Sexta-feira, Março 27, 2009

Comemorar o Dia Mundial do Teatro com És mesmo tu?

Voltei hoje à EB 2/3 Comandante Conceição e Silva, a convite da professora Ana Rodrigues. Desta vez o convite não foi para nenhum atelier e sim para uma conversa com os alunos, no encerramento de uma semana cheia de actividades. O agrupamento, tal como o da Escola António da Costa, também em Almada, aderiram ao Bookcrossing, tendo sido lançados seis livros por dia em vários espaços das escolas pertencentes aos dois agrupamentos. Assim, para além do encontro com os alunos de uma turma do 6º ano, coube-me igualmente lançar na escola um dos últimos livros.
Na última semana tentei preparar a conversa, tendo em conta que deveria mencionar as efemérides dos últimos dias: Dia Mundial da Poesia (21 de Março), Dia do Livro Português (25 de Março) e Dia Mundial do Teatro (hoje, 27 de Março). Mas nada me satisfazia. Confesso que a ideia de falar sem um plano me deixa pouco confortável, porque sempre construi a minha relação com os públicos com base em guiões e actividades planificadas. Ontem à noite, quando reunia alguns livros para levar, olhei para a estante dos álbuns e fez-se luz. Tinha estado a ler um artigo da Cristina Taquelim sobre a estruturação da hora do conto (vale a pena ler, na Casa da Leitura) e resolvi experimentar. Arrisquei levar dois livros: Palavra que voa (João Pedro Messéder, Gémeo Luís, Caminho) e És mesmo tu? (Isabel Minhós Martins, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina). O primeiro, obviamente, servia de mote e exemplo para falarmos de poesia. Pretendia explorar a ideia do sentido obtuso, e da relação que o leitor pode ter com os sentidos que não decifra. Já tinha trabalhado o álbum com alunos do 7º ano, pelo que estava mais ou menos confiante.
O grande desafio era o álbum És mesmo tu?. Pela sua característica dialógica pensei que nada seria melhor do que relacioná-lo com o teatro. Matava dois coelhos duma cajadada: referia a efeméride e testava o livro, já que não fazia ideia se os alunos iam ou não gostar.
O resultado superou as expectativas. Todos ficaram em silêncio a ouvir a história, todos gostaram, alguns riram. Um dos participantes perguntou se não havia mais nenhum livro para ser lido e se aquele não podia ser lançado para bookcrossing. Quando lhes perguntei se podia ser dramatizado, concordaram prontamente que sim. E eu bem gostava de os ver nesse papel...

4 comentários:

Nocturna disse...

Venho acompanhando , de longe o seu trabalho em parceria (dream team)com o Sérgio e acho que é um trabalho magnífico,e que sem alardes vai deixar muito mais jovens a gostar de ler e a amar os livros.
Muito obrigada por isso, em nome de Portugal.
Um grande abraço aos dois.
Nocturna

Manuela Caeiro disse...

Eu vi..., eu sei que "funcionou" na perfeição!
Poesia e teatro... ilustração... uma conversa mais pessoal (como os livros podem constituir um modo de vida...) tudo veio à baila e fluiu com entusiasmo e naturalidade...
Um perfeito encerramento da Semana a que tive o prazer de assistir.
Psst! Tenho fotos lindas!)
Manuela Caeiro

Biblioteca/Ana Rodrigues disse...

Gostámos muito, como sempre... Registámos uns apontamentos breves no nosso blogue, até porque "uma imagem vale mais do que mil palavras"... e cheira a férias...:-)
Obrigada, Andreia!
Manuela

Biblioteca/Ana Rodrigues disse...

Esqueci-me de acrescentar o link (Acham que ainda vou a tempo?...) http://bibliotecaxcompanhia.blogspot.com/2009/03/semana-chegou-ao-fim.html