Quarta-feira, Julho 08, 2009

Reflexões sobre literatura infantil

Está no Cadeirão Voltaire, desde 27 de Junho, um texto assinado por Pedro Moura que reflecte sobre a literatura infantil enquanto género. Para isso, enuncia os nexos principais da obra de Seth Lerer, Children's Literature. A Reader's History from Aesop to Harry Potter, relacionando-os com A Infância é um território desconhecido, de Helena Vasconcelos (Quetzal). Pedro Moura destaca, na obra do autor americano, a relevância do conceito de infância ao longo dos tempos para a composição dos textos de recepção infantil. Pelas suas palavras constatamos que a organização do volume obedece a regras cronológicas e a uma investigação criteriosa. Relativamente à autora portuguesa, o texto de Pedro Moura é mais crítico, apontando-lhe pouca reflexão e em alguns casos um excesso de assertividade nas afirmações que não é depois devidamente justificada. Polémicas à parte, esta análise volta a chamar a atenção para a legitimação da literatura de recepção infantil e para a necessidade de se fazer a sua história.
Contribui igualmente para problematizar questões no âmbito dos estudos literários. Deve o literário erigir-se sobre o conceito filosófico e sociológico de infância ao longo da História? Deve o literário depender da recepção, ou da intenção do autor? Aceitaremos designações como a de leitor modelo para definir um género?
Em suma, porque sentimos necessidade de encontrar os limites do infantil para ler o infantil?

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