Olhando para o que se passa no nosso país, começa a parecer normal que as entidades empregadoras ou requerentes de serviços não cumpram a sua função pagadora. Mas o que é normal por ser recorrente não tem de ser aceitável. Serve o intróito para anunciar que a partir de Fevereiro deixaremos de colaborar com a revista Os Meus Livros. O motivo? Após três meses sem recebermos os pagamentos que nos eram devidos, decidimos fazer alguma pressão junto da administração (que era a CE Livrarias, no início deste processo, e passou a ser a Sodilivros, em Dezembro), no sentido de divulgar que estávamos sem receber desde a edição de Outubro. Como resultado dessa tentativa, que já não era a primeira, de termos alguma garantia relativamente aos nossos direitos, foi-nos dito que estávamos dispensadas. E estaremos dispensadas, mas continuamos à espera dos pagamentos que nos são devidos.
Vamos por partes. O atraso dos pagamentos verifica-se desde o início de Novembro. Primeiro, foi-nos dito que os pagamentos estavam atrasados, mas que seriam efectuados no início de Dezembro. A meio de Dezembro, depois de várias tentativas frustradas de obtermos respostas directas da administração, fomos informadas por mail de que, no início do mês, a Coimbra Editora Livrarias teria vendido a publicação Os Meus Livros à distribuidora Sodilivros, que integra o mesmo grupo empresarial. Por isso, mantinha-se o atraso nos pagamentos e deveríamos alterar o destinatário do recibo verde. Assim fizemos.
Depois de vários telefonemas e e-mails sem respostas concretas, e depois de termos dito ao director da revista que não entregaríamos os artigos para a edição de Janeiro enquanto não houvesse uma palavra directa da administração (que, durante todo este processo, só falou connosco por mail para dizer que os pagamentos iriam começar a ser regularizados, sem nunca apontar uma data, e para avisar sobre a mudança para a Sodilivros; nunca nos explicaram o que se passava, nunca tentaram chegar a um acordo de pagamento faseado, nunca se deram ao trabalho de nos dizer se estavam, ou não, com dificuldades financeiras), foi-nos dito que os pagamentos seriam regularizados até ao final do ano. No entanto, e estranhamente, sem data prevista, apesar de faltarem apenas oito dias úteis. Fomos então confrontadas com uma situação deveras ingrata: tínhamos sido as únicas, segundo o director, a não entregar os artigos. Não querendo ser responsabilizadas pelos infortúnios comerciais da revista, decidimos entregar os nossos artigos no dia 22 de Dezembro. Até dia 30 não fomos contactadas por ninguém para anunciar o pagamento ou justificar a sua ausência. Contactámos então o director da revista, que não tinha informações sobre a situação. Já em Janeiro, e depois de termos pressionado a administração, ficámos a saber, pelo director, que a administração nos tinha dispensado na sequência da nossa vontade expressa de divulgarmos a situação de incumprimento nos pagamentos. Nessa mesma altura foi-nos garantido que receberíamos até ao fim da semana. A semana passou. Passou mais outra. Continuamos sem receber. E continuaremos a perguntar à Sodilivros quando nos pagará. Fomos dispensadas, mas a dívida que têm para connosco ainda não foi saldada.
Depois disto, resta-nos informar todos aqueles que nos liam de que não voltaremos a escrever na revista Os Meus Livros (pelo menos com esta administração, e como a revista já mudou de mãos tantas vezes, nunca se sabe). Agradecemos aos leitores e convidamo-los a seguirem-nos nos nossos blogues e outras publicações com as quais continuaremos a colaborar.
Andreia Brites
Sara Figueiredo Costa
Sexta-feira, Janeiro 27, 2012
Fim da colaboração com a revista Os Meus Livros
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sugestão para o fim de semana
Publicada por Andreia em 01:44 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros, Livrarias
Quinta-feira, Janeiro 26, 2012
sem eufemismos nem redundâncias, um diário puro e duro
Publicada por Andreia em 08:19 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros
Uma razão para ler um livro
O que pode fazer um rapaz de treze anos, fã de Banda Desenhada da Disney e de carros, ficar interessado em Conspiração 365 (Gabrielle Lord, Contraponto)?
