Já tinha relatado aqui o início da Comunidade de Jovens Leitores na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço. Já realizámos três sessões e estou bastante satisfeita com o grupo, apesar da maioria não ter marcado presença na última 4ª feira.
Pela primeira vez, falamos efectivamente de livros, com espontaneidade e entusiasmo. Os participantes opinam, questionam passagens que não percebem, proferem juízos de valor.
O primeiro livro, Escrito na parede (Ana Saldanha, Caminho), provocou muita confusão, devido à liberdade diegética, com analepses frequentes e o recurso ao discurso indirecto livre. Só dois participantes tinham lido o livro integralmente, e apenas um tinha gostado. Os outros tinham-se rendido às dificuldades. Como as partilharam, pude ajudar a esclarecer dúvidas e a aclarar a acção principal. Então, quem não tinha terminado a leitura decidiu voltar a levar o livro para casa. Anteontem, a Ana e a Mariana já tinham concluido
a leitura e a Ana afirmou ter gostado. Entretanto, já tinham entre mãos outro livro, Biblioteca Mágica (Jostein Gaarder, Klaus Hagerhup, Presença), mais acessível, apesar do número de páginas e do diminuto tamanho da letra. O Leonardo, que cumpriu sempre os prazos de leitura, disse ter preferido esta narrativa, mais entusiasmante e misteriosa. Não a debatemos em profundidade, porque só ele a tinha lido, por isso aguardo uma sessão mais concorrida no próximo dia 11 de Março. Criámos um blogue, Só para Pessoas Cultas, a partir da sugestão da Inês Varela (tagarela), para o qual a Ana tem contribuído bastante. A Mariana também já se estreou, pelo que estou muito contente. Vamos ver a continuação...
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
Só para pessoas cultas - comunidade de jovens leitores no Sobral de Monte Agraço
Publicada por Andreia em 23:51 0 comentários
Etiquetas: Comunidade de Leitores
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
Música em viagem
O Projecto Fuga tem-me acompanhado nas últimas viagens a Montemor-o-Novo. A professora Georgina, que conheço da EB 2/3 S.João de Deus, por ocasião dos ateliers de promoção da leitura que venho realizando, ofereceu-me o CD. A profissão tem destas coisas, conhecer pessoas, conversar, descobrir projectos, iniciativas, vontades. É o caso deste, que venceu em 2007 o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Para além do seu principal mentor, compositor e músico Pedro Pereira, o trabalho conta com as participações, entre outros, de J.P. Simões, Adolfo Luxúria Canibal, Celina da Piedade ou Ana Deus. No site www.fuga.pt podemos aceder à página do myspace, comprar o cd, saber mais sobre os elementos do grupo, ver vídeos...
Obrigada.
Publicada por Andreia em 20:50 1 comentários
Etiquetas: Música
Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
O que têm em comum o Rato Mickey e Andy Warhol?

A resposta pode ser encontrada na Biblioteca da Fundação de Serralves numa exposição comissariada por Guy Schraenen, que «inclui diversas publicações que evidenciam várias formas de manipulação ou criação de originais e livros infantis», em estreita relação com a arte contemporânea.
Mais informações, aqui.
Publicada por Sérgio em 23:18 0 comentários
Etiquetas: Exposições, Livros
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Mais uma proposta para a Semana da Leitura
O concurso BiblioFilmes tem já segunda edição. Desta vez, com 16 categorias para filmes entre 30 segundos e 3,14 minutos, realizados com câmara de telemóvel ou máquina fotográfica. Mas há muitas novidades, entre as quais a abertura de um concurso de curtas metragens, até 30 minutos. O livro, a biblioteca e a leitura continuam a ser os temas orientadores.
Mas para além do concurso, o blogue do BiblioFilmes Festival oferece ao visitante experiências de promoção realizadas fora de portas, como um vídeo de apresentação de revistas adquiridas por uma Biblioteca, assim em jeito de newsletter. Vale a pena a visita para saber o que se vai fazendo e tirar ideias. Para a semana da leitura, porque não organizar grupos que criassem guiões e os filmassem? No último dia, na Biblioteca Escolar, poder-se-ia fazer uma sessão cinéfila, com os trabalhos dos alunos. Depois, iriam para o blogue da turma, ou da Biblioteca, ou da Escola. E para o YouTube, para concorrerem ao BiblioFilmes. Por que não?
