Terça-feira, Março 31, 2009

Uma compra muito desejada

Passei ontem pela Festa do Livro Infantil, na Praça da Figueira, em Lisboa. Não me demorei muito, por falta de tempo e uma intenção clara: comprar finalmente As aventuras da maçã vermelha (Jan Löof, Kalandraka).
Repeti o exercício que tinha feito na Fnac. Li apenas as imagens e contei mentalmente a minha história. Os pormenores das ilustrações apelam à observação e a jogos de dedução. A aventura vivida pela maçã, com todos os acidentes que indirectamente provoca, é deliciosa. A presença de uma personagem que não se apercebe de nada do que se passa dá ao álbum um acento humorístico e ao mesmo tempo naive.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Português em Dia, pela ASA

As Edições Asa criaram recentemente um blog que dá notícias sobre o ensino da língua portuguesa, o novo acordo ortográfico, literatura portuguesa, dúvidas acerca da língua, livros e tudo o mais que a actualidade for ditando em torno do assunto. Chama-se Português em Dia.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Comemorar o Dia Mundial do Teatro com És mesmo tu?

Voltei hoje à EB 2/3 Comandante Conceição e Silva, a convite da professora Ana Rodrigues. Desta vez o convite não foi para nenhum atelier e sim para uma conversa com os alunos, no encerramento de uma semana cheia de actividades. O agrupamento, tal como o da Escola António da Costa, também em Almada, aderiram ao Bookcrossing, tendo sido lançados seis livros por dia em vários espaços das escolas pertencentes aos dois agrupamentos. Assim, para além do encontro com os alunos de uma turma do 6º ano, coube-me igualmente lançar na escola um dos últimos livros.
Na última semana tentei preparar a conversa, tendo em conta que deveria mencionar as efemérides dos últimos dias: Dia Mundial da Poesia (21 de Março), Dia do Livro Português (25 de Março) e Dia Mundial do Teatro (hoje, 27 de Março). Mas nada me satisfazia. Confesso que a ideia de falar sem um plano me deixa pouco confortável, porque sempre construi a minha relação com os públicos com base em guiões e actividades planificadas. Ontem à noite, quando reunia alguns livros para levar, olhei para a estante dos álbuns e fez-se luz. Tinha estado a ler um artigo da Cristina Taquelim sobre a estruturação da hora do conto (vale a pena ler, na Casa da Leitura) e resolvi experimentar. Arrisquei levar dois livros: Palavra que voa (João Pedro Messéder, Gémeo Luís, Caminho) e És mesmo tu? (Isabel Minhós Martins, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina). O primeiro, obviamente, servia de mote e exemplo para falarmos de poesia. Pretendia explorar a ideia do sentido obtuso, e da relação que o leitor pode ter com os sentidos que não decifra. Já tinha trabalhado o álbum com alunos do 7º ano, pelo que estava mais ou menos confiante.
O grande desafio era o álbum És mesmo tu?. Pela sua característica dialógica pensei que nada seria melhor do que relacioná-lo com o teatro. Matava dois coelhos duma cajadada: referia a efeméride e testava o livro, já que não fazia ideia se os alunos iam ou não gostar.
O resultado superou as expectativas. Todos ficaram em silêncio a ouvir a história, todos gostaram, alguns riram. Um dos participantes perguntou se não havia mais nenhum livro para ser lido e se aquele não podia ser lançado para bookcrossing. Quando lhes perguntei se podia ser dramatizado, concordaram prontamente que sim. E eu bem gostava de os ver nesse papel...

O que a DGLB levou para a Feira de Bolonha

A DGLB representou Portugal com um stand na Feira do Livro Infantil de Bolonha. Na mala levou uma nova brochura (em inglês) com a apresentação alguns livros editados em Portugal em 2008, assim como a indicação do seu apoio à edição de álbuns ilustrados portugueses noutros países.
Pode espreitar-se a brochura aqui.

Festa do Livro Infantil abre as portas

É hoje, às 10h da manhã que abre a 1ªFesta do Livro Infantil, na Praça da Figueira, em Lisboa. De responsabilidade partilhada entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Divulgação, o PNL e a UEP, a Feira contará com ateliers, horas do conto e sessões com autores, para além de uma quantidade de livros infantis e juvenis que se deseja diversificada. Assim se comemora, bem no centro da capital, o Dia Internacional do Livro Infantil, que chega a 2 de Abril. Para se acompanharem as novidades diárias, basta clicar aqui.


