo da saga e se afasta das fórmulas mais estanques como Os Cinco (Enid Blyton) ou Uma aventura (Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada) é um progressivo reconhecimento da capacidade dos três adolescentes. Em conversas com um interlocutor desconhecido, Nestor vai questionando a habilidade dos jovens para resolverem os sucessivos enigmas com que se deparam, mostrando preocupação com a sua segurança e o seu sucesso na defesa do segredo de Kilmore Cove. Assim, a sua legitimação vai-se consolidando aos olhos do jardineiro que, ao actuar como um ‘velho do restelo’, funciona como espelho do leitor mais céptico.
Como manda a tradição dos livros de aventuras cujos protagonistas são crianças ou adolescentes, os pais estão excluídos da intriga, desconhecendo a coragem e astúcia dos filhos. Até ao 4º volume, a saga segue esta premissa: os pais dos gémeos são forçados a permanecer em Londres por causa da logística relacionada com a mudança para a vivenda Argo, propositadamente dificultada pelo irmão de Nestor, a seu pedido. No 1º volume o jardineiro é o único adulto com quem as crianças se relacionam com proximidade, apesar de manterem com ele um contacto instável. Já no 2º volume, Nestor afirma-se definitivamente como adjuvante do grupo protegendo Júlia contra a maléfica ‘cruela’, uma mulher de ambição desmedida que tudo fará para aceder à Porta do Tempo. À medida que os volumes se sucedem, outros adultos aparecem, ora ajudando o grupo com cumplicidade e algum conhecimento, como é o caso do faroleiro, ora involuntariamente. No 5º volume os pais dos gémeos regressam, as aulas começam, e a missão de defender as Portas do Tempo do alcance de Olívia Newton torna-se mais difícil.
O ponto de partida da intriga é a vivenda Argo e a chegada da família Covenant à recôndita aldeia da Cornualha. Rick é um jovem nado e criado ali, radiante com o facto de a vivenda vir a ser habitada por dois adolescentes da sua idade, com quem poderia conviver. A imensa curiosidade que sente por conhecer a vivenda leva-o a travar conhecimento com os recém-chegados gémeos, em visita de boas vindas. Os pais de Jason e Júlia regressam a Londres e o grupo começa uma exploração que começa na casa e se estende até um acidente na escarpa de acesso à praia. Tudo se precipita em descobertas surpreendentes e incongruências que levantam suspeitas e discussões acesas entre os três que vão resolvendo enigmas e agindo sem medir as consequências. Como também é típico em grupos de heróis, cada um deles têm características complementares, que permite que todos sejam igualmente imprescindíveis, sem protagonismos. Jason e as suas leituras de BD assumem a liderança na resolução de enigmas, Júlia será a mais destemida arriscando em situações imprevisíveis (contrariando o estereótipo da rapariga mais sensível, inteligente e frágil), e Rick, por seu turno contribui com o conhecimento sobre a região e as pessoas da aldeia, e com a sua técnica de artífice (seja a arranjar bicicletas, a dominar barcos ou a observar mecanismos de relógio).
O mistério começa com uma chave, uma porta e uma incerteza: quem foi Ulysses Moore? Este é o tema explorado no 1º volume cujo raio de acção maioritário é a Vivenda Argo. A partir do 2º volume, com a viagem concluída, a chegada ao Antigo Egipto e a separação do grupo, com Júlia a regressar à vivenda Argo, a linearidade espacial e narrativa transforma-se numa dualidade que se apresenta intercalada no texto, de modo a surtir um efeito de simultaneidade. A partir do 3º volume as narrativas passam a estar encaixadas, acompanhando não apenas o grupo mas outras personagens, que podem ser Nestor, o faroleiro, Olívia Newton, o seu motorista lacaio ou a simpática livreira. O leitor começa então a ter informações de que os heróis não dispõem e a sofrer por eles, prevendo soluções e novos incidentes.
Da vivenda Argo a Kilmore Cove, dos arredores de Kilmore Cove ao Antigo Egipto e a Veneza, este é o universo explorado até ao 5º volume. Contrariando algum sentido didáctico que se encontra em aventuras que atravessam tempos e culturas, o léxico utilizado e as informações históricas não destoam minimamente no contexto da acção. O protocolo de recepção do faraó ou a censura e as tipografias clandestinas são tópicos abordados sem que nunca o leitor sinta que as informações são descabidas, excessivas ou sequer interrompem o ritmo narrativo.
Quanto a personagens, proliferam, umas aparecendo pela primeira vez, outras ganhando relevância, outras apenas figurando… Também da Porta do Tempo da Vivenda Argo, chegamos agora a um mapa de onze portas e outras tantas chaves, escondidas algures e ameaçadas pelo engenho e arte maléfica de Olívia Newton, cujo sonho é expor o potencial daquele segredo.
O enquadramento narrativo faz-se em dois níveis: um primeiro que aguça a curiosidade e cria um efeito de real a toda a fantasia que se segue, e um segundo que é o da diegese propriamente dita.
No primeiro nível, logo no início de cada volume, consta um email de um jornalista que está algures na Cornualha à procura de Kilmore Cove e de Ulysses Moore, dando conta dos progressos da sua investigação, que dependem da decifração dos cadernos escritos pelo próprio Ulysses Moore. Por isso, cada volume corresponde a um desses cadernos que o jornalista vai decifrando. A estratégia conta com o apoio gráfico ao texto, cuja moldura remete para um email, tanto quanto nas páginas seguintes aparece a capa de mais um caderno, ou um mapa, um esboço ou um bilhete escrito à máquina ou manualmente.
Em Portugal, a colecção, que está a ser editada pela Presença, conta apenas com cinco volumes, mas em Itália estão já editados nove. A avaliar pelo número de portas e chaves, é provável que cheguemos ao décimo primeiro, mas por agora é apenas um enigma por confirmar. Não sendo uma obra-prima que vem revolucionar as colecções de aventuras e fantasia (depois de Harry Potter não vai ser fácil), a colecção Ulysses Moore tem uma complexidade narrativa crescente, chamando a atenção para o detalhe e obrigando por isso a uma leitura concentrada. O ritmo é intenso com recurso a muitos fragmentos informativos e descrições sensoriais. Os planos e as sequências respeitam uma imagética visual e sonora cinematográfica, podendo passar facilmente do texto para a tela. No entanto não há nessa proximidade razões para desprezar a obra, que se lê com prazer num abrir e fechar de olhos.