Publicada por Andreia em 16:14 0 comentários
Etiquetas: bibliotecas, Promoção da Leitura
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Os mesmos livros, reacções diferentes
Ontem
e hoje estive em Montemor-o-Novo, de regresso às duas escolas que albergam turmas do 3º ciclo. Levei o atelier Ver para Crer a três turmas do 7º ano. O objectivo é acompanhar estes alunos (todas as turmas) durante este e o próximo ano lectivo, em que regressarei, desta vez com o atelier Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês. Para além de divulgar livros, pretende-se motivar alguns dos alunos a participarem numa nova comunidade de leitores, que terá início no dia 4 de Março, na Biblioteca Muni
cipal. Os livros apresentados no atelier estão disponíveis na Biblioteca e creio que para a semana já estará visível um escaparate com os livros da Comunidade. Este projecto é apoiado pelo serviço de Bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian a tem como principal objectivo ligar os adolescentes à leitura.
Escolhi sete títulos:
Crónicas de Spiderwick, o livro fantástico, Tony Di Terlizzi, Holly Black (Presença)
A família que não cabia dentro de casa, Alexandre Honrado (Ambar)
Deciclopédia, Gideon Haigh (Tinta-da-China)
A vida nas palavras de Inês Tavares, Alice Vieira (Caminho)
Sam e a mal
dição de sangue, Thomas Bloor (Europa-América)
O Dicionário do Diabo, Ambrose Bierce (Tinta-da-China)
Nem tudo começa com um beijo, Jorge Araújo (Oficina do Livro)
Os alunos da escola Secundária têm um comportamento mais maduro, mais seguro nas opiniões que dão. Os alunos da EB 2/3 são mais infantis, menos críticos. Sempre, desde que vou às duas escolas (desde há 3 anos) que noto isso. Apesar das diferenças, o livro mais cobiçado foi comum: Sam e a maldição de sangue. Já a Deciclop
édia, que encontrou rapazes interessados na Secundária, foi um rotundo fracasso na EB 2/3. Os interesses continuam a ser os mesmos: aventura, fantástico, acção... O quotidiano dos adolescentes ainda faz brilhar os olhos das raparigas que prolongam o sucesso de Lua de Joana (Maria Teresa Maia Gonzalez, Verbo) desde há alguns anos. Há também algumas que já devoram os volumes da quadrologia de
Stephenie Meyer. É curioso como é difícil adequar livros a adolescentes entre os 12 e os 15 anos. Como todos crescem ao seu ritmo, alguns já lerão sem dificuldades extremas livros mais irónicos, enquanto outros ainda mal sairam da colecção Uma aventura ou da saga Capitão Cuecas. À imagem do que tem acontecido com as comunidades que tenho vindo a orientar, estes adolescentes oscilam muito na qualidade das suas leituras, e por isso decidi apres
entar-lhes vários graus de desafios. Das três turmas que visitei, quatro alunos manifestaram desejo de se inscreverem na comunidade. Como conheço bem a efemeridade dos seus entusiasmos, temo que sejam de menos. Quinta-feira regresso para mais três ateliers, desta vez sempre na EB 2/3. Vamos ver como são os resultados.
Publicada por Andreia em 16:47 0 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens, ateliers
Semana da Leitura - maratona de leitura
É só escolher um dia, entre 3 e 7 de Março, e dedicá-lo a uma maratona de leitura. Pode ser na Biblioteca Escolar. Todas as turmas colaboram através de alunos voluntários. Os textos são escolhidos em grupo, liderados pelos leitores, durante uma aula de português, estudo acompanhado ou formação cívica, que pode ter lugar no Centro de Recursos. Contabiliza-se o tempo e faz-se uma escala, de modo a que a leitura seja ininterrupta, mesmo nos intervalos. Os professores e auxiliares também podem e devem participar. Enquanto os alunos de uma turma lêem, outras turmas podem visitar a biblioteca (durante por exemplo 45min.) para assistir. Cada leitura deve durar entre 5 e 3 minutos. A cada cinco leitores, alterna-se com um CD de poesia ou música com letras de poetas. A maratona pode ter início no segundo tempo da manhã até ao penúltimo tempo da tarde. No dia seguinte, a Biblioteca pode expor os títulos de onde foram seleccionados os textos lidos pelos alunos.