Quinta-feira, Março 26, 2009

Histórias contadas de várias maneiras iii

Os piolhos do miúdo/ Os miúdos do piolho; Rita Taborda Duarte, Luís Henriques, Caminho

O conceito de reversibilidade ganha neste álbum novas possibilidades: parte-se de uma ideia arquetípica - os piolhos habitam a cabeça das crianças e provocam comichão - para se desenvolverem duas pequenas narrativas simétricas mas em sentidos opostos. Parece confuso? Mas não é. Começamos pela capa, que neste caso são duas e não uma. Porque o álbum alberga duas histórias, encontramos dois títulos. Porque numa delas os piolhos habitam a cabeça do miúdo e noutra são os miúdos que habitam a cabeça do piolho, quando acabamos a primeira (aleatoriamente), temos de virar o livro ao contrário, para ler a segunda. O mesmo se passa com as capas. O desafio começa então antes sequer de abrir o livro e obriga o leitor a questionar-se sobre qual a razão para tal apresentação.
Os piolhos são sempre as personagens principais, quer na posição de inquilinos, quer na de proprietários. As narrativas são simples e a sua magia reside na versificação que lhes confere um ritmo musical. As expressões populares ajudam à dinâmica humorística das narrativas, salvando os piolhos do pente, ou sujeitando o piolho de sangue real à vergonha de ter miúdos na cabeça a provocarem-lhe comichão.

Obrigado a todos!; Isabel Minhós, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina

Uma exclamação que acentua o entusiasmo e a sinceridade de um agradecimento, feito por uma criança a todos os que a ajudam a aprender a viver. A enumeração de ideias e constatações parece descrever situações da vida deste menino. Mas quem o faz é a imagem, que nos contextualiza no quotidiano simples de cada acto. É neste diálogo que assenta a magia do álbum, pois sem ele a segunda grande mensagem não passaria: cada nova aprendizagem da personagem mostra-nos que aprender é saber responder de forma adequada a cada situação. Por isso, a mãe e o pai, ou o avô e a avó, ensinam coisas aparentemente contraditórias à criança. Que a situação nos permite perceber não serem contraditórias e sim fragmentos. Com cada fragmento percebemos quem é esta voz que não nos conta que nem sempre lhe apetece tomar banho ou que gosta da companhia do seu gato, ou até que acha graça à roupa de vampiro do seu primo. O subtexto é rico nessa construção, cujos vazios abrem espaços para enriquecer esta vida à nossa imagem. O processo de inferências funciona aqui magistralmente.

O quê, que, quem; Eugénio Roda, Gémeo Luís, Edições Eterogémeas

Metáforas que descrevem a família: pais, avós, tios, primos, padrinhos, netos, irmãos... As pessoas importantes, que fazem, trazem ou guardam coisas especiais... Um poema em prosa, cada página dupla é um momento de resposta às perguntas do título, criando definições em cadeia, a partir da primeira metáfora, sempre relacionada com um elemento familiar. A desconstrução narrativa cria situações oníricas e simbólicas, que se estranham, tal como acontece com as ilustrações. Mas as palavras são também estranhamento, e a beleza da decifração e espanto impõe-se à lógica descritiva. A união das figuras por longas curvas ou estreitos laços que a espaços se engrossam em corpos e definem perfis traduz essa união e o movimento de aproximação e umbilicalidade afectiva. O poético não reside apenas no verso, muito menos na rima. A resposta às perguntas do título, que recordam os eixos principais do texto jornalístico, fogem do real e procuram uma verdade escondida atrás das palavras que usamos todos os dias sem cuidado; um elogio àqueles de quem gostamos.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Prémio Astrid Lindgren para a Palestina

A notícia é do Público e pode ser lida aqui. O Instituto Tamer para a Educação Comunitária tem desenvolvido programas de promoção da leitura junto de população carenciada e privada dos mais elementares meios de sobrevivência. Contudo, este é um exemplo de como a cultura e especialmente a possibilidade de sonhar são tão prioritárias quanto a alimentação ou os cuidados de saúde. De tudo se faz a felicidade.

Decisões na Comunidade de Torres Vedras

Hoje voltei a encontrar o grupo de 13 alunos do 8º ano, na 2ª sessão da nossa comunidade de leitores. A sessão foi animada. Decidimos que a Comunidade teria o nome de Letra a Letra. Discutimos os direitos e os deveres de cada um, no que respeita às sessões e à sua relação com os livros e a leitura. A talhe de foice, trocámos algumas experiências de leitura, sobre o ritmo a que lemos, ou o entusiasmo que alguns livros nos provocam. Contei-lhes que sou possessiva com os meus livros, e aconselhei-os a não desistirem dos Maias no 1º capítulo - é preferível saltarem para o 2º, se o 1º se tornar incomportável...
Comentámos a ambiguidade dos primeiros dois capítulos de Escrito na parede (Ana Saldanha, Caminho), e como tarefa de leitura, pedi-lhes para registarem todas as suas críticas ao livro. Para terminar a sessão, cada um registou como foi a semana dos seus exemplares do livro, na perspectiva do objecto. Criarei um blog para o grupo, que será alimentado com os textos que têm produzido.
Estou muito satisfeita com o ritmo da sessão, com a participação do grupo, a sua naturalidade e sentido crítico. O diálogo orientado e a actividade de escrita criativa ajudaram a centrar o grupo. A estratégia talvez resulte. Vamos ver amanhã... com outras actividades, no Sobral.

Terça-feira, Março 24, 2009

Para criar uma história...

Se ouvirmos com atenção, imaginamos uma narradora que nos conta uma história cheia de entusiasmo e emoção. Que história será?



