Terça-feira, Abril 28, 2009

balanço da comunidade só para pessoas cultas

A nossa comunidade de jovens leitores na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço chegou ao fim na passada 4ª feira. Despedimo-nos com a promessa de um reencontro para Outubro ou Janeiro mas o tempo é mau conselheiro da memória, principalmente dos mais novos, que vivem numa voragem de sensações e descobertas. Quanto aos livros, elegemos como a melhor capa a do livro Nem tudo começa com um beijo, como melhor título O rapaz que chutava porcos e como melhor história não houve vencedor único. Escrito na parede terá sido o derrotado, já que foi o menos amado pela maioria. A Biblioteca Mágica e O rapaz que chutava porcos foram os mais lidos. Fizemos um pequeno inquérito em que perguntámos o que diriam aos amigos para os convencer a ir e o que mais tinham gostado. A conversa foi o tópico mais aliciante para todos, embora tenham afirmado ter gostado dos livros. Percebemos que o que os faz gostar da comunidade é a liberdade que têm para conviver uns com os outros e partilharem connosco a sua vida. Os livros e as actividades ficam sempre para segundo plano, apesar de haver quatro totalistas no grupo que concluiram a leitura de todos os livros propostos. Houve algumas actividades bem sucedidas: a apresentação através de um livro, a caracterização do par e a escolha do livro para ele, os exercícios de escrita, e as previsões sobre as várias narrativas. E, apesar de não se deterem muito tempo nos livros, opinaram sobre as suas preferências, o que não percebiam, aquilo de que gostaram. Reiterei a minha opinião acerca das motivações dos adolescentes para participarem numa comunidade: a Biblioteca tem de fazer parte da sua vida e têm de se sentir em casa, ou nunca irão. É mais fácil ter um não leitor numa comunidade se ele for frequentador da biblioteca do que ter um leitor que nunca lá vai. Todos os elementos deste grupo dominam o espaço e se sentem próximos da equipa que os acolhe diariamente. Essa familiaridade afectiva possibilitou que o grupo se desse muito bem e que me fosse permitido partilhar essa cumplicidade. Fui eu quem chegou de novo, não eles.

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