A ideia não é nova, mas conjuga diversos aspectos relevantes da promoção da leitura:
Só participam voluntários;
Quem não quer ler pode colaborar na escolha do texto e no treino de leitura do colega;
A participação não implica demasiado tempo ou esforço individual ou da turma;
A leitura faz-se entre pares;
Como a escolha é livre, os alunos terão mais curiosidade em ouvir a leitura uns dos outros;
A exposição posterior das obras na BE/CRE cumpre uma função divulgadora.
Finalmente, permite aos professores aceder aos interesses dos alunos, confirmando informações prévias e surpreendendo-se...
Publicada por Andreia em 00:18 0 comentários
Etiquetas: Bibliotecas escolares, Promoção da Leitura
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
Está a chegar a semana da leitura...
Debater Harry Potter pode parecer despropositado. Porquê? Por que não aproveitar a motivação dos adolescentes pela saga e aproveitá-la, cruzando experiências de vários tipos de leitor, dos mais novos aos mais velhos, de alunos a professores, de funcionários a ex-alunos ou pais... Normalmente, os professores levam alunos a encontros com escritores, debates sobre diversos temas, preparam-nos nas aulas, esforçam-se para motivar os alunos. Por que não inverter a situação e falar do que efectivamente interessa aos adolescentes, dedicando-lhes atenção?
O debate pode ser preparado por uma única turma, ou por alunos de turmas diversas. Deve ter na mesa alguém que não goste dos livros, alguém que ache que Philip Pulman ou Stephenie Meyer superou J. K. Rowling, alguém que possa comparar os livros com os filmes... Depois há a defesa das personagens, moral, bem vs mal... Poderá ser um projecto que não implica demasiada logística e que levará a assistência a participar espontaneamente na discussão... O verdadeiro treino para o discurso argumentativo!
Publicada por Andreia em 23:43 1 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens, Bibliotecas escolares
Comunidade Inventam-se Leitores chega ao fim
Amanhã termina a segunda comunidade de jovens leitores em Montemor-o-Novo. O balanço não é pacífico. Dos participantes da 1ª comunidade, no ano lectivo passado, apenas três permaneceram e um novo elemento se juntou, de forma intermitente. Falámos de livros, mas menos do que gostaria. Nem o facto de lerem o mesmo livro os motivou, e facilmente a discussão resvalava para a escola, as aulas, os amigos, a família, ou a música. Percebi que a minha orientação tem de ser mais firme, desde o início, e que algumas actividades têm de ser realizadas, sobre pena de cairmos numa espécie de letargia. O que é curioso é que entre si os jovens leitores trocam opiniões acerca do que lêem, inclusivamente emprestam livros entre si. O aspecto mais positivo foi a possibilidade de lhes levar outros livros, outras abordagens, outros autores.
Confirmei igualmente que a leitura em voz alta cria expectativas e é uma boa técnica para recentrar os participantes. Li o início de um dos contos de Biblioteca (Zoran Zivkovic, Cavalo de Ferro) para exemplificar o carácter fantástico das explorações bibliófilas que tematizam o livro, e despertei a curiosidade da Joana, que o levou. Na última sessão, o Bruno mostrou interesse em lê-lo também. Amanhã faremos o balanço definitivo. Quais os livros preferidos, os mais surpreendentes, os mais estranhos... Depois, espero que consigam subir ao 1º andar e comecem a escolher livros nas estantes dos adultos.
Publicada por Andreia em 01:14 0 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens, Comunidade de Leitores
Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
Já há nova Malasartes
O nº 16 da Malasartes já está à venda. Na capa a ilustração é de Alain Corbel. No site da Porto Editora podemos aceder ao sumário, mas a linha mantém-se, com recensões, projectos e estudos, para além de algumas análises literárias a obras ou autores. A participação galega continua e saúda-se. João Paulo Cotrim, Agustín Fernández Paz, Manuel António Pina ou Luísa Ducla Soares são os principais autores a merecer destaque nesta edição, seja por elementos transversais à sua obra, seja por um livro em concreto. O medo, as histórias tradicionais, a escrita e as narrativas visuais são alguns dos tópicos sobre os quais se reflecte.