A música tem destas coisas, como arte suprema. Mais do que um recurso utilitarista, pode ser um estímulo sedutor para a criação noutras linguagens.
Joana Machado vai apresentar o seu álbum A Casa do Óscar amanhã, no CCB. Entre o jazz e a bossa nova, o ritmo e a expressividade da interpretação confirmam plenamente a intenção estética do disco.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Histórias contadas de várias maneiras ii

Mais dois livros apresentados no sábado:

Histórias que me contaste tu, Manuel António Pina e Bárbara Assis Pacheco, Assírio e Alvim

Para um álbum nascido do universo mágico de Alice no País das Maravilhas. O escaravelho contador de histórias introduz neste universo infinito do imaginário, um rapaz a quem nunca acontece nada de extraordinário e não tem por isso histórias para contar. O jogo entre o experienciado e o nonsense começa logo aqui, quando o narrador se confunde com o autor físico e dá de si próprio uma imagem facilmente partilhável com muitas crianças. A partir deste momento, em que o pacto está estabelecido e ambos querem conhecer histórias magníficas, é a narrativa que as questiona e desconstrói: uma história em que não acontece nada de extraordinário, uma história que se conta de boca fechada, uma história que começa pelo fim (e viveram felizes para sempre!). Há também uma história que se chama George - atenção, chama-se, não é o título..., e finalmente uma última, contada pelo menino narrador que cresceu e que percebeu entretanto que, de olhos fechados, tem também ele uma história para contar. À imagem do estilo do autor, aqui se explora a linguagem e a própria estrutura narratológica; são histórias sobre o que é contar histórias, sobre o que são elas, sobre quem as conta.

O mundo num segundo, Isabel Minhós e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina

O tempo enquanto conceito não é tema inédito na literatura de recepção infantil. Mas a representação da simultaneidade sem um envólucro narrativo ou poético surpreende. A primeira questão que se coloca aos pais é a da adequação do livro à idade dos filhos. Porque não? O detalhe dos elementos que compõem cada quadro confere à ilustração um carácter realista, quase jornalístico. A viagem faz-se então assim explorando esses detalhes que resolvem o enigma que atravessa o álbum: onde acontece? A premissa temporal é anunciada ao leitor no título: vamos enumerar algumas possibilidades de acontecimentos, ao mesmo tempo, no mundo, durante um segundo. Mas a leitura rapidamente permite perceber que a enumeração não só não é exaustiva como não responde a um critério. Essa aleatoriedade corresponde à ideia de acaso e de infinito, obrigando o leitor a abandonar a lógica causal. Mas uma criança não pode ter esta percepção! Porque não? Não poderá ela encantar-se a descobrir as cores, as figuras, os animais, as molduras ou as toalhas de praia? Identificará detalhes que conhece do seu mundo, outros vai descobrir. Podia ser um livro sem texto? Também não, porque as subtilezas das pequenas frases curtas alimentam essa aleatoriedade. Através delas podemos saber a que local corresponde aquela descrição visual, ou não. Mas podemos questionar-nos sobre o que acontece a seguir, quando «uma mulher muito velha fecha os olhos para dormir» ou uma bola voa em grande velocidade em direcção de uma janela. O que acontece nos segundos seguintes? Podemos continuar o desafio com as crianças, podemos acrescentar acontecimentos, podemos deleitar-nos a observar. Na sua aparente complexidade, este livro, pelas suas características gráficas, é um livro que pode ser facilmente apropriado e explorado autonomamente por crianças pequenas, pré-leitoras. É um livro para nós, adultos, tanto quanto para elas, crianças. Por isso, é bom.

Histórias contadas de várias maneiras i

Escolhemos nove álbuns para ilustrar diversas abordagens textuais: narrativas, descritivas, enumerativas, poéticas. Eis os dois primeiros:

Vamos à caça do urso, Michael Rosen e Helen Oxenbury, Caminho

O percurso da família, até ao climax narrativo - o encontro com o urso - é descrito com recurso à repetição de frases, como se de um refrão se tratasse, e à expressividade sonora dos elementos da natureza. O regresso da família em fuga faz-se pelo mesmo caminho, repetindo o texto da primeira parte, embora com mais velocidade (mais elementos narrativos por página), o que estimula a atenção e o desejo de resposta das crianças. Devido a esta estrutura de sucessão ritmada e de reversibilidade, assente em repetições e onomatopeias, a criança pode acompanhar a narrativa desde a mais tenra idade.

Avós, Chema Heras e Rosa Osuna, Kalandraka

A ideia de adição fortalece o conceito da narrativa: a beleza está na natureza e não se restringe nem à juventude nem a processos de alteração da imagem. É através da repetição e adição de elementos que o conceito ganha importância. A resposta à questão "Consegue o avô Manuel levar a avó Manuela ao baile?" dilui-se nos argumentos poéticos de um e de outro. A comparação alicerça o diálogo e as ilustrações destacam os elementos naturais que exemplificam o amor e as diferentes perspectivas dos avós. O final recupera toda a descrição que vai sendo construída, agora pela voz da avó, permitindo ao leitor perceber, porque já conhece toda a descrição, que este final quer dizer: "e viveram felizes para sempre".