-Gosto mais de livros sobre a realidade. Tem muita acção?
-Tem. O Callum está constantemente a ser perseguido...
- E há tiroteios?
- Sim, e bombas, e perseguições de carro.
-Acho que gosto desse livro.
...
-Gosto de livros com que me identifique.
-É por ele estar sozinho?
-Também...
O meu interlocutor não disse, mas o que lhe despertou mais interesse foi o facto de Callum ser orfão de pai. Às vezes precisamos de nos rever em alguém, mesmo que seja um herói proscrito numa aventura cheia de acção, mistério e uma estrelinha da sorte que só acompanha um certo tipo de personagens...
Foi hoje, na Biblioteca Municipal do Sobral de Monte Agraço.
Publicada por Andreia em 00:47 0 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens
Quarta-feira, Janeiro 25, 2012
O Mundo das Histórias, nova colecção Infantil da Porto Editora
A Porto Editora lança uma nova colecção infantil, «Mundo das Histórias», escrita e ilustrada por autores portugueses, que pretende ser diversificada nos temas e nos estilos, dirigindo-se a crianças a partir dos cinco anos de idade.
Publicada por Andreia em 00:56 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros
Terça-feira, Janeiro 24, 2012
A Bicicleta que Tinha Bigodes, de Ondjaki
Ondjaki é um contador de histórias cativante pelo entusiasmo que se pressente no seu discurso, seja ele escrito ou oral. E a memória de ser criança ou adolescente é boa de ser lembrada quando ainda se acalenta um pouco dessa alma, e não resta apenas a melancolia distante que uma vida de permeio impõe.
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Etiquetas: Editoras; Livros
Segunda-feira, Janeiro 23, 2012
Emily Gravett de regresso
Outra Vez!, Emily Gravett, Livros Horizonte
Publicada por Andreia em 22:38 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros
30 anos de adolescência
Adrian Mole completa trinta anos de existência. A sua personalidade continua a ser das mais inteligentes que a história da literatura juvenil conheceu. A inesgotável depressão pós-moderna e o profundo sentido de ironia, que nasce sempre do contingente atingindo níveis existenciais, tornou esta personagem um clássico ao longo de várias gerações.
Hoje requer ainda mais competências que à data da primeira edição, mas continua a ganhar leitores.
A notícia da efeméride vem no Ípsilon de 6a feira.
Publicada por Andreia em 02:36 0 comentários
Etiquetas: Adolescentes/ jovens, Efeméride, Livros
Sexta-feira, Janeiro 20, 2012
sugestão para o fim-de-semana
Sábado, pelas 16h, sessão de autógrafos com os autores de Moli, uma edição da Tcharan, na livraria Papa-Livros, no Porto.
Publicada por Andreia em 17:18 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros, Livrarias
Quinta-feira, Janeiro 19, 2012
Álbuns sem Palavras: jogar e ler de muitas maneiras
O mais recente número da revista online Imaginaria traz um longo artigo sobre os livros-jogo e os álbuns sem texto: El juego de Pululeer y juegos para releer.
Originalmente publicado na revista Bloc, aqui se apresentam vários exemplos de construção de releituras através de jogos de observação. Da descodificação de um elemento gráfico à relação entre o particular e o contexto na página, assim se desenvolvem técnicas de leitura de imagens e de interpretação de sentido.
No final do artigo há alguma bibliografia e links para outros artigos sobre o mesmo tema.