Publicada por Andreia em 15:43 0 comentários
Etiquetas: Jornais e revistas;
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
O melhor livro para o meu filho em Loulé
Nas últimas semanas realizou-se na Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner, em Loulé, a acção O melhor livro para o meu filho. A logística funcionou muito bem, e contei com 10 participantes (dos 13 inicialmente inscritos), nas quatro sessões, que decorreram entre as 16h e as 18h. As profissões eram variadas: educadoras de infância (4), uma psicóloga, uma terapeuta da fala, uma técnica de biblioteca, uma estudante de educação de infância, uma mãe e um pai.
Genericamente, o grupo estava desperto para os principais critérios que pautam a qualidade de um álbum, apresentou de forma esclarecida os livros infantis da sua preferência e desenvolveu actividades diversificadas a partir dos livros distribuídos. Falámos de editoras, ilustradores, temáticas... Explorámos livros como As preocupações de Billy (Anthony Browne, Kalandraka), Onde está o bolo? (Thé Tjong-Khing, Caminho), O mundo num segundo (Isabel Minhós, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina), A árvore generosa (Shel Silverstein, Bruaá), Pó de estrelas (Jorge Sousa Braga, Cristina Valadas, Assírio e Alvim), O quê, que, quem (Eugénio Roda, Gémeo Luís, Edições Eterogémeas)... A principal motivação das participantes era a possibilidade de conhecerem novos livros. Creio que esse objectivo foi alcançado. Mas senti, desde a primeira semana, que faltava algo à acção... E, apesar de cumprir as principais orientações do programa, depois de concluidas as quatro sessões, creio que sei o que foi: organização na comunicação. Houve um desequilíbrio entre a organização programática e a forma mais caótica como decorreram as sessões. Provavelmente, teria sido necessário sistematizar a informação relativa a cada tópico. O diálogo leva-me muitas vezes a relacionar aspectos e poderá dificultar a sua estruturação. Acredito, no entanto, que a súmula que entreguei no final, com a bibliografia, alguns conselhos de actividades com o livro e de leitura a par, e as principais ideias que apresentei e desenvolvi, terão ajudado a colmatar a falha que senti.
Publicada por Andreia em 02:23 0 comentários
Etiquetas: ateliers, Promoção da Leitura
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009
Exposição de ilustração em São João da Madeira
Inaugurou no passado dia 4 de Fevereiro nos Paços da Cultura da Câmara de São João da Madeira a exposição Sonhos com Moldura, comissariada por Luís Mendonça (Gémeo Luís).
Na exposição podem ser vistos trabalhos de ilustradores portugueses e de artistas de outros 16 países: Alemanha, Argentina, Canadá, China, Espanha, França, Holanda, Irão, Itália, Japão, México, Polónia, República Checa, Rússia, Ucrânia e Uruguai, naquela que constitui uma sugestão “para mergulhar num universo alargado de imagens, para aprender, descobrir, sonhar”.
A exposição estará patente até ao próximo dia 8 de Março e merece, sem dúvida, uma visita!

Horário da exposição:
De seg. a sábado, das 10 às 24 horas
Domingos, das 14 às 24 horas
Publicada por Sérgio em 13:57 1 comentários
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
10.ª edição das Correntes D'Escritas
Começou ontem na Póvoa de Varzim aquele que já é considerado por muitos o mais importante encontro literário realizado em Portugal. De 11 a 14 deste mês todos os caminhos vão dar à Póvoa, onde podem ser encontrados, quer nos encontros formais que integram o programa do encontro quer em conversas informais, dezenas de autores portugueses e estrangeiros que ali se reúnem em torno desses objectos fascinantes, os livros.
A sessão de abertura ficou marcada, como em edições anteriores, pelo anúncio dos diversos prémios que a organização atribui.
A Moeda do Tempo, da autoria de Gastão Cruz e publicado pela Assírio e Alvim, em 2006, foi o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído desde 2004.