Segunda-feira, Março 08, 2010

da selecção portuguesa de futebol à promoção da leitura



via Amigos da BE

Domingo, Março 07, 2010

para as aulas de substituição

6 billion others é um projecto que dá a conhecer testemunhos de pessoas anónimas de todo o mundo sobre si, sobre a sua família ou outros assuntos sociais como o trabalho ou a discriminação.
Quando os professores se apoquentam perante uma turma desconhecida, sugerimos que levem o computador com ligação à internet e um datashow para a sala de aula e partilhem a descoberta de outras vidas. Os testemunhos estão em inglês, francês e espanhol.
Que a aula possa ser um espaço de abertura ao mundo e aos outros, é também o que se deseja.

Sexta-feira, Março 05, 2010

Ovelhinha na Trama

Amanhã é a vez da livraria Trama (R. S. Filipe Nery, nº 25B, em Lisboa) receber a Ovelhinha de Isabel Minhós Martins e Yara Kono. A apresentação do livro Ovelhinha dá-me lã, menção honrosa no I Prémio Internacional Compostela para álbuns ilustrados e editado pela Kalandraka, será às 16h, com a presença das autoras e muita animação.

Prémios de Bolonha

Já são conhecidos os vencedores da edição de 2010 da Feira do Livro Infantil de Bolonha. Há nomes que ecoam.
Vale a pena passar pelo site e confirmar... ou descobrir.

Quinta-feira, Março 04, 2010

Acabadinha de chegar

Alice acabou de chegar, pelo olhar de Tim Burton, às salas de cinema. É um regresso ao País das Maravilhas.


parceria com a FNAC

Estou em falta há mais de um mês com esta informação. A Biblioteca Municipal de Gaia estabeleceu uma parceria com a FNAC para um concurso de opiniões sobre leitura. Assim, a Biblioteca tem vindo a adquirir algumas novidades editoriais (lançadas nos últimos três meses), convidando os seus leitores a lê-las e redigirem um pequeno texto (até 400 caracteres) que deverá ser enviado para o email do concurso (atuaopiniao.bmg@gmail.com) Todos os meses será eleito o vencedor que receberá um cheque fnac. As informações e regulamento estão na página da Biblioteca, aqui.
Quando o projecto arrancou, era desejo nosso (meu e da Bibliotecária) que o grupo da comunidade participasse. No entanto, a escrita não os atraía, e embora tenham redigido pequenos comentários, fizeram-no apenas na última sessão, a meu pedido. De qualquer forma, leram algumas das novidades propostas. O texto da Mariana sobre as Novas Crónicas da Boca do Inferno (Ricardo Araújo Pereira, Tinta-da-China) resultam desse exercício.

Quarta-feira, Março 03, 2010

Projecções sobre o mercado da literatura juvenil

As expectativas para a Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha, que arranca dia 23 e dura até dia 26, são de algum optismismo e apostas específicas no sector juvenil. O filão do fantástico continuará a motivar compras de direitos, mas haverá novidades em todos os géneros e estilos. O texto completo pode ser lido aqui.
(via O Jardim Assombrado)

Terça-feira, Março 02, 2010

acabadinho de chegar

Para dar uma ajuda nas comunidades de jovens leitores que se avizinham e aclarar algumas ideias. No site do autor, Aidan Chambers, encontra-se uma sinopse do livro.

Segunda-feira, Março 01, 2010

to be continued...

Estava eu a apresentar o livro Escrito na Parede (Ana Saldanha, Caminho) à turma do 7º C (EB 2,3 D. Pedro IV, Queluz), alertando para a densidade das personagens, os flashbacks e o final aberto da narrativa, quando algumas das alunas se insurgiram por não se esclarecer o que estava guardado no quarto do Daniel, ou o que tinha de facto acontecido à sua mãe.
Perguntaram-me se a autora é portuguesa e se lhe podiam escrever a pedir a continuação do livro. Sugeri que enviassem o pedido para a Caminho.
Pela minha parte, solidarizo-me e fico a aguardar...

Cartazes da semana da leitura

No blogue Bibliotecar encontram-se os cartazes que várias escolas criaram para a semana da leitura. A acompanhar alguns deles, enumeram-se actividades de promoção da leitura.

Chegou a semana da leitura

Folhetos, uma carta para os pais e outras informações sobre a Semana da Leitura estão disponíveis no site do PNL, aqui.