Sexta-feira, Abril 24, 2009

Três anos de Bicho dos Livros III

A terceira parte dedica-se ao trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas na Promoção da Leitura.Os pais mais interessados ainda estranham alguns temas que vêem abordados em certos álbuns, e questionam se o assunto se adequa aos mais novos. Outros conseguem ultrapassar a barreira da mediação e ajuizar afectivamente os livros, na sua perspectiva de adultos. É certo que a sensibilização dos pais é um duro caminho que é urgente trilhar, apesar das fracas assistências, e da indiferença da maioria dos pais (homens). A Biblioteca Municipal de Beja, assim como a de Odivelas, têm desenvolvido projectos de continuidade com pais, que podem ser consultados e adaptados. Não se podem realizar acções pontuais, devem criar-se laços, permitir-lhes que tragam dúvidas e experiências para um ambiente de partilha íntimo.
Nos últimos três anos as Bibliotecas Municipais têm vindo a apostar mais fortemente na formação dos pais mediadores, quer através de actividades exclusivamente dedicadas a eles, quer através de acções conjuntas com os seus filhos, desde a mais tenra idade.
As horas do conto para pais e filhos são disso um exemplo. Muitas vezes levadas a cabo pela equipa de animação da Biblioteca, estas sessões permitem que os pais observem os contadores, bem como os diferentes comportamentos das crianças na assistência. Conhecem novos livros e partilham com os filhos um momento afectivo e social em torno da leitura.
A generalização das Horas do Conto tem sido benéfica para toda a comunidade, mas actualmente a actividade corre um certo perigo. Como já se realiza nas Bibliotecas Escolares, alguns professores, educadores e pais consideram que a Biblioteca Municipal não se deve dedicar a contar histórias às crianças. O drama da novidade ainda paira como uma nuvem sobre as mentes, deturpando intenções e inviabilizando resultados. As Bibliotecas, sejam elas municipais ou escolares, não podem ceder à tentação da constante inovação. O acto de contar e ouvir deve acompanhar a criança no seu crescimento. Para além disso, o facto de participarem nas Horas do Conto na escola não lhes retira o prazer de ouvir histórias na Biblioteca Municipal, de criar laços com as pessoas de lá, de se familiarizar com o espaço. Tendo conseguido chegar até aqui, não podemos regredir pela ânsia de surpreender o outro.
Na promoção da leitura é necessário um plano delineado com objectivos muito concretos, sem nunca esquecer que o leitor tem de se sentir bem na biblioteca e para isso têm de se estabelecer relações de proximidade com a equipa. As pessoas que fazem o atendimento, seja às crianças, adolescentes ou adultos, têm de gostar de ler e gostar de pessoas. Esse é o primeiro passo, e o mais importante. E consegue-se sem verbas, mal de que se queixa a grande maioria das autarquias, para não falar das escolas.

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