O Prémio Literário Correntes D'Escritas/Papelaria Locus, destinado a galardoar inéditos poéticos da autoria de jovens entre os 15 e os 18 anos distinguiu este ano Tatiana Bessa, com o poema Geometria das Sombras, escrito sob o pseudónimo Ophelia Nery.
E por fim, a 1.ª edição do Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes D'Escritas/Porto Editora, que prevê a edição dos trabalhos premiados em livro (para além de um prémio monetário), foi atribuído à Escola Básica 1/JI de Aires, de Palmela, pelo conto Um Susto e um Presente.
O Externato Infantil e Primário Paraíso dos Pequeninos, de Santa Maria da Feira, irá receber o 2.º prémio pelo trabalho A Aventura de Natal do Quico.
O 3.º e último prémio, com o conto O Menino e o Seu Sonho, coube ao Externato Patinho Feio, na Amadora.
A informação completa sobre as Correntes pode ser lida aqui.
Publicada por Sérgio em 22:30 0 comentários
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009
Jogar à macaca em Buenos Aires
Assinalando 25 anos sobre a morte de Julio Cortázar, haverá por Buenos Aires um conjunto de iniciativas que passam pela realização de seminários, projecções de filmes, apresentação de peças de teatro, conferências e espectáculos musicais. O programa tem início amanhã, dia 12 (Cortázar morreu neste dia em 1984), e prolonga-se até ao próximo dia 21 de Março. E será precisamente nesta data que Buenos Aires viverá a experiência de ver espalhadas por uma das suas avenidas 300 rayuelas coloridas e com sete metros de largura, da autoria da artista Marta Minujin. A ideia passa por criar uma experiência lúdica em torno de Cortázar, aberta a todos, jovens e menos jovens, desde que se apresentem com um livro do autor argentino. A memória do dia será fixada por um conjunto de fotografias aéreas que captarão centenas de pessoas a saltar sobre desenhos coloridos ao som de Charlie Parker, interpretado por saxofonistas espalhados pelas ruas.
Pela minha parte, se pudesse, o bilhete era reservado já amanhã. Mas como tal me parece difícil (para não dizer impossível), fica a notícia de uma iniciativa que junta literatura, música e partilha.
Publicada por Sérgio em 21:48 0 comentários
Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
formar leitores para ler o mundo - Teresa Colomer
2º Painel: Estratégias de leitura e compreensão leitora
«Quatro formas de ler na escola»
Teresa Colomer foi a conferencista de abertura do 2º painel, apresentando uma visão estruturada da prática leitora na escola. Encontra quatro pontos a partir dos quais se deve tecer a leitura global na escola. «Os actuais critérios educativos permitem pensar que a organização escolar deve ter em conta quatro âmbitos de actuação: a leitura autónoma, a leitura partilhada na sala de aula, a leitura relacionada com os diferentes objectivos curriculares e a leitura orientada pelo docente.»(in documentação do Congresso) A escola deve então ser um espaço de sociabilização da leitura, promovendo a implicação e resposta de todos, professores e alunos, no processo, seja ele individual ou colectivo, livre ou orientado. A leitura socializada precisa de um espaço escolar em construção, não só em termos físicos, em que o papel dinamizador da Biblioteca Escolar é fulcral, como no que concerne os referentes de grupo. É por isso necessário estar atento às descobertas de leitura que os alunos levam a cabo autonomamente, para que estas sirvam de base a novas leituras. Quanto aos objectivos escolares, a leitura poderá estar sempre presente, por ser transversal a todas as áreas de conhecimento. Deve, no entanto, marcar a sua presença de forma natural. “Literatura até no ar… se alguém se lembra de a pôr lá.” expressa exactamente essa naturalidade. A leitura orientada pelo docente deve ensinar a interpretar. Para isso, os textos longos são os mais adequados, porque permitem estabelecer inferências, relacionar lógicas textuais, prever e produzir juízos de valor. Em suma, os textos longos são a melhor forma de estruturar a competência leitora. O mesmo se passa com a leitura cooperativa. O desenvolvimento de estratégias interpretativas, críticas e inferenciais será mais proveitoso se os pares puderem partilhar dúvidas e progressos. É essencial que as actividades realizadas permitam a tomada de consciência, pelos alunos, de que estão a evoluir. Entre a consolidação da leitura como elo sociabilizante e o desenvolvimento da competência leitora está o segredo para o sucesso…
Publicada por Andreia em 23:48 0 comentários
Etiquetas: Promoção da Leitura
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
A contar os dias que faltam...