Domingo, Março 22, 2009

O melhor livro par o meu filho em novo formato

Nas diversas acções que temos vindo a realizar com pais, percebemos que algumas das suas principais dúvidas prendem-se com a escolha dos livros para os filhos. Quais os livros mais indicados para cada idade ou o que é um bom livro são questões muitas vezes colocadas. Por isso, concebemos cinco sessões de divulgação de livros, segundo temas orientadores: medos e afectos; histórias contadas de várias maneiras; livros sem texto e livros de poesia; histórias tradicionais e histórias com moral; livros sobre o quotidiano e questões sociais. Os temas são abrangentes, tentando apenas servir como introdução à diversidade de possibilidades que a literatura de recepção infantil oferece. As sessões são autónomas entre si e têm uma duração breve: apenas 90 minutos. Em cada sessão apresentam-se cerca de dez livros, sugerindo outros, de acordo com os interesses dos participantes. O projecto arrancou na Biblioteca Infanto-Juvenil, em Cascais, e ontem cumpriu-se a segunda sessão. Temos sentido que o tempo é curto, mas sabemos que só assim é possível reunir os pais. A simplicidade das acções tem resultado em diálogos interessantes, acerca das editoras, dos autores, das experiências e interesses das crianças. Mas, em geral temos sempre passado duas ideias que consideramos centrais para que se modifiquem paradigmas de recepção e mediação leitora: os bons livros não têm idade; as crianças devem aceder a livros muito diferentes entre si, para poderem desenvolver o seu gosto - é melhor que a criança não goste do livro que lhe apresentamos do que lhe fique indiferente.

Sexta-feira, Março 20, 2009

Festejar a Primavera na Gulbenkian

Já amanhã pinta-se e desenha-se nos jardins da Gulbenkian, em Lisboa. Para crianças a partir dos 4 anos, acompanhadas de um adulto. Há diversas oficinas, em horários diferentes. O programa pode ser consultado aqui.

A Primavera está aí...


Sam McBratney e Anita Jeram continuam a alimentar o amor entre a a Pequena Lebre Castanha e a Grande Lebre Castanha, desta feita através da descoberta da transformação. Pelos campos, juntas deparam-se com animais e plantas que na Primavera nascem e despontam, e que serão mais tarde 'adultos' com outras formas. O carinho e a cumplicidade entre as duas lebres prepassam pelas ilustrações, onde aparecem sempre próximas, partilhando as suas observações. A situação é simples e experienciada por muitos pais: as crianças esperam que sejam eles a satisfazer a sua curiosidade em relação ao mundo, ajudando-as e protegendo-as na sua aprendizagem do mundo. Com um abraço a fechar...

Poesia e Pequenos Poetas

O prazo para entrega de trabalhos poéticos para o Concurso Pequenos Poetas termina amanhã. Por isso, sugere-se aos professores e às crianças do Concelho da Moita que se apressem em chegar à Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, ou aos Polos da Baixa da Banheira, Alhos Vedros ou Vale da Amoreira com as suas poesias. Depois dos ateliers, estou cheia de curiosidade para ver até onde chegou a motivação de alunos e professores.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Porque hoje é Dia...

Apesar de comemorar diversas efemérides, inclusivamente a do Dia do Pai, tenho algumas dúvidas quanto ao trabalho que as escolas realizam a propósito de dias 'festivos'. Às vezes tenho a sensação de que os livros só servem para isso, que quase não há tempo para ler sem ser a propósito de qualquer coisa...
De qualquer forma, e parecendo paradoxal, podem hoje as crianças oferecer livros especiais aos seus pais. É uma prenda envenenada, já que os pais terão de partilhar os livros com os seus rebentos... Por isso, torna-se ainda mais saborosa!

Inês Tavares, nas palavras da Marta

A Marta é a mais calma do grupo de Montemor, provavelmente até a mais madura.
Já tinha ido à primeira sessão e adorou As palavras na vida de Inês Tavares (Alice Vieira, Caminho). De tal forma que me entregou um resumo que fez sem que tal lhe fosse pedido. Cá fica ele.
«Este livro é sobre uma rapariga chamada Inês Pereira Tavares, que acaba de fazer 13 anos.
Tudo começa quando ela pede à sua avó chamada Avó Gi(Edviges) um IPod, e ela acaba por lhe dar um diário. Então que pensa Inês? Pensa "o que vou eu escrever no diário?" mas lembra-se do que a sua avó Gi lhe disse, "Escreve aí todos os teus segredos". Mas ela não tinha segredos e começou por falar do colegas, da escola e dos professores, da sua família que tinha até muitas histórias, e amigos da família como o Sr. Josué, também fala das suas férias e da sua grande paixão: o Brad Pitt.
Observações: Gostei muito do livro e achei interessante a sua história. E também achei algumas partes engraçadas.»
Talvez devido aos comentários da amiga, a Tatiana escolheu o livro esta semana. Vamos ver se também gosta. A Marta optou pelo Romance de Rita R (Ana Saldanha, Caminho). Já estou curiosa para saber se vai gostar, e qual dos dois vai preferir.