Publicada por Andreia em 13:59 0 comentários
Etiquetas: Jornais e revistas; Livros, leitura
pela sétima vez... e outra história, de António Torrado

Gonçalo e a Bicharada... e outra história, António Torrado (texto), Catarina Correia Marques (ilustração), Civilização
Desta vez, um menino não compreende porque não pode levar para casa um animal do jardim zoológico. O avô contorna a impossibilidade com um pequeno toque de mágica, bem a calhar com a imaginação do pequeno.
Noutra história, é uma moeda que se perde do seu dono para regressar à sua mão, depois de um passeio pelas redondezas.
As ilustrações de Catarina Correia Marques alimentam o universo onírico de Gonçalo e acompanham o percurso acidental da moeda. A paleta de cores é ampla sem ser demasiado garrida, e o sentido descritivo das imagens conferem um contexto familiar às histórias.
Publicada por Andreia em 13:36 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros
Triplo Sentido
Com os três livros de Béatrice Rodriguez na mão (todos editados pela Bags of Books), as narrativas tornam-se ainda mais divertidas. Depois de O Ladrão de Galinhas, A Pesca e A Vingança do Galo não desiludem no efeito surpresa da intriga e no humor dos acontecimentos e das personagens.
Há, em todos os livros, uma missão que enfrenta diversos infortúnios e dificuldades imprevisíveis, que a tornam muito mais interessante aos olhos de quem lê.
Em O Ladrão de Galinhas, uma raposa rouba uma galinha e o urso, o coelho e o galo lançam-se numa perseguição sem tréguas para salvar a companheira. Em A Pesca é a Galinha que persegue, com o caranguejo, o peixe que conseguiu pescar e logo lhe foi roubado, e que tem de levar para casa para alimentar a família. Em A Vingança do Galo, este encontra um ovo que toma para si e leva-o para casa por caminhos e lugares bizarros e acidentados. No final de cada narrativa há uma surpresa que pode ou não decorrer daquela missão.
O seu cumprimento não tem o desfecho esperado, ultrapassando as expectativas que se vão criando ao longo dos acontecimentos. Muitas dessas expectativas resultam do comportamento das personagens e de uma lógica que tendencialmente preside ao mundo. Em última análise, cada livro desmonta ideias feitas sobre essa dita lógica, de cariz social e moral. É uma segunda linha de leitura, mas nessa subtileza reside, com a sua estética próxima da animação e do cartoon, a riqueza destes álbuns.
A construção das personagens deve muito à sua dinâmica corporal: o urso sempre em esforço, arqueado, pesado, a ficar para trás; o coelho, lestro, sempre motivado, a olhar para quem quer alcançar, esbraceja, ajuda o urso no caminho, fala muito; o galo é sério e carrancudo, o símbolo do poder (que é desinvestido da sua função e se sente frustrado); a galinha é independente, bem disposta e pró-activa; a raposa é calma, apaixonada, meiga e dedicada.Tudo se vê pelos gestos e por alguns apontamentos como os óculos de sol da galinha, os dentes arreganhados do galo, as molduras em casa, as mantas no colo dos amigos quando repousam no final...
As casas são sempre espaços acolhedores que se aproximam do ambiente doméstico quase idílico e contrastam com os lugares hostis e fantásticos por onde as personagens se movimentam nas suas aventuras.
Assim, a narrativa equilibra os elementos próximos da realidade (normalmente no início e no final) com os elementos fantásticos próprios dos enredos de acção. Tudo funciona e, juntando os três álbuns, o quadro fica completo. A galeria de personagens que dá corpo às histórias ganha outra dimensão e o leitor pode ler e reler cada um dos livros para adensar as suas identidades. Porque cada intriga depende essencialmente do papel que as personagens desempenham e da forma como se relacionam.
E a empatia que com elas se estabelece abre a porta para um compromisso com a liberdade para cada um escolher ser e fazer o que sente e sabe. Sem paragonas programáticas ou panfletárias.
Parece fácil, não é?
Publicada por Andreia em 02:22 0 comentários
Etiquetas: Editoras; Livros