Chega dia 12...
O espaço na estante e no saco de livros que nos acompanha para todo o lado já está reservado.
E nós contamos os dias que faltam...
O Meu Pai, de Anthony Browne, Caminho
Publicada por Sérgio em 22:58 0 comentários
Domingo, Fevereiro 08, 2009
A propósito do ensino de poesia
Encontrei aqui algumas actividades de poesia realizadas por uma turma do 3º ano do 1º ciclo. Recordei os ateliers «Palavra Poema» e os objectivos que tinha. O poema colectivo da turma é uma enumeração metafórica o que me parece uma das melhores formas de despertar para a relação contínua entre a beleza das expressões e a plurissignificação. Quando lia, aos alunos que frequentaram o atelier, o álbum A minha mãe, de Anthony Browne (Caminho), era essa a intenção. A grande validade do género poético para a aprendizagem da leitura é precisamente a ginástica interpretativa: dizer por outras palavras, corresponder expressões do texto ao seu significado, continuar o poema com novas expressões, dar outro título ao poema... Permite, igualmente, que o pequeno leitor, desenvolva os seus juízos afectivos, o vocabulário, o sentido crítico. Por isso não devemos ensinar poesia apenas como espaço lúdico de trabalho com a palavra, porque a poesia será o género mais difícil de ser lido e escrito. Há lugar para a leitura expressiva, para a audição, para a escrita, para a descodificação. Diversificar estratégias e utilizar poemas diferentes para cada exercício fará com que as crianças percebam que a poesia não se esgota em jogos lúdicos e associações directas. Vale a pena espreitar o blog e conferir as actividades.
Publicada por Andreia em 20:48 1 comentários
Etiquetas: Poesia
Sábado, Fevereiro 07, 2009
O Livro - retratos na Biblioteca
Na Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas, podemos ver uma exposição de retratos tirados na própria Biblioteca. A ideia é da responsabilidade do fotógrafo Fabrice Ziegler e não se cinge ao espaço daquela Biblioteca. A encenação de emoções e conceitos é orientada pelo artista, e o resultado está patente no blog Retratos à Sexta. No site da Biblioteca, podemos encontrar um breve enquadramento da iniciativa.
A exposição alarga a perspectiva que se tem do comportamento social no espaço da biblioteca, apresentando novas perspectivas, enigmáticas, felizes, familiares, hedonistas. Onde está o livro? Qual é o seu lugar? Nesta mostra, a sua função é ambígua, lacta, imprevisível, imperceptível. As fotografias respondem a uma curiosidade voyerista com uma encenação tão evidente nuns casos, como com uma espontaneidade natural noutros. Os limites do triângulo biblioteca-leitor-livro são questionados e surpreendem. Não é o que todos desejamos?
Publicada por Andreia em 00:38 1 comentários
Etiquetas: bibliotecas
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
Formar Leitores para Ler o Mundo - Sandra Lee Beckett
1º Painel - Literatura para a Infância e Formação de Leitores
«Ficção de cruzamento: criando leitores com histórias que tematizam as grandes questões»
Sandra L. Beckett abordou e analisou o conceito de «crossover»: a apropriação, por parte do leitor adulto de livros que são dirigidos ao público juvenil. O fenómeno ganhou visibilidade e importância com a saga Harry Potter, de J. K. Rowling, responsável pela introdução na leitura por muitos leitores incipientes e reticentes. Se por um lado criou hábitos de leitura junto dos mais novos, que assim afastaram o pânico dos livros com muitas páginas e descobriram o entusiasmo e a avidez de percorrer o texto em busca de mais e mais aventuras emocionantes, é certo que também os adultos sentiram o mesmo frémito. A autora do livro Crossover Fiction: Global and Historical Perspectives (Routledge, 2008), acrescenta outros autores que consolidam o fenómeno para além desta colecção. Philip Pullman, Carl Hiaasen, Mark Haddon e Tormod Haufen são também referenciados, assim como Eoin Colfer, autor de Artemis Fowl (D. Quixote), pouco divulgado em Portugal, mas igualmente cativante para quem o leu. O estranho caso do cão morto (Presença), de Mark Haddon, foi escrito a pensar no público adulto, mas o seu editor sugeriu que este fosse também promovido junto do público juvenil.