Inventam-se Leitores III, 2ª sessão

Os dois participantes iniciais da 3ª Comunidade de Jovens Leitores, em Montemor, corresponderam ao meu repto e trouxeram três novos membros que se juntaram hoje ao clube. São agora cinco, mas fazem barulho por dez. Depois de ter convivido com alunos do 10º ano, estes pré-adolescentes de 12 anos parecem-me muito infantis, ainda. Desta feita são os rapazes quem está em força na idade do armário: muitos risos, muitas vergonhas e segredos... A Primavera está no ar, em força.
Percebi que vou ter de os pôr a trabalhar: escrever, imaginar situações, produzir qualquer coisa para que não se dispersem. Por outro lado, esse estado enérgico mas inocente dá-me algum alento. Não me julgam de modo ostensivo, nem tão pouco ficam enfastiados. Por isso creio que as actividades surtirão efeito. Estou até a pensar em alargá-las aos outros grupos, para que não se percam pelo caminho. É possível que o diálogo, por si só, não cative os mais novos. Estou cada vez mais convencida de que se sentem obrigados se lhes propuser directamente que falem dos livros. Com algumas estratégias de associação, talvez o façam espontaneamente, como resposta ao desafio, sem se sentirem inibidos.

Quarta-feira, Março 18, 2009

1º Encontro de Literatura Infantil - Dialectos do Sonho

Um pouco em cima da hora, fica o programa do 1º Encontro de Literatura Infantil organizado pela Âmbar. Vai ter lugar na Fundação Dr. António Cupertino Miranda, no Porto.


18 de Março | quarta-feira

10h00 Sessão de Abertura

Maria Amélia Cupertino de Miranda (Presidente da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda), Vladimiro Feliz (Vereador da Educação da Câmara Municipal do Porto), Isabel Alçada (Comissária do Plano Nacional de Leitura), Isabel Barbosa (Presidente do Conselho de Administração da Ambar)

10h30 A TRADIÇÃO ORAL NA LITERATURA INFANTIL EM PORTUGAL

Oradores Alexandre Parafita (Investigador do CTPP da Univ. Lisboa e autor de livros infanto-juvenis), Sara Monteiro (Autora de livros infanto-juvenis), Tânia Silva (Contadora de histórias)
Moderador Rui Veloso (Professor da ESE de Coimbra)

12h00 Convívio com autores e ilustradores

13h00 Intervalo para Almoço

14h30 A OBRA DE JOSÉ JORGE LETRIA NA LITERATURA INFANTIL

Oradores José Jorge Letria (Escritor), Elsa Lé (Ilustradora), Maria Teresa Macedo (Mestre da Universidade do Minho), Teresa Cunha (Livreira da Livraria Salta Folhinhas)
Moderadora Rita Pimenta (Jornalista do Jornal Público)

16h00 Convívio com autores e ilustradores

16h30 A ILUSTRAÇÃO EM PORTUGAL – UM SALTO QUALITATIVO
Oradores André Letria (Ilustrador), José Miguel Ribeiro (Ilustrador), Pedro Serapicos (Ilustrador), Elsa Navarro (Ilustrador)
Moderador António Modesto (Professor da Escola Universitária de Artes de Coimbra

19 de Março | quinta-feira

10h00 REPRESENTAÇÃO INFANTIL BASEADA NO LIVRO “O IMAGINÃO”,
de Manuela Crespo, por crianças do Jardim Infantil Tangerina

11h00 Convívio com autores e ilustradores

11h30 A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
Oradores Lourdes Custódio (Educadora e autora da colecção Giroflé), Andreia Hall (Professora da Universidade de Aveiro), Inês de Barros Baptista (Jornalista e autora de livros infantis), Manuela Crespo (Médica, autora e ilustradora de livros infantis)
Moderador Paulo Oom (Médico pediatra)

13h00 Intervalo para Almoço

14h30 LANÇAMENTO DO LIVRO “O HOMEM E AS PALAVRAS”, de Conceição Gomes e Chico

Homenagem ao poeta Eugénio de Andrade
Declamação de poemas do poeta

15h30 Sessão de Encerramento

16h00 Convívio com autores e ilustradores

Iniciativas em paralelo

Feira do Livro
Exposição de originais de Ilustração

Preconceitos de adolescentes?

Na apresentação da Comunidade de hoje, o grupo de treze alunos foi unânime em afirmar que gostava mais ou menos de ler, dependendo dos livros. Todos o diziam com hesitação, como se as suas opções pusessem em causa a sua condição de leitores.
Quando lhes explicava o objectivo principal da comunidade - falarmos dos livros que lemos - o Miguel sussurrou que «nós não falamos disso». Tentei perceber melhor: «Não falam de livros uns com os outros?»; «Não.», confirmou a Luciana. «E se gostarem muito de um livro, não o recomendam aos outros?»; «Aí sim, às vezes.»
À medida que se iam apresentando, alguns faziam comentários a um ou outro livro. Lua de Joana (Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo) foi um dos visados. O Luís achava que era um livro de raparigas. O António não percebia como era possível que a Joana se enredasse na teia que tinha provocado a morte da amiga, conhecendo as consequências. Já o Gonçalo, que estava sentado do outro lado da mesa, assumia que tinha gostado do livro. As raparigas explicavam a situação, justificavam o comportamento da Joana. Por um momento, debateram a lógica narrativa, e produziram juízos de valor. Quase sem darem por isso.
Voltamos então ao ponto de partida: porque acham os adolescentes que não gostam de ler, porque acham que não gostam de falar de livros?

Terça-feira, Março 17, 2009

Nova Comunidade de Jovens Leitores

Mais logo começará uma nova Comunidade de Jovens Leitores. Será na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, no âmbito da carteira de Itinerâncias da DGLB. As propostas são semelhantes às do Sobral de Monte Agraço: o grupo lerá os mesmos quatro livros durante as sete sessões da Comunidade, havendo um exemplar para cada participante. O que distingue as duas Comunidades é a composição dos grupos. No Sobral, os participantes inscreveram-se voluntariamente, depois da divulgação que fizemos na EB 2/3 e na Biblioteca Municipal; em Torres Vedras o grupo que se mostrou interessado em participar integra uma turma do 8º ano. A mediação foi conduzida por uma professora, que tem motivado os alunos para iniciativas deste género. As sessões vão por isso decorrer no período das aulas de Estudo Acompanhado, de 15 em 15 dias. Em consequência, não haverá o risco de desistência, como acontece nas Comunidades que se realizam em horário pós-lectivo. O barómetro de satisfação ou insatisfação dos alunos será outro, certamente.
Amanhã será dia de apresentação. Veremos qual o grau de entusiasmo dos presentes e de que forma o vamos alimentar. Será que falar de livros lhes basta? E, se assim for, será este o modelo mais próximo do sucesso absoluto?

Segunda-feira, Março 16, 2009

Porque devem ser pais e mães a lerem aos filhos?

Quando estivemos na Horta, perguntaram-nos qual era o adulto mais indicado para ler aos filhos, a mãe ou o pai. Na altura respondemos que qualquer um dos dois, e até que seria importante que ambos o fizessem, porque este era o tipo de tarefa que um não fará necessariamente melhor que o outro. Pelo contrário, a criança ganha se forem os dois pais a ler-lhe, porque cada um tem as suas preferências, a sua expressividade, desenvolvendo uma empatia particular com a criança.
Hoje, ao ler uma súmula do livro de Ema Walton Hamilton, "Raising bookworms: Getting Children Reading for Pleasure and Empowerment", via alcameh, fui alertada para um outro aspecto que aumenta a necessidade da presença do pai em actividades de leitura. Diz o relatório que a maioria das educadoras e professoras do 1º ciclo são mulheres, pelo que as crianças, principalmente os rapazes, precisam de um modelo masculino positivo, que prepasse o prazer da leitura da mesma forma que as mulheres o fazem. Neste caso, o pai representa a universalidade do prazer de ler. Sem qualquer influência positiva de um ente masculino próximo, a criança poderá associar a leitura à mulher, desvirtuando a sua transversalidade.
No site da Beech Tree Books, editora do livro, podemos encontrar, para além deste pdf intitulado "Five keys to getting - and keeping - kids reading", outro com vinte e cinco razões para ler, todos eles retirados da obra da autora.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Regressa a Feira do Livro Manuesado à Assírio e Alvim

Não costumo ser tão rápida a pôr notícias. Mas pode acontecer alguma coisa entretanto, e lá se vai a divulgação... A Assírio e Alvim, na sua livraria da R. Passos Manuel, ao Jardim Constantino, em Lisboa, volta a organizar a sua Feira do Livro Manuseado, que acontece anualmente. É uma oportunidade a não perder. Poesia, ensaio, fotografia, álbuns infantis, há um pouco de tudo, com a chancela de qualidade da editora. A visita à livraria abre a estação estival: vem com a Primavera, e logo, logo a seguir, passados dois meses (este ano nem chega a um) é a Feira do Livro, com aqueles dias encalorados e brilhantes, e o Castelo a ver-se do Parque. Há também as farturas e os jantares na roulotte habitual. E a azáfama de ver tudo, escolher bem, numa animação ritualizada que se deseja. Depois... depois lá vêm elas, as férias.
Com a Feira do Livro Manuseado chega o bom tempo, o cheiro a flores, o sol, e a boa disposição. Iniciativas que se repetem têm este poder, o de nos dar memórias. Quem ainda não foi, vá e não deixe de ir mais. São estas pequenas coisas que nos dão felicidade.