Assistimos então a um produto de marketing editorial? Também. Para Sandra L. Beckett, o crossover resulta da combinação de factores literários e de marketing. Por um lado, os adolescentes estão a ficar cada vez mais sofisticados no seu desejo por desafios. Por outro, a cultura de massas infantiliza os adultos, muitos dos quais não integram a verdadeira cultura do conhecimento mas apenas a da informação. Quer então isto dizer que os livros são maus? Não, pelo contrário. A investigadora afirma que muita da melhor ficção está actualmente a ser publicada para jovens e que é no universo infanto-juvenil que a literatura está a romper com as categorias estabelecidas pelo edifício do cânone e dos estudos literários. Apesar de ser, no momento, um fenómeno mais visível no género fantástico, a leitura cruzada (ainda que não orientada pelo marketing editorial) sempre existiu.
Publicada por Andreia em 01:10 1 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens, Livros, Promoção da Leitura
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009
Em visita ao... Canto do Livro
São coisas boas que acontecem no espaço cibernáutico... Recebemos um email dos livreiros da Canto do Livro. Apresentavam-nos o seu blog. Fomos conhecê-lo e pedimos-lhes que nos dissessem o que fazem na livraria.
A resposta foi imediata. Fica uma visita guiada em primeira pessoa à livraria Canto do Livro, em Maricá (Estado do Rio de Janeiro, Brasil). Que luxo!
(Luíz Gadelha)
Claro, agora, visitemos o blog, que já está na nossa barra lateral (livraria canto do livro).
Publicada por Andreia em 01:07 0 comentários
Etiquetas: Livrarias, Promoção da Leitura
Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
Prendas para os leitores nos 20 anos da Cotovia
A Cotovia, na R. Nova da Trindade, junto ao largo da Misericórdia, em Lisboa, tem as portas abertas para todos os amantes de boa literatura. O seu catálogo conta com descontos entre 20% e 40% e podem ser comprados livros manuseados entre 5€ e 1€. Começou ontem e dura até dia 14 de Fevereiro. Durante a semana entre as 9h e as 20h. Aos sábados entre as 10h e as 18h. A não perder.
Para dificultar a escolha, aconselha-se uma visita ao site da editora.
Parabéns Cotovia!
Publicada por Andreia em 04:38 0 comentários
Etiquetas: Livrarias
Formar Leitores para Ler o Mundo - Maria Nikolajeva
1º Painel - Literatura para a Infância e Formação de Leitores
«Literacia visual e o leitor implícito nos álbuns para crianças»
Maria Nikolajeva (Univ. Estocolmo, Suécia) analisou os aspectos centrais da leitura de ilustrações em álbuns, evidenciando a urgência de formar crianças e adultos (especialmente os mediadores) para ler o texto visual. O álbum é um texto multimodal, com uma componente verbal e uma componente visual. De quanto tempo precisamos para ler um texto multimodal? Por que ordem o lemos? Que conexões permite estabelecer? De paralelismo, de complementaridade, de redundância, de confirmação. Dentro da lógica sequencial do enredo, o leitor pode antecipar e rever os elementos do enredo, pode inferir, a partir de pormenores, relações causais, temporais e espaciais. Mas as imagens podem igualmente sugerir enredos paralelos, e é o leitor quem decide, através da sua interpretação, se ocorrem em simultâneo ou se um é da ordem do real e outro da ordem do fantástico.
Por isso é importante dotar o leitor de ferramentas de interpretação do texto visual, e da sua relação com o texto escrito. Por exemplo, se uma personagem aparece várias vezes numa única página (que pode ser dupla), essa imagem sugere movimento, acção da personagem. Já se uma figura aparece na imagem com uma diferença exagerada de proporção em relação a outra, inferimos uma hierarquia de tratamento: a maior terá um ascendente sobre a mais pequena. Estes dois casos implicam uma interpretação do visual, mas a confirmação desta interpretação pode ser dada pelo escrito. O inverso também acontece e muitas vezes o visual funciona como esclarecimento para uma ambiguidade do texto escrito. Se um álbum tiver qualidade literária, surgirão diversos diálogos que só o treino permitirá ler. O literário é necessariamente polissémico, porque conta sempre com um nível de leitura literal e outros, simbólicos. Faz parte da semântica literária a presença do símbolo e a construção retórica. Para a sua descodificação, é preciso descobrir e reconhecer, para relacionar. A imagem de um lobo com um sorriso doce e um olhar meigo afastá-lo-á da história do Capuchinho Vermelho. Esta suposição resulta de uma relação de intertextualidade, só possível pelo domínio dos símbolos do Capucinho Vermelho. A leitura de imagens deve por isso ser estimulada, para que em cada álbum o leitor frua de todo o manancial de emoções que o álbum oferece.
Publicada por Andreia em 01:46 0 comentários
Etiquetas: ilustração, Literatura, Promoção da Leitura
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
Formar Leitores para Ler o Mundo - Lawrence Sipe
1º Painel: Literatura para a Infância e Formação de Leitores
«Peritextos e quebras de página: oportunidades para construir sentido nos álbuns»
Lawrence Sipe (Univ. Pensilvânia, EUA) apresentou um resumo de um estudo levado a cabo nos E.U.A sobre a relevância do peritexto. O trabalho dos mediadores de leitura com o livro e os seus elementos permitiu constatar que as crianças entre os quatro e os sete anos conseguem identificar títulos, capas, meios títulos, capítulos… Através da exploração quotidiana destes elementos, começam a relacionar e questionar informações: comparam as datas de edição com as suas datas de nascimento e comentam que há muitos livros editados em Nova Iorque. O ritual peritextual tornou-se parte integrante da leitura e as crianças manifestavam o seu agrado. Assim, foi possível desenvolverem-se mecanismos de previsão textual não só ao nível da lógica narrativa mas igualmente da coerência estética da obra. Avaliavam-se as ilustrações na construção das personagens (afáveis, perigosas, traquinas…) e do tom narrativo (assustador, divertido, etc…). Lawrence Sipe veio mais uma vez reiterar a importância do trabalho com o livro, e não apenas com o texto escrito, e os efeitos de apropriação lúdica que este trabalho tem na criança, que beneficiam a sua relação de espanto e descoberta com o objecto, a partir do primeiro contacto.
Publicada por Andreia em 17:29 0 comentários
Etiquetas: Promoção da Leitura
Formar Leitores para Ler o Mundo - Peter Hunt
Passada uma semana, cá está uma pequena súmula daquilo a que pude assistir no Congresso Internacional de Promoção da Leitura, promovido pela Casa da Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian, nos dias 22 e 23 de Janeiro.
1º Painel: Literatura para a Infância e Formação de Leitores
«Declínio e diminuição da literacia literária: infância e literatura para a infância no Reino Unido na actualidade»
O conferencista de abertura, Peter Hunt (Univ. Cardiff, Reino Unido), reflectiu sobre a literacia literária das crianças e adolescentes. Partindo da evidência de que as crianças têm hoje em dia muitas e diversas fontes de prazer, o professor comparou edições de livros infantis de há quarenta anos com edições actuais, concluindo que as últimas são mais pequenas e mais literais. Apresentou como exemplo um livro datado originalmente de 1904, que foi recentemente adaptado para televisão. Na sequência da transmissão televisiva, o livro foi reeditado, desta vez a partir da série, ficando reduzido a metade o número de páginas.
Mas não terão sido apenas os livros que se tornaram mais pequenos, menos sugestivos, menos originais. Também os critérios que definem um bom livro, assim como a visão dos críticos, se alteraram nos últimos trinta e quarenta anos. Por isso, os pequenos leitores não estão a ser preparados para descodificar com um propósito, compreendendo e acedendo à complexidade do texto. A simplificação do estilo priva a criança do exercício de inferir sentidos e da capacidade de interpretar. Os melhores textos são aqueles que integram vazios, obrigando naturalmente a relacionar, a prever, a inferir e deduzir.
Peter Hunt deixa então uma questão, a finalizar a sua apresentação: esta mudança interfere na vida das crianças?
Publicada por Andreia em 03:06 0 comentários
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