só para pessoas cultas, sessão tecnológica

Ontem fiquei a saber como se passam músicas de um telemóvel para outro, através do Bluetooth. Mas não só. Também fui informada de que TODA A GENTE ouve os Buraka Som Sistema! A Mariana, a Inês, o Leonardo e o Diogo contaram-me ainda, de modo entusiástico, que usam o telemóvel para provocar sons estranhos, como apitos ou ruídos de moscas, que conversam em grupos de cinco em video-conferência através do telemóvel, que conseguem enviar centenas de mensagens de borla através de um tarifário qualquer que desconheço... Mas também que há dois quadros virtuais na escola, que são projectados na parede e onde se escreve e desenha... Embora virtualmente.
Então percebi que o meu convívio com adolescentes garantirá que permaneça minimamente actualizada, correndo menos riscos de me tornar uma info-excluída!
Fiquei um bocadito macambúzia porque falámos pouco de livros. Mesmo assim, ainda houve tempo para a Inês expressar o seu amor profundo pela tetralogia de Stephanie Meyer, partilhando connosco a sua condição de fã. O Leonardo pediu-lhe para nos contar um pouco da história e a partir daí a Inês começou a relatar apaixonadamente o enredo amoroso e fantástico entre Bela e Edward, o vampiro. O Ivo estava a ficar desesperado, e lá conseguimos, a custo, interromper o relato. Finalmente, puderam levar para casa O rapaz que chutava porcos. Giro foi o brainstorming de previsão, que funciona sempre muito bem com este grupo. Sugeriram que o rapaz vivesse no campo, perto de currais ou de um matadouro. Ou não, talvez não fosse isso, porque os porcos não seriam animais, seriam pessoas más, que ele desprezava por causa dos seus defeitos. Não, não era isso! O rapaz era afinal uma ratazana e os porcos eram verdadeiros...
As ideias iam mudando à medida que folheavam o livro e observavam as ilustrações.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Monstra 2009

A Monstra já começou. Há animação, e muita, para os mais pequenos, a Monstrinha, no Cinema S. Jorge, no Teatro Meridional, na Escola Secundária D. Dinis, no Museu do Oriente e no Museu de Etnologia, em diversos horários e para crianças de todas as idades, a partir dos 3 anos. Pena o programa ainda não estar disponível no site.
O país convidado é a Suiça, que para além de filmes, apresenta uma exposição de Georges Schwitzgebel no Cinema São Jorge. No Museu da Marioneta podemos viajar pelos bastidores do filme O Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro, pela mão do próprio.

Terça-feira, Março 10, 2009

Histórias recriadas n'A Arte da Leitura na Horta - Faial

A escolha dos livros para a escrita de uma história foi surpreendentemente fácil, porque todos os pares optaram por obras diferentes.

Aqui fica uma recriação do livro Agora não, Duarte! (David McKee, Caminho), a partir das ilustrações.
«Era uma vez um monstro roxo que gostava muito de palhaçada. Um dia esse monstro fez uma palhaçada para o Gustavo. O Gustavo ficou zangado. O Gustavo chamou a sua mãe e a mãe zangou-se com o monstro. Afinal o monstro não era mau e ficaram os três muito amigos.»
Sandra e Rosa

Ao livro Um pesadelo no meu armário (Mercer Mayer, Kalandraka), foi-lhe acrescentado um novo final, porque o par já conhecia a história do livro que escolheu.

«O João achou que afinal os pesadelos não eram horríveis, mas sim bons. Por essa razão, todos os dias quando acabava as aulas ia para casa acrescentar a sua cama com paus de madeira. Quando acabava ia abrir a porta para entrar mais um pesadelo.
Até que um dia, ao abrir a porta do armário não encontrou pesadelos. Nessa altura, o João olhou para o quarto e viu que já não havia espaço para mais pesadelos. Os pesadelos eram todos amigos do João e amigos uns dos outros.»
Catarina e Francisco

Arte da Leitura no Faial

De regresso às Ilhas, desta vez foi na Horta, Faial, que se realizou mais uma acção para pais e filhos. A primeira sessão contou com dez mães bastante empenhadas em motivar os seus filhos para a leitura. Na sua maioria, todas se consideravam leitoras. Uma delas, pelo contrário, participava na acção porque não gostava de contar histórias e tinha pena, pois não sabia como estimular o interesse da filha pelos livros. Estava com um ar mais apoquentado do que as restantes, cujas principais motivações era conhecerem mais livros e adequarem a leitura às idades das crianças. Mas o desafio para um não leitor é maior. Ou talvez nem tanto. Porque é muito mais fácil interessarmo-nos por algo que sempre esteve presente nas nossas vidas, do que por algo que nos é estranho.
Na sessão conjunta, as mães contribuiram decisivamente para o bom ambiente do grupo. Foi impossível conter o riso em diversos momentos, com os comentários dos mais pequenos, os os palpites errados de mães e filhos.

Sábado, Março 07, 2009

Ecos do Congresso da Casa da Leitura no Brasil

Aqui pode ler-se mais uma notícia sobre o Congresso Internacional de Promoção da Leitura, organizado pela Casa da Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no passado mês de Janeiro. Renato Mendes, para além de sintetizar as principais informações das comunicações, dá um enfoque especial à preocupação comum em formar leitores, por parte dos responsáveis pela Promoção da Leitura dos vários países participantes.

Quinta-feira, Março 05, 2009

Investigando a Semana da Leitura

Alguns blogues de agrupamentos ou bibliotecas escolares partilham as actividades que prepararam para esta semana...
O Bibliotecar destaca os cartazes que várias Bibliotecas Escolares conceberam para o efeito. Vale igualmente a pena espreitar a programação da EB 2/3 de Leça da Palmeira.
N'O Sabichão encontramos o Biblioleitura e uma Feira do Livro, para além de leitura de poesia, dramatizações e contadores de histórias...
O Bibliotecando enaltece a participação da comunidade - família, professores aposentados, amigos - na concepção e realização das actividades da Semana da Leitura. A efeméride pode constituir uma oportunidade para desenvolver os laços entre a escola e a sociedade, repetindo e intensificando essa participação de ano para ano.
O Baú das Letras, que tem como principal objectivo divulgar iniciativas relacionadas com a promoção da leitura em escolas, destaca diversas programações, especialmente de escolas do Alentejo.
As actividades são, em geral, semelhantes. Isso não é mau. Às vezes temos a tendência de procurar surpreender e esquecemo-nos de que o mais importante é ter sucesso, e isso significa chegar ao nosso público. A leitura em voz alta, os conselhos de leitura entre pares e a participação da família continuam a ser boas estratégias: misturam afectos e livros, que é o melhor que podemos ter e desejar. Importante é que as escolas continuem a promover a Semana da Leitura, ou qualquer outra iniciativa do género, sem se desmotivarem por já não ser novidade.

Terça-feira, Março 03, 2009

Onde me levou a lagartinha muito comilona...

The very hungry caterpillar (no original), de Eric Carle faz precisamente 40 anos no dia 20 de Março. A edição portuguesa é da Kalandraka e a notícia da efeméride foi dada em primeira mão pela Dora Batalim. A curiosidade fez-me pesquisar um pouco sobre as comemorações. Cheguei então a uma página dedicada a sugestões de actividades de leitura ou a partir da mesma. Desde apropriações temáticas para festas de aniversário a leitura orientada com crianças com disfunções de linguagem, há propostas para todos os gostos e idades, quer para educadores, quer para pais. Daí, naveguei em sentido contrário, da foz para a nascente: primeiro deparei-me com uma página onde constam os livros de Eric Carle, com links de sugestões para cada um deles; depois, com a página de abertura do site do autor, com espaço para os seus livros, a ligação ao seu blogue, assim como uma galeria de fotos e vídeos. Aqui, acedi ao The Eric Carle Museum of Picture Book Art e à página das comemorações dos 40 anos da famosa lagartinha.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Cristina Valadas e uma descoberta não muito nova


As Edições Gémeo não são recentes. Há livros que datam de 1997. O design, a dimensão e configuração dos livros, as colecções e até o site não deixa muitas dúvidas quanto ao(s) editor(es). A linha estética não se afasta muito da das Edições Eterogémeas. Gémeo Luís continua a brindar-nos com encontros e reencontros. Um deles foi com Alberto Pimenta. O outro, com Cristina Valadas. Aqui, podemos folhear alguns dos álbuns de que é co-autora: Mente Semente; Diário de bordo; Irmão irmã; entre muitos outros. Para se conhecer melhor o trabalho livre da ilustradora que vai estar em Bolonha. Para perceber porquê. Para perceber porque ganhou o prémio nacional de ilustração em 2008. E para constatar que o seu trabalho é tão livre quanto o desta editora, cujos livros transpiram o prazer de terem sido feitos. E os infantis? Pois certamente os haverá, basta ler a biografia do editor, Gémeo Luís...

Feira do Livro Infantil de Bolonha e Cristina Valadas

Entre 23 e 26 de Março todos os caminhos do Livro Infantil vão dar à Feira do Livro Infantil de Bolonha, o maior certame do género. Ali divulgam-se tendências, autores, ilustradores, compram-se e vendem-se direitos. Este ano, o país convidado é a Coreia. A Exposição de Ilustração deste ano conta com a presença de obras de Cristina Valadas, a par de oitenta ilustradores de todo o mundo, seleccionados a partir de um conjunto de 2714 participantes.
Os prémios para os livros com melhor design e grafismo foram já anunciados nas quatro categorias a concurso: ficção, não ficção, novos horizontes (livros editados em países do Médio Oriente, África, Ásia e América do Sul) e primeira obra. Os livros, assim como as apreciações do jurí, podem ser vistos aqui.

Canta o Galo Gordo

Amanhã será a apresentação do livro Canta o Galo Gordo (Inês Pupo e Gonçalo Pratas, Cristina Sampaio - ilust.; Caminho), no Jardim de Inverno do Teatro S. Luíz, em Lisboa. O conceito temporal que preside aos poemas é duplo: um dia, um ano. De manhã à noite, passam diversos momentos importantes que marcam o crescimento dos mais pequenos, e ficam na sua memória. As cores, as partes do corpo, as estações do ano, a família, e não apenas as datas festivas como o Natal, apresentam-se com o que têm de particular e especial para cada um. Os textos contornam bem o senso comum e apelam precisamente à relação entre a repetição e o único, que constituem a par os elementos basilares da construção dos afectos e da identidade.
Para além dessa clarividência, o livro oferece-nos uma surpresa que materializa este projecto de memórias: um CD para que todos cantem os textos do livro. A dualidade de registos alarga o público-alvo, que vai desde os mais pequeninos aos pais e tios que por aí andam a cantarolar.



As cores, in Canta o Galo Gordo, voz de Cristina